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sexta-feira, fevereiro 24

O Artista


Interessante a ideia de que estão fazendo deste filme. A originalidade de voltar ao passado de forma tão contundente. Algo como a paradona da Mangueira. Original por não fazer exatamente nada de novo, só devolver o silêncio pré-existente ao publico. Rodado em preto e branco e em dimensões 6x9, afrontando o formato wide screen popularizado até pelas televisões de lcd, led, plasma e outros tecnologias de ponta, O Artista ousa, fazendo o mais retrôs dos filmes da atualidade. E por isso mesmo consegue ser indicado ao Oscar, que será entregue no próximo domingo.

A história é simples e angustiante. Um ator de muito sucesso do cinema mudo se vê numa encruzilhada ao surgir o cinema falado. De espírito conservador, não vê a novidade da época como uma promessa revolucionária, e recusa-se a aderir a nova era do cinema. Aposta tudo na sua imagem que fazia muito sucesso nas telas e dá as costas ao estudio quando este ingressa nas produções sonorizadas.

Após rejeitar a ideia de atuar em um filme falado, no início dos anos 30, George Valentin investe em sua própria produção muda. O fracasso é retumbante, o que lhe leva à falência. De ator famoso, super vaidoso, passa a ostracismo rapidamente, o que o obriga a vender todos os seus bens. O seu motorista e secretário pessoal está há um ano sem receber salário. O casamento, que não era esses balaios todos, se desmonta totalmente e só resta a ele a bebedeira. Interessante ver uma cena em que ele sai de uma sala de projeção vazia onde é exibido o seu filme e o cartaz que emoldura a cena é "lonely man", ou alguma coisa assim...

Mas nem tudo está perdido na vida Valentin. Uma atriz que ele ajudou no início da carreira e passou sem dificuldades para o cinema falado quer ajudá-lo. Mas ele não está muito para aceitar o auxílio, porque no início da sua crise existencial ouviu dela palavras que o incomodaram muito.

Confesso que não foi uma coisa muito confortável assistir ao filme. A gente fica esperando a todo momento que a sonorização entre e nos devolva o conforto dos diálogos, sem a necessidade de subtitles. Mas não chega de ser interessante, embora não tenha nem de longe a lucidez e a graça de um Charlie Chaplin mudo. Também não sei se a mesma história se sustentaria de houvesse falas em O Artista. Tudo fica no exercício da imaginação. Mas, sinceramente, não podemos chamar esse filme de indispensável. Acho que em pouco tempo será esquecido, uma curiosidade que será lembrado somente pelos cinéfilos mais voltados a curiosidades do que a qualidade das produções.




Elenco: Jean Dujardin, Bérénice Bejo, John Goodman, James Cromwell, Penelope Ann Miller, Missi Pyle, Beth Grant, Ed Lauter, Joel Murray, Bitsie Tulloch.

Direção: Michel Hazanavicius
Gênero: Romance, Comédia, Drama
Duração: 100 min.

quarta-feira, fevereiro 15

Drive


Se a gente assistir sem se preocupar em saber alguma coisa previamente, nem acompanhar os créditos, vai ficar pensando que acabou de assistir um filme de Tarantino, ou do Fincher. Ele tem uma pegada que não é muito comum na maioria dos thrillers de ação hollywoodianos, e talvez esteja aí a sua maior virtude. Meritos para o dinamarquês Nicolas Winding Refn, que levou o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes.

O roteiro coloca como pratagonista um mecânico de carros, que nas horas vagas é doublê em Hollywood e sonha em ser piloto de corrida, que não tem nome, e e chamado durante a trama apenas por kid (menino) por alguns dos outros personagens. Ele nos é apresentado como motorista de assaltos na cenas iniciais. Trabalha com eficiência, do tipo que impõe uma série de normas aos seus contratantes.

Nada se sabe de sua vida. Nem há nenhuma preocupação em construção de um tipo psicológico. Ele apenas é do jeito que é. Um cara de poucas palavras, que se dedica a suas atividades, mas ao mesmo tempo é capaz de transmitir uma ternura a sua vizinha e o filho dela. Ela é simpática aos seus acenos de gentileza. Garçonete em uma lanchonete, cria o filho só, enquanto o pai dele cumpre pena em algum presídio.

A história segue sem fazer juizos de valor. Não há os bons. Todos têm suas culpas a esconder, inclusive a garçonete, que se envolve emocionamente com o driver. E esconde o caso do seu relacionamento conjugal, quando este deixa a prisão. A questão dramática passa a ser se kid vai ou não ficar com a garçonete e seu filho.

A trama toma rumo de filme de ação quando quando o marido da vizinha é solto e ameçado violentamente por ex-companheiros de trapaças para regressar ao crime. Uma antiga dívida tem de ser paga com fruto de roubo. O kid se propõe a ajudar, para evitar que a sua vizinha e o filho dela sejam vítimas dos chefões da bandidagem.

A coisa vai ficando mais uma vez enrolada, porque não se trata de um crime comum. É um roubo a outro mafioso que é realizado, e o protagonista se percebe em um olho de furacão. Como uma casca de cebola, os fatos vão sendo apresentados como uma crise cada vez maior, onde a vida de ninguém está a salvo. Ameaças surgem de todos os lados. O clime fica cada vez mais tenso, até a cena final.

Vale destacar ainda a trilha sonora de Drive. Fantástica. É como se a história estivesse sendo contada pela música e tivesse uma trilha visual, de tão intensa e pertinente, ao mesmo tempo que não é reduntante, não se propõe apenas a criar um clima. Pelo que li na net, deve tá estreando no cinema após o carnaval. Pode assistir, se gostar de filme de suspense.

O filme tem alguma coisa de Selvagem da Motocicleta, do Coppola, que assisti faz tempo. Quem tiver visto, vai entender a referência que eu falo. Valeu a dica, mais uma vez, Anna!

Título original: Drive
Lançamento: 2011
País: EUA
Direção: Nicolas Winding Refn
Atores: Ryan Gosling, Carey Mulligan, Bryan Cranston, Albert Brooks.
Duração: 100 min