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quinta-feira, janeiro 27

O Discurso do Rei


Minhas opiniões quase nunca coincidem com a dos caras do Oscar. Eu sequer colocaria o ganhador da estatueta de melhor do ano passado, Guerra ao Terror, entre os 10 pré-selecionados. Mas é impossível deixar de prestar a atenção na festa dos escolhidos e procurar assistir os indicados. Os caras do Oscar realmente fazem o serviço bem feito e conseguem gerar no público do mundo todo, mesmo nos menos ligados em produções cinematográficas, uma expectativa, um desejo, mínimo que seja, de assistir aos laureados.

Esse preâmbulo foi para dizer que sou igual a todo mundo, nesse aspecto. Por isso, me detive para apreciar O Discurso do Rei,que recebeu o maior número de indicações para a festa do dia 27 de fevereiro. O filme conta a história da relação do príncipe George, que é gago e tem enorme dificuldades com discursos, óbvio, e o seu adestrador de linguagem australiano, que nem formação técnica sobre o assunto tem. Albert, por renúncia de seu irmão Edward, que trocou o trono por um casamento com uma americana já com dois divórcios, é entronado rei da Grã Betanha. Aí, mais do que nunca, será forçado a proferir discursos eloquentes, ainda mais com uma Guerra contra o Eixo sendo declarada.

Pois é. O tema central do filme não provoca curiosidade. Mas 12 indicações para o Oscar não é coisa que se consegue todo dia. A trama gira em torno de uma amizade que ao pouco se constrói entre um integrante da realeza, e um plebeu de poucas posses, mas com grandes possibilidades de auxiliar sua majestade em seus objetivos. O plebeu impõe como condição para a terapia uma relação de igualdade. E a contra gosto do futuro Rei, passa a chamá-lo Bertie, tratamento que só é usado por seus parentes próximos na intimidade do lar.

O filme faz um esforço para tornar a realeza mais humana, mais próxima do cidadão comum. E isso, penso eu, os americanos devem gostar. Vai caminhando nessa direção, mostrando alguns avanços que Albert tem em sua fala, até o apoteótico discurso do Rei, que dá nome ao título da produção. Tudo bem que a ambientação de época está muito bem apresentada, o figurino, os atores também dão conta do recado (avaliação de interpretações não é o meu forte, confesso), mas a trama em si não traz surpresas do ponto de vista estético, e o roteiro também não mostra nada além dos padrões de normalidade do cinemão. Também é complicado para a produção britânica oferecer muito, haja vista que está totalmente baseada em fatos reais. A realidade tende a atrapalhar o criador da obra, creio eu.

Mas o filme não é ruim, e consegue tocar a emoção. A trilha sonora, carregada de violinos, contribui sobremaneira para esse resultado. Se não tivesse recebido tantas indicações ao Oscar, certamente não receberia tanto destaque da mídia e talvez nem tivesse despertado o meu interesse. Sinceramente, há produções melhores que foram preferidas pelo tio Oscar. Interessante ver a atual rainha Elizabeth criança, já envolvida com toda a pompa real. Bem, preciso colocar o macarrão na água. Até a próxima.

Elenco: Colin Firth, Geoffrey Rush, Helena Bonham Carter, Jennifer Ehle, Guy Pearce.
Direção: Tom Hooper

PS Colin Firth, que interpreta o rei George ganhou o Globo de Ouro

PS 2 Indicados ao Oscar:

Melhor Filme
127 Horas
A Origem
A Rede Social
Minhas Mães e Meu Pai
Cisne Negro
Inverno da Alma
O Discurso do Rei
O Vencedor
Toy Story 3
Bravura Indômita

Melhor Atriz
Nicole Kidman, por Reencontrando a Felicidade - Rabbit Hole
Natalie Portman, por Cisne Negro
Michelle Williams, por Blue Valentine
Jennifer Lawrence, por Inverno da Alma
Annette Benning, por Minhas Mães e Meu Pai

Melhor Ator
Jesse Eisenberg, por A Rede Social
Colin Firth, por O Discurso do Rei
James Franco, por 127 Horas
Jeff Bridges, por Bravura Indômita
Javier Bardem, por Biutiful

Melhor Atriz Coadjuvante
Amy Adams, por O Vencedor
Melissa Leo, por O Vencedor
Helena Bonham Carter, por O Discurso do Rei
Hailee Steinfeld, por Bravura Indômita
Jacki Weaver, por Animal Kingdom

Ator Coadjuvante
Mark Ruffallo, por Minhas Mães e Meu Pai
Christian Bale, por O Vencedor
Geoffrey Rush, por O Discurso do Rei
Jeremy Renner, por Atração Perigosa
John Hawkes, por Inverno da Alma

Melhor Diretor
Darren Aronofsky, por O Cisne Negro
David Fincher, por A Rede Social
Tom Hooper, por O Discurso do Rei
Joel Coen e Ethan Coen, por Bravura Indômita
David O. Russell O Vencedor

Melhor Documentário
Saia Pela Loja de Souvenirs
Gasland
Inside Job
Restrepo
Lixo Extraordinário

Melhor Documentário em Curta-metragem
Killing the Name
Poster Girl
Strangers No More
Sun Come Up
The Warriors os Qiugang

Melhor Edição
Cisne Negro
O Vencedor
O Discurso do Rei
127 Horas
A Rede Social

Melhor Filme Estrangeiro
Biutiful
Caninos
Em Um Mundo Melhor
Incendies
Outside the Law

Melhor Maquiagem
Barney's Version
The Way Back
O Lobisomem

Melhor Trilha Sonora
Como Treinar seu Dragão
A Origem
O Discurso do Rei
127 Horas
A Rede Social

Melhor Canção Original
Coming Home, de Country Strong
I See the Light, de Enrolados
If I Rise, de 127 Horas
We Belong Together, de Toy Story 3

Melhor Animação
Como Treinar o Seu Dragão
Toy Story 3
L´Illusioniste

Melhor Roteiro Original
Um Ano a Mais
O Vencedor
A origem
Minhas Mães e Meu Pai
O Discurso do Rei

Melhor Roteiro Adaptado
127 Horas
A Rede Social
Toy Story 3
Bravura Indômita
O Inverno da Alma

Melhor Som
A Origem
O Discurso do Rei
Salt
A Rede Social
Bravura Indômita

Melhor Edição de Som
A Origem
Toy Story 3
Tron: O Legado
Bravura Indômita
Incontrolável

Melhores Efeitos Visuais
Alice no País das Maravilhas
Harry Potter e Relíquias da Morte Parte 1
Além da Vida
A Origem
Homem de Ferro 2

Melhor Curta-Metragem de Animação
Day & Night
The Gruffalo
Let's Pollute
The Lost Thing
Madagascar, carnet de voyage

Melhor Curta-Metragem
The Confession
The Crush
God of Love
Na Wewe
Wish 143

Melhor Figurino
Alice no País das Maravilhas
I Am Love
O Discurso do Rei
The Tempest
Bravura Indômita

Melhor Direção de Arte
Alice no País das Maravilhas
Harry Potter e Relíquias da Morte Parte 1
A Origem
O Discurso do Rei
Bravura Indômita

Melhor Fotografia
Cisne Negro
A Origem
O Discurso do Rei
A Rede Social
Bravura Indômita

Um comentário:

Raquel Cavalcante disse...

Eu estou mais por fora esse ano que bunda de índio. Posso nem discutir sobre os filmes, nem lembro a última vez que fui ao cinema =/