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quarta-feira, outubro 29

Inimigo íntimo

O perigo sempre pode estar mais perto do que se possa imaginar. Fácil deduzir ao ler a entrevista da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, autora do livro "Mentes Perigosas: O Psicopata Mora ao Lado".

Veja o que ela diz em um trecho da entrevista à revista Época:

"Não é fácil detectá-los quando temos alguma ligação afetiva com eles. Mas há algumas características básicas entre eles: falam muito de si mesmos, mentem e não se constrangem quando descobertos, têm postura arrogante e intimidadora. Costumam contar histórias tristes, em que são heróis e generosos. Manipulam as pessoas por meio de elogios desmedidos. Se tiver de desconfiar de alguém, desconfie dos bajuladores excessivos. Eles não sentem compaixão, pena ou remorso. Mas sabem cognitivamente o que é ter esses sentimentos. Daí representarem tão bem- e às vezes exageradamente- a vítima.

domingo, outubro 26

Infiltrado


O que o Bebeto está fazendo na campanha naufragada da Marta Telma Eu Não Sou Gay Suplicy?
Por favor, quem souber, avise-me.

sábado, outubro 25

Dançando no Escuro

Tem coisa que a gente ver e que parece que não tem nada a ver com a gente. E às vezes nem tem mesmo. Mas outras vezes, não é bem assim.  Hoje vi uma notícia da TV, dando conta da impossibilidade, deliberada, de cegos prestarem concurso para juíz no Maranhão. A notícia era apresentada como um preconceito do Tribunal de Justiça contra os portadores de deficiência visual ( para ficar no politicamente correto e (principalmente) não repetir o mesmo termo no mesmo parágrafo, como recomenda as normas do bem escrever, já que estou me lixando para este PC). 

Mas será que se trata mesmo de preconceito? Nas normas do concurso era deixado claro que as provas não poderiam ser apresentadas em braille ou ter o tamanho das letras ampliadas. O presidente do Tribunal não gravou declarações, mas distribuiu nota afirmando que um juiz precisa de o máximo de acuidade visual para decidir sobre as suas sentenças e demais atos. Mas será que precisa mesmo?

Essas perguntas não foram respondidas pela matéria. Jogou o fato com preconceito e estamos conversados, vocês que se virem se tiver outra história para contar. Eu, que me lembre, nunca ouvi falar de juiz cego. Se o profissional tivesse prestando concurso para outra profissão como motorista, piloto de avião, policial, carteiro certamente que ninguém iria pedir uma prova em braille. Sería isso discriminação?

E o que eu tenho a ver com isso? Se a moda pega, daqui a pouco vai se abrir mão da qualidade dos serviços em favor do politicamente correto.  Quero ver seleção de volei escalando anão em atenção a uma liminar concedida pelo Judiciário. Afinal, todos somos iguais perante a lei. Ou não?

sexta-feira, outubro 24

Perpetuação das tragédias

Não esperava que fosse acontecer tão rápido. Mas não. O lapso de tempo foi menos de 5 dias. Na última quarta mais um caso de rejeição amorosa foi resolvido a bala e com a morte de uma jovem adolescente. Desta vez, a vítima, Monique Não foi mantida em cativeiro. O pistoleiro resolveu acabar tudo imediatamente e com um tiro a queima-roupa na cabeça da menina de 15 anos, extravasou a sua frustração.

As notícias continuam a percorrer o mundo, estimulando novas delinqüências, impulsionadas, é claro, por uma excessiva dose de impunidade que grassam os nossos tribunais. A imprensa toda continua fazendo o papel de não deixar a peteca cair, produzindo à exaustão todo tipo desdobramento que uma tragédia em escala mundial pode trazer. Alguém pode imaginar algo diferente do que novos casos semelhantes se repetindo? Isso não tem nada de profético. Estranho seria algo diferente do que o que temos. 

sábado, outubro 18

Dias de outubro

Chega ao fim o seqüestro de Eloá , em Santo André. Durante toda a semana, os meios de comunicação tiveram farto material para expor em suas páginas, seus horários, seus jornais. A novela, como todas, termina na sexta e no sábado repercute-se o desfecho do caso. A menina em coma profundo, a amiga baleada e o facínora preso. É claro que o politicamente correto não me permite de chamá-lo de marginal. Todos irão tratá-lo como acusado, vítima das circunstâncias, do tipo “isso poderia acontecer com qualquer um”. Reduzem-no a condição de doente. E como tal, precisa de tratamento e não de cadeia.

Tem muita coisa podre no reino da Dinamarca. Não consigo afastar do campo das possibilidades que o seqüestrador Lindenbergue fez o que fez mobilizado pela oportunidade de se transformar em estrela dos noticiários. Claro que isso é só uma hipótese, mas a considero a mais plausível. Os holofotes, em um mundo de anônimos, são para poucas estrelas. Para conseguir as suas atenções é necessário fazer algo surpreendente, capaz de ser vendido como notícia.

