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sábado, maio 28

É por isso que não leio jornal

Na última quinta feira, o Diário do Nordeste soltou essa pérola:

CE reduz analfabetismo em 25,8 pontos percentuais


Dados do Programa de Alfabetização na Idade Certa apontam que, em 2007, 33% dos alunos não sabiam ler e escrever

Cada vez mais alunos estão sabendo ler e escrever no Ceará. Se em 2007, 32,8% dos estudantes da rede pública que concluíram o 2º ano do ensino fundamental eram analfabetos, em 2010, o índice reduziu para 7% (25,8 pontos percentuais).


aaaaaã?

sábado, maio 14

Besouro Verde


Assisti, já faz uns dias, a esse filme e fiquei até com vergonha de comentar alguma coisa, de tão ruim que é . Impressiona como se gasta tanto dinheiro, mais de US$ 80 milhões, para se rodar algo tão ruim. A única coisa boa foi que lembrei de um grupo aqui de Fortaleza que coleciona antigas séries de TV, Besouro Verde entre eles. Essa turma, com certeza deve ter assistido e ter ficado com vontade de trucidar diretor, roteiristas e produtores dessa perda de tempo.

The Green Hornet (título original) conta a história de Britt Reid, um rebelde sem causa, que herdou o jornal Sentinela Diário e uma fortuna de seu pai. Ele é cheio de conflitos existenciais e responsabiliza a criação que teve. Resumindo, um perfeito idiota, que se resume a vida a pegar mulheres rapidamente e descartá-las na mesma velocidade.

A questão dramática do filme é tão somente resolver a crise entre o protagonista e o seu falecido pai, que chega a ter a cabeça de sua estátua decepada em vingança de seu filho. Nunca vi coisa mais imbecil. E o mais grave é que ao final do filme, quando Britt faz as pazes com o seu passado e o seu genitor, a superação resume-se a soldar a cabeça da estátua de volta. Ele continua tão idiota quanto no começo da história.

Para não dizer que o filme todo é perda de tempo (e é), temos algumas cenas de luta filmadas a le desenho animado Cavalheiros do Zodíaco, protagonizadas por Kato, o sino-auxiliar do Besouro Verde, que são plasticamente bonitas. Para quem não viu desenho trata-se da junção de slow motion com velocidade normal, no mesmo enquadramento, dando a noção de mega velocidade dos golpes de luta marcial. E só.

Não vou mais me estender, porque, sinceramente, não vale a pena falar muita coisa. Só me fez reforçar a ideia que não há história que preste onde protagonista não é capaz de despertar nenhuma empatia, para o bem ou para o mal. Não tem Cameron Diaz e Cristoph Waltz (ganhador do Oscar de melhor ator coadjuvante de 2010) que salve.

sexta-feira, maio 13

É por isso que não leio jornal




Da coluna de Política do jornal O Povo de hoje:


"Dependendo da região, tais “pequenas propriedades” podem ter até 400 hectares – ou quatro mil quilômetros quadrados."


Confundir 400 hectares com 4 mil km quadrados é o mesmo que dizer que o espaço de um elevador é do tamanho de um campo de futebol. Um pouco meio muito o erro. Algo em torno de 200 mil por cento.


Coluna Política, edição de 13 de maio de 2011

domingo, maio 8

Não estou só


Há alguns dias postei aqui uma impressões sobre a tentativa de se legislar contra o uso de palavras advindas de outros idiomas. E hoje me deparei com um artigo do meu mestre linguista Sírio Possenti, sobre o mesmo assunto. Como reproduzo aqui abaixo, não estou só. Amém.

Quinta, 5 de maio de 2011, 08h00

É mais uma lei

Sírio Possenti
De Campinas (SP)

Mais uma lei contra estrangeirismo foi votada no Brasil (no RS). Na verdade, como fez questão de dizer seu autor, não se trata exatamente de proibição. Permite que se empreguem palavras estrangeiras, desde que sejam traduzidas. Talvez venhamos a ver "coffee-break (intervalo para o café)", "netbanking (serviços bancários pela internet)", "drinks (bebidas)". Quero ver nos edifícios chamados TOWER acrescentarem TORRE ao lado ou embaixo... E as traduções propostas serão aceitas por todos? Talvez isso gere outro problema. Ou uma profissão - sejamos otimistas... Deixemos esse tema para outra ocasião. Não se exigirá uniformidade, espero. Mas corre-se o risco de uma lei da tradução, ou de um dicionário de autoria do legislativo.

O argumento é que os cidadãos têm direito à informação. E o que fazer com as bulas de remédio, os contratos de aluguel e os votos no Supremo? O deputado Carrion foi um pouco primário em sua entrevista, além do mais. Ele acha, pelo que se leu no Terra, que "blecaute" pode, o problema é "blackout" ("Muitas vezes, a língua absorveu aquela palavra, ela está dicionarizada, mas com uma determinada grafia, como em blecaute. Para que vai usar blackout?"). Assim, parece que tudo é uma questão de tempo. Se é, por que uma lei? E quem sabe o que é blecaute?

Vou repetir observações breves sobre o tema, as mesmas que apresentei por ocasião do projeto do deputado Aldo Rebelo:

(a) por que uma lei para proibir estrangeirismos e não outras tantas para proibir produtos estrangeiros? Afinal, as palavras seguem "as coisas" - os produtos, a cultura. Por que podemos usar jeans, ouvir rock, ver Hollywood, comer McDonals e não podemos dizer "delivery"? O contato cultural sempre produz alguma invasão. Cultural e lingüística. Quanto maior a assimetria econômica e cultural, maior a "invasão".

Não pense o distraído leitor que estou defendendo tais leis. O objetivo é argumentar que não há razão para leis que controlem as palavras.

