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domingo, janeiro 24

Um açaí e 10 centavos

Coisas estranhas acontecem todos os dias. Independente de chegar ao nosso conhecimento, ou não, elas está lá. Algumas mais que as outras.

Ontem, no final da noite, fomos tomar açaí com uns amigos. Em um local de sempre, onde o suco é bem preparado e o atendimento eficiente. Mas aconteceu algo diferente. No fundo do copo de um amigo, ao terminar de sorver o açaí, foi encontrada uma moeda de dez centavos. Isso mesmo, ninguém soube como foi parar lá.

Aconteceu que, como acontece nessas ocasiões, o consumidor de açai se sentiu lesado, de alguma forma, e dirigiu-se ao balcão, para expor as suas reclamações. Decisão sumária da gerente foi demitir o garçon, acusando-o de ser relapso no serviço.

Isso causou comoção de todos quantos souberam do radicalismo da gerente, e formou-se um semi-barraco para restabelecer o emprego do nosso prestativo garçon. Saimos de lá altas horas da madrugada com a promessa de que ele estaria assegurado no emprego. Particularmente, não sou muito afeito a acreditar em conversas de patrões, por isso, ficamos com o número do celular do garçon, e vamos monitorar se ele realmente vai permanecer no seu emprego. Sorte dele que no grupo havia um advogado trabalhista, que sabe exatamente como intervir, em caso de necessidade.

O que acho mais grave é que Fortaleza não seria, sob qualquer hipótese, um local onde as pessoas são bem atendidas. E exatamente um, que dá conta com muita desenvoltura da sua função, vai ser apenado por um erro que não foi seu. Aqui ainda se vive a cultura do empregado babão, que sabe adular para permanecer ou ascender em sua função.

sábado, janeiro 23

Precious


Com quantos demônios você é capaz de conviver? Imagine-se sendo uma negra feia e gorda, que gostaria de ter pelo menos um namorado e em vez disso tem dois filhos com o pai que é apenas no namorado de sua mãe, um dos quais com síndrome de down. E ainda tem toda a raiva dela porque se considera lesada pela filha, que teria roubado seu homem.

Essa é a vida de Clarisse Precious Jones, contada de forma muito bela. Que se percebe um ser que ama pelos filhos que teve. Que se descobre uma mães capaz de dar todo o carinho e dedicação que a sua própria mãe nunca mostrou consigo.

Filmes assim tocam e deixam o que pensar. Impossível passar em branco, sem um mínimo de sensibilização. Apesar de toda a tragédia mostrada, o filme não é piegas nem se arrasta nas cenas mais pesadas, como se quisesse judiar com a platéia. Pelo contrário, exibe a estratégia de sobrevivência de Precious que sonha em fazer sucesso no showbizz, ter um marido branco e bonito e viver bem longe do pesadelo em que se encontra,24 horas por dia.

O filme é baseado no livro Push de Ramona Lofton, ou Sapphire como prefere ser conhecida, que foi escrito em 1980, mas só atingiu o público com uma campanha publicitária realizada em 1996, levando 13 anos chegar às telas, pelas mãos do diretor e produtor Lee Daniels. Ele prova, mais uma vez, que pequenos orçamentos (apenas US$ 10 milhões) podem resultar em filmes infinitamente melhores do que algumas bilheterias milionárias.

Não tenho conhecimento se esse filme passou aqui em Fortaleza, ou se está programado para tal. Mas sei que está disponível para downloads, aqui na Net. Sei também que é imperdível.

quarta-feira, janeiro 20

Rumo Norte em estado puro.



Fugídia. Acho que este é o melhor adjetivo para definir a minha amiga Natércia Rocha. Nunca fica parada, sempre se mexendo, sem deixar pistas de onde anda. De repente, o telefone toca e ela comunica aonde fixou (temporariamente) o endereço. Tem uma profunda preocupação em não incomodar ninguém nem a nada. Leve, fina, de texto sempre amigo.

Agora está entrando para a eternidade, com o seu livro, que será lançado amanhã, Rumo Norte.
A capa já dá indícios da personalidade. A sua simplicidade e modéstia não permitiram a caixa alta no início dos nomes próprios. São poesias e fotos que ela destacou de sua vasta e inédita obra. Todas com teor intimista, abrindo o coração e demonstrando que está atenta às mínimas belezas em seu entorno. Poemas finos.

Para estimular a leitura, aqui destaco Quarto Escuro e Colorido (pag. 60)

Tramo palavras em fios invisíveis
Para tecer caminhos
Na longa estrada de rota escura.
Sigo urdindo sem sentido
E ouço alguém que sorri ao longe
Enquanto tinjo cores que vibram sem luz.
Ensaio rabiscos de estrelas cadentes,
E remendo pequenos espaços em mim:
Retalhados pontos de lembrança
Que o tempo não desgastou

terça-feira, janeiro 19

O Merchandising continua

Avatar ganha o Globo de Ouro, que é considerado a prévia do Oscar. Meus primeiros pensamentos sobre o assunto é que o esquema de publicidade do filme de meio bilhão pagou também alguns jabás para os jurados. Não dá pra acreditar que uma história tão batida, formada de cacos de Dança com Lobos, Pocahontas, Último dos Moicanos, Matrix e outros filmes seja vista como algo genial. Se eu percebi tudo isso, que está em Los Angeles deve saber essas coisas muito melhor.

Continuo achando Bastardos Ingórios, do Tarantino, muito superior. Merecedor de todas as premiações que disputar. Não vi nada que se compare. Mas se não ganhar nenhum prêmio, também não quer dizer muita coisa para mim. Afinal, de Academia que premia Onde os Fracos Não Têm Vez e Quem Quer Ser Milionário não se pode esperar muita coisa mesmo.

terça-feira, janeiro 12

Vitoria Warazu

Há tanto tempo sem escrever, sinto-me em profundo débito com os meus bissextos leitores, e comigo mesmo, que me propus a registrar por aqui as coisas que me cercam, pensamentos que me rodeiam, ideias que chegaram até mim. Mas esses meus últimos dias tem sido bem diferentes, e por uma coincidencia dessas geradas pelo universo, foram todos absolutamente marcantes.

Primeiramente tive a oportunidade de ter contato com quatro xavantes, vindo do Mato Grosso. Todo e qualquer preconceito que pudesse ter em torno dessa ou de qualquer outra etnia nativa se dissipou. Aprendi muito com eles, coisas que nem tenho tanta vontade de expor porque é preciso vivenciar para compreender. Acreditem, são pessoas maravilhosas que têm um grande senso de identidade e de respeito. Acho que todos nós temos muito a aprender e reaprender com esses índios.

Eu me envolvi com a assessoria de imprensa da oficina de audiovisual que os xavantes vieram ministrar aos Tapebas, em Caucaia. Quem quiser saber um pouco mais, pode procurar no Overmundo (www.overmundo.com.br). O assunto foi manchete do site por alguns dias.

Também quero registrar o achado que foi toda a equipe de trabalho. Pessoas maravilhosas, especiais, que espero o começo de uma amizade longa. Valetino, Valdo, Pedro, Kalu, Lídia, Ravena, Lídia, Camila. Quero ser amigo de vocês para sempre. A Simone, velha amiga de longas datas, minha orientadora de especialização, também foi muito bom voltar a ter você de volta no cotidiano. Apaixonantes pessoas as suas filhas Úrsula e Marina. É isso, a vida segue, e o 2010 parece avançar com imaginação, oportunidade e esperança.