E como notícia vai criando no imaginário das pessoas com vocações criminosas novos desejos. Não se admirem se em pouco tempo um novo caso eclodir em alguma cidadezinha supostamente pacata. Se crimes assim causam tanto fascínio em pessoas tidas como normais, ao ponto de prender a atenção de todos horas e dias a fio, imagine os seus efeitos em quem já é psicopata. E ninguém se acha responsável pelos desdobramentos que informações desses crimes, transmitidas a exaustão, causam em nossa sociedade. Com a globalização do mundo, o alcance é quase infinito. Torçamos então pela monotonia de nossas rotina, sem nenhum despertar sobressaltado.

quarta-feira, outubro 15

Leite de pedra

A paisagem é o principal personagem. Histórias colhidas, retratadas contadas nas madrugadas dentro dos terminais de ônibus urbanos preenchem as páginas da revista-opúsculo do grupo trema formado por jornalistas e foto-jornalistas (?) (de dúvida e não de suspeita da qualidade). Traz para o leitor o recorte de uma cidade que passa amassada, enclausurada, espremida pelas janelas da classe média bem-favorecida , mas que estão ao largo dos pensamentos consumistas último-modelo dos endinheirados. 

Quem depende de transportes coletivos ao longo da madrugada certamente irá se identificar com tantas histórias colhidas. Mas quem não é obrigado a cruzar roletas ao se deslocar pela cidade, certamente irá achar o cenário um tanto quanto incompreensível, distante, exótico.  Não sei quais exatamente  são as intenções dos autores, nem percebi qualquer preconceito ou ar de superioredade, tão próprios de quem aborda um mundo estranho ao seu berço.

O projeto gráfico deve combinar com a proposta. Em tons de cinza, volta e meia incomoda o leitor ampliando ou encolhendo o tamanho das colunas e com ilustrações em grissé cruzando por cima das palavras. Um previsível ruído, talvez uma alegoria aos imprevistos que a vida em terminais rodoviários podem causar em quem tem a madrugada cronometrada.  Há também frases inacabadas, títulos em meio a textos e até colunas na diagonal, criando um intencional desconforto. Um proposta nova, sem ser boçal, sem modernismos gratuitos ou incongruentes. Vale a pena esperar por um novo projeto do Trema e presenciar o qual longe ele ainda pode ir.
     

Chegou a mim,  pelas mãos da Anna (http://jotelog.de/jornalintimo

segunda-feira, outubro 13

Continua o mesmo

Nisso, o Partido Comunista do Brasil é craque. Muda de opinião a qualquer momento, em busca de uma melhor posição no mercado político. Agora, aderiu ao candidato Eduardo Paes, que disputa a prefeitura do Rio de Janeiro.  Só que em data bem recente publicou em seu site uma matéria mostrando o lado negro desse candidato.  É só clicar em http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=42495 para conferir.

Aqui em Fortaleza, já aconteceu o mesmo, na eleição de 2002. Determinados comunistas de carteirinha, ao verem seu candidato ser derrotado pela Luizianne, publicaram artigos em jornais, desqualificando a petista. Este ano, tiveram se engolir orientações da direção nacional "comunista" e abraçar, como a um filho, a campanha do PT.  

sábado, outubro 11

Polícia para quem precisa de polícia



A Polícia Federal resolve agir e prende dez dos principais comandantes do jogo do bicho em Fortaleza. Não pela contravenção que praticam décadas a fio, mas por sonegação de impostos. Como se a ilegalidade devesse respeitar o fisco. Precisou a intervenção da PF porque as forças policiais estaduais jamais incomodariam os bicheiros locais.

Claro que não. Há um acordo de cavalheiros entre as partes. A proximidade é tão evidente que o superintendente da polícia civil é o dono da empresa de segurança que presta serviços aos contraventores.

E a coisa não pára aí. É muito sabido que não há campanha política nessa cidade sem a contribuição dos bicheiros.

Candidatos de A a Z sempre visitam certo endereço no centro da cidade em busca de um troco, ou mais que isso, independente das ideologias. Mas aqui pelo menos não se sabe ou nunca se ouviu falar de que o jogo do bicho estaria ligado ao narcotráfico, ou contrabando de armas, ou financiando quadrilhas de assaltantes. Por enquanto nada nesse sentido nos foi revelado, sussurrado ou suspeitado.


Apesar disso, é também estranho a falta de apetite das polícias civil e militar local em apreender drogas. Dizem as más línguas que há sim muitas apreensões, só que toda a maconha, cocaína, crack e outras cositas más tomadas em ações são novamente distribuídas entre os traficas amigos. Para as encenações sobram alguns pobres aviões com alguns mínimos papelotes ou dólares.

O poder real passa longe das instituições democráticas e a lei é usada somente para alguns casos onde não há influência de poder econômico, político ou social. Somente a mesma PF que exibe a captura de quilos e mais quilos de drogas, a cada semana... parece estranho para quem não conhece os meandros do submundo policial local.

É desconfortável também saber que todos nós estamos entregues a um judiciário que existe só para satisfazer as suas próprias vontades, deixando eu, você, a sociedade totalmente desamparada quando busca os seus direitos. A não ser que você seja também uma pessoa de posses ou poder. Cenário triste este do Rio de Janeiro. O policial Marcos Pereira do Carmo assassina o estudante desarmado Daniel Duque, de 18 anos, e o promotor, que deveria instruir a acusação, pede a absolvição do réu.

Marcos estava, na porta da boate, em Ipanema, fazendo a segurança de Pedro Velasco do filho da promotora de justiça Márcia Velasco. Será que essa proximidade entre o policial e o Ministério Público teria influenciado o trabalho do promotor? Ou melhor, alguém duvida disso? O maquiavélico é que o julgamento aconteceu em tempo recorde e ainda dizem que isso foi graças à modernização do judiciário. O PM foi denunciado em final de julho e início de outubro já é absolvido. Quanta celeridade em livrar a cara do assassino! Aos pais Daniel só resta o consolo em se unir a tantos outros que clamam por alguma reparação por tanta injustiça praticada mundo a fora. Do jeito que as coisas caminham, não vejo como ser evitado o retorno à barbárie, com cada um querendo fazer justiça com as próprias mãos.

Este meu pensamento é reforçado quando presencio um candidato a presidência dos Estados Unidos prometer aos seus eleitores que irá matar Bin Laden. Não é capturar e entregar para algum tribunal internacional que faltamente o condenará a uma pena capital. A promessa é a eliminação sumária do líder da Al Qaeda, que seria o responsável pelos ataques contra a nação imperialista.

Quem tem o poder das armas pode tudo, sem problemas. A nação que detém esse poder não está preocupada em ser ética, humanista, honrada ou qualquer outro adjetivo que exprima alguma nobreza de caráter. Só se quer manter o resto do mundo sob o seu jugo, mercados abertos e livres para acumular cada vez mais riquezas, dirigentes políticos ao seu serviço, a eliminação de qualquer tipo de oposição. A única coisa que poderia parecer estranho é que ouvi a proposta
de matar Laden vinda da boca de um candidato negro, minoria étnica tradicionalmente subjugada em todos os quatro cantos do planeta. A perspectiva de poder esquece as raízes étnicas e eleva a maldade humana a fatores exponenciais.

Hitlers não surgem do nada.

sábado, outubro 4

Andando em círculos

Na madrugada de hoje, assisti mais uma vez Apocalypse Now, do Coppola (Poderoso Chefão, Selvagem da Motocicleta...). Quer dizer, vi um pedaço. Não sei por que cargas d’água só vi este filme completo uma vez. Desta vez foi pelo adiantado da hora. Já estava muito tarde e o sono me pegou. Talvez porque a estupidez humana levada ao extremo não me cause tanta atração, atualmente. Genial o filme. A condenação da guerra do Vietnã é tão severa que seria o caso de nenhum país nunca mais se envolver em conflito bélico a partir desta exposição nas telas de cinema, DVD etc. Ledo engano. Hoje, o que se faz e o que se fez no Afeganistão e Iraque ofusca qualquer movimento pela paz, quer em obras de arte, quer em engajamentos populares.

Pessoas parecem sempre estar em conflito. Não necessariamente bélicos, mas apontando diferenças, querendo se parecer mais igual que os outros. Essas ações se agudizam quando relacionamentos chegam ao fim. Conheço casos de mulheres que foram deixadas pelos homens que passaram a detratá-los, como se fossem o pior elemento respirante do planeta. Estranho é que a opinião muda rapidamente ao mínimo aceno de uma reconciliação.

Conheço também mulher que deixou mulher e passou e a abandonada passou a chamá–la por alguns adjetivos nada lisonjeiros. A outra soube dessas “observações” bradadas aos quatro ventos pela ex-companheira, mesmo assim voltou ao velho caso. Quem tem razão nessas histórias? Talvez as duas estivessem certas. Talvez a capacidade de se perdoar seja ampliada quando os básicos instintos estão em jogo. Há tantos e tantos casos acontecendo assim, que certamente todos tem alguém próximo que já passou ou está passando por isso. Mas eu, sinceramente, acho muito feio quem só ver os defeitos do outro quando não o tem mais em sua companhia. O outro e seus defeitos.

quinta-feira, outubro 2

Quando menos se espera...

"Uma mulher só amadurece depois que um cafajeste passa por sua vida".

Achei essa frase, do filme Instinto Secreto (Kevin Costner, Demi Moore), genial.