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sábado, janeiro 31

Riscos & medos

Às vezes os pensamentos vêm em onda, às vezes não. É preciso buscar com mais técnica e denodo, aprimorá-lo, antes de expô-lo. Às vezes me arrisco em viagens poéticas, quando sai pelos poros.  

 

Vaso grego.

 

Não importa o quão poética seja a palavra, a frase

Ou a busca percuciente da prosa perfeitamente elaborada.

Não importa os erros e deslizes cometidos

Ou o ato desastrado do período mal escolhido.

Interessa-me saber da índole de suas motivações

O que lhe move, o seu sentido. 

sexta-feira, janeiro 30

Visão transoceânica


Tem gente que não acredita em sincronicidade. Joga todas as coincidências à responsabilidade do acaso. Pode ser e pode não ser. Mas vejam que coincidência:  
Estamos cursando na especialização uma cadeira de direito.  Uma das colegas, em papo descontraído, revelou seu desejo de fazer um strip tease para o namorado.  Disse que se encantou com a dança que foi apresentada por uma determinada jogadora do BBB9 e que tinha muita vontade de também aprender para deleitar o homem de sua vida.  

Não perdi tempo e tirei uma onda. Afinal de contas, não é todo dia que se ouve confissões de alcova de uma forma tão explícita.  

A coincidência é que ao abrir o site do Terra há uma declaração de um deputado italiano ironizando os juristas brasileiros que defendem o direito do país de não extraditar o ex-terrorista Cesare Battisti. Ettore Pirovano  afirma que o Brasil é país famoso por suas dançarinas e não pelos seus doutores da lei. Parece que ele está certo, se levarmos em consideração o que vemos a nossa volta.

quarta-feira, janeiro 28

Nem tudo é escolha


Pois é Fernanda, você prefere sorvete de chocolate. E eu gosto de todos os sorvetes, ao ponto de nunca faltar no freezer. Mas também gosto de outras coisas também. Açaí inclusive. Conheço muitos que não gostavam dessa fruta, e insistiram com o paladar até passar a gostar e hoje fazer a tijela uma parceira quase inseparável. Como tudo na vida, desistir nas primeiras tentativas pode não ser a melhor saída, porém cada um tem as suas medidas e sabe até onde vai o confortável. Não dá pra forçar barra.

Assim também é com as pessoas. Tem gente que desiste logo dos amigos. Troca com extrema facilidade. Basta mudar um hábito e pronto, a pasta dos antigos amigos é deletada e abre-se outra. Tenho um assim. Compra uma moto, e os motoqueiros passam a ser os parceiros de todas as horas. Chega perto de você só para dizer o quanto são sensacionais aqueles que escolhem motos como filosofia e religião. Compra uma prancha de surf e esquece de todos que ficam na praia. São "uns bundões" que não sabem o que é viver. Claro, impossível não saber o que é viver senão sentir a sensação de ficar em pé em cima de uma prancha de surf. Mesmo que por poucos segundos em algumas horas de tentativas.

São aqueles que quando deixam o colégio esquecem os amigos para fazer dos colegas de faculdade os parceiros ideais. Poxa, como pôde viver tanto tempo cercado de pessoas que não têm "nada a ver comigo". Mutantis mutáveis. Perenidade só mesmo o insólito sentimento de que ninguém vale mesmo a pena, o esforço para se fazer acompanhar.

Falo essas coisas porque hoje me chegou aos olhos um poema de Oscar Wilde, que parei para refletir um pouco e que agora compartilho.

Loucos e Santos

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.

Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.

Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.



terça-feira, janeiro 27

Brilhando


Hoje, às 5h30min, o sol já brilhava. A foto, tirada da varanda, é para aqueles que ou não acordam cedo ou não costumam olhar para o céu. A cada dia, o espetáculo se repete para todos, que preferem, quando muito, apreciar o por do sol, para não ter que sair cedo da cama. A explosão de prédios vem tornando difícil este deleite.

Ano novo cheio de resoluções para todos. Muita gente querendo mudar de dieta, buscar uma alimentação saudável para esticar os anos sobre o planeta. Justas medidas. Só que há muito argumento desonesto pelo meio, tentando justificar essa ou aquela aliementação.

Não há quase nada de científico. A coisa passa muito mais pelo apelo emocional do que alguma razão.
Entre o que acho saudável está comer qualquer coisa com moderação, porque elefantes e hipopótamos só comem folhas. Fazer exercícios, dormir e acordar cedo. Evitar excessos de carne vermelha, ingerir refeições sentado, com calma, e fazer do ato de comer um prazer e não uma obrigação.

segunda-feira, janeiro 26

Dias de janeiro, calor demais...


E pra melhorar a temperatura e satisfazer as papilas gustativas, nada como uma boa tijela de açaí, batido com xarope de guaraná. (Agora há poucos instantes, devidamente já agasalhada por meu estômago.)

domingo, janeiro 25

São Paulo 455 anos




A cidade vive mais uma festa, que serve para lembrar-me que eu já estive lá algumas vezes nessa celebração. Serve para também me trazer a mente que paulistano não entende muito bem a cidade em que mora. Sempre que
estava lá, alguém vinha perguntar qual o motivo da minha estada.