(b) As pessoas que usam palavras estrangeiras são ridículas? Pode ser. Mas a humanidade é ridícula - o deputado incluído. E eu não me excluo do time. Quem madrugou para ver o casamento de William e Kate é ridículo, quem está usando imitação do anel da Kate é ridículo, quem vota para escolher vencedores e vencidos no Big Brother é ridículo, quem segue Lady Gaga é ridículo, quem vê TV Xuxa é ridículo etc. Vamos mudar isso com leis? Ora!

(c) O estrangeirismo mostra que "nossa" língua é forte: todas as palavras estrangeiras são adaptadas à fonologia e à morfologia da língua receptora. Exemplo: todos os verbos vindos do inglês são da primeira conjugação e são regulares. E como você acha que pronunciamos "marketing", "download" e "e-mail"? Mais ou menos como pronunciamos "beque" (de "back")... Pode haver um problema político em jogo, mais um entre tantos outros. Mas, do ponto de vista da língua, só há ganhos: ela se enriquece, cresce, incorpora novos termos (não fica com todos, pois descarta muitos), define melhor certos sentidos. Ou você acha que "entrega" é a mesma coisa que "delivery", que "salvar" é igual a "gravar". Quem "salva" corações flechados em cascas de árvore durante os piqueniques (olha uma delas aí!)?

(d) Eu me pergunto se as outras leis (de caráter econômico, ambiental, criminal etc.) também são elaboradas pelos legisladores com base em conhecimentos tão toscos. Torço para que eles só errem quando se trata de língua. Afinal, é um tema que todo mundo acha que conhece - e que, parece que pega mal estudar...

Acrescento: se é para manter a língua "pura", em qual estágio diríamos que não estava contaminada? Antes ou depois do domínio dos árabes na península ibérica? Antes ou depois da incorporação de palavras indígenas ou africanas?

O que faremos com o sutiã, o abajur, o futebol e o basquete?

quarta-feira, maio 4

O Ritual


Desde O Exorcista, filme baseado no livro do mesmo nome de William Peter Blatty e roteirizado pelo próprio autor. nenhum outro filme que tratasse no mesmo gênero despertou uma maior atenção do público. Talvez pela baixa qualidade das produções que se seguiram, ou pela previsibilidade do tema, que na década de 70 surgiu com um certo ar de ineditismo. E, para os costumes da época meio que escandalizou a opinião pública, notadamente porque em uma de suas cenas sugeriu a masturbação de uma adolescente de 12 anos, totalmente transfigurada pela possessão, com um crucifixo. Duas heresias em uma mesma cena, que deve ter sido a mais comentada nas rodinhas de cinéfilos.

Quase 40 anos depois, 38, para ser mais exato, é lançado O Ritual que também aborda posessão e exorcismo. Para quem já está acostumado a diariamente assistir pastores evangélicos promovendo seus cirquinhos particulares de horrores, botando para correr trancas ruas e exus inadvertidos e estimulando a fé pelo medo, de há muito o capeta não mete medo em quase niguém. Esse filme tem a árdua tarefa de reabilitar o exorcismo cinematográfico. E para tanto traz o sempre brilhante ator Athony Hopkins como o padre exorcista Lucas, um dos últimos dessa especialidade, que tem como tarefa devolver a fé e ao mesmo tempo treinar o noviço Michael Novak, vivido por Colin O'Donnoghue.

Michael está se preparando para ser padre, nos Estados Unidos, quando tem um acesso de falta de fé, dentro do seminário. Pede baixa da ordem, mas o seu superior pede para que ele faça uma última tentativa em busca de sua espiritualidade perdida. O esforço será fazer um curso de exorcismo em Roma. Ele aceita meio a contragosto, cedendo a uma chantagem. Se deixasse o seminário teria de reembolsar o investimento na sua educação feito pela ordem.

Em Roma, conhece a jornalista vivida por Alice Braga, por quem sente uma certa atração, que será cobrada pelo coisa-ruim, e o padre Lucas, seu mentor. Só que o exorcismo que presencia lhe soa pouco convincente. Ele, inclusive, sugere que o padre indique outro profissional para a vítima da posessão, uma jovem grávida pelo próprio pai, uma vez que ele identifica sinais claros de distúrbios psicológicos na adolescente.

O padre Lucas, com anos e anos de prática, milhares de exorcismos realizados, obviamente que não aceita a sugestão, e atribui o não reconhecimento da possessão à ausência de fé do noviço. Esse antagonismo entre professor e aluno amarra a trama e dar um ar de veracidade. E provas vão surgindo de lado a lado, até que Michael rende-se a pressão de ver o seu próprio mentor também possuído.

Eu calculo que esse filme tem também o objetivo de simbolicamente resgatar a fé dos adeptos do catolicismo, demonstrando que os seus próprios pastores são também passíveis de tentações, como tão bem foi mostrado pela imprensa mundial, em diversos e diversos casos de pedofilia. O demônio fixou residencia intramuros dos herdeiros de São Pedro. O filme vale para quem gosta do gênero.

PS . Perguntaram-me se o Bin Laden Morreu mesmo, ou não. Respondi que isso não faz nenhuma diferença porque mesmo se ele estiver vivo, jamais vai conseguir provar, dada a vontade irregreável da mídia mundial em querer referendar a versão do Grande Irmão Obama.

The Rite
EUA , 2011 - 114 min.
Suspense

Direção:
Mikael Håfström

Roteiro:
Michael Petroni

Elenco:
Anthony Hopkins, Colin O'Donoghue, Alice Braga, Ciarán Hinds, Toby Jones, Rutger Hauer, Marta Gastini, Maria Grazia Cucinotta, Arianna Veronesi, Andrea Calligari