-Mas o que veio fazer aqui?

-Estou de férias, curtir um pouco a cidade.
-Mas São Paulo? Por que não foi para uma praia, uma serra...?

Eles, a grande maioria não entende a cidade que têm aos pés. A urbe é só um meio de sobrevivência. Um bom trabalho, um bom salário, muito estresse, um trânsito caótico sempre agravado pelas chuvas. Chega ao ridículo de ter placas na rua com os seguintes dizeres: “Risco de alagamento. Em caso de chuva retire imediatamente o veículo do local”. E alagamento paulistano não é pouca coisa.
Quem conhece, sabe do que falo. Qualquer dúvida, dirija-se às imediações do SESC Pompéia.


Mas lembro dessa data. A última vez foi no Campo de Marte. Fomos eu e o Jorge Hélio, que na época morava lá, assistir o show dos Titãs e Rita Lee. Caiu um pau d’água, mas não nos assustamos, compramos imediatamente duas capas do oportunista vendedor que circulava oferecendo o produto para os desavisados, por cinco reais. Achei que uma apresentação desses músicos valia o preço e paguei. Ficamos até o show ser interrompido pelo vendaval que começou e tirou o telão de circulação. Mas foi divertido. Volta para casa assegurada pelo metrô.


São Paulo é antes de tudo um caldeirão cultural. Teatros, shows, gastronomias, exposições, e outras formas de lazer como assistir um Palmeiras e Fluminense e torcer contra o time da casa no meio da Mancha Verde. Claro que em silêncio, por questões de preservação da espécie. Impagável também uma exposição que acompanhei na Oca do Ibirapuera sobre os 100 anos de cinema. Bienais, peças de teatros. Obras que poucos terão a oportunidade de ver em vida senão em uma megalópole.

São Paulo é também um povo maravilhoso. Pelo menos alguns paulistanos que tive a oportunidade de conhecer. Ao contrário de tantos outros. Foram paulistanos que me levaram até Mauá, natureza plena até suas últimas conseqüências. E também me conduziram até o Hopi Hari. Na época era muito legal tudo isso. Tenho saudade de tantos...

Não sei quando eu voltarei lá. Muitas pessoas que lá moravam desistiram do sonho de ficar rico, huahuahua. Uns voltaram para as suas cidades de origem, outros migraram para o exterior. Ir a Sampa, sem dúvidas, é sempre diversão garantida. Há também muita coisa que não é legal por lá. Mas aqui está ficando igual. A começar pela violência, trânsito desesperador e a invasão do pornô turismo. Mas isso já são assuntos para outros posts.

sexta-feira, janeiro 23

O que nos leva a gostar de outra pessoa?


Não falo gostar do verbo sentir atração. Mas do sentimento que nos eleva, nos faz perceber que estamos nos acompanhando de uma pessoa que realmente vale a pena. No mundo real, é coisa complicada. Os nossos amigos próximos, humanos que são, às vezes nos irritam por algumas atitudes que reprovamos, ou que queríamos diferentes.

Geralmente, é mais fácil gostar, anos a fio, de pessoas que não nos são próximas, porque só as percebemos pelo filtro da distância.
Tipo Ariano Suassuna. Adoro esse velhinho. Por tudo que fez, pelo que fala, pelo que pensa e pela forma amiga como se comporta sempre que vem a público nos ensinar alguma coisa. Já tive o prazer de estar ao seu lado algumas vezes. É uma grata felicidade, como diria alguns amigos sábios. Bem fácil gostar dele. Mas e no plano real do dia-a-dia. Como isso acontece? Como elegemos aquelas pessoas que nos dedicamos a gostar delas? E qual a nossa postura para não deixar que algum dissabor destrua a ponte que levou muito tempo e esforço para ser construída?

Certa vez uma pessoa me perguntou o que me levava a gostar dela. Fiquei pensando. Penso nisso até hoje. O que ela tem que a faz diferente de todas as pessoas e tão especial aos nossos olhos? A verdade é que não sei ao certo. Tenho procurado uma resposta a essa pergunta horas a fio. Cheguei a algumas conclusões.
A primeira é que a gente gosta de quem a gente escolhe, e escolhe a partir de um certo conjunto de afinidades. Não necessariamente procuramos no outro o que já temos, mas fica mais fácil quando a gente vê no outro o que em essência gostamos. Contudo, isso só explica uma parte do sentimento.

Todos podem ser honestos, sinceros, gentis, inteligentes, de modos refinados, apreciadores das mesmas coisas que nós gostamos e mesmo assim não despertar dentro de nós um sentimento diferenciado. Ou será que nisso eu sou muito diferente de todo mundo? Acho que não.
Depois de muito pensar sobre o assunto cheguei a uma conclusão. Se é que pode mesmo se chegar a alguma conclusão sobre o isso. Há uma esfera que é intangível.

O perceptível é importante. Porém, acredito eu, que cada pessoa possui uma determinada energia, e nós sentimos essa freqüência. Há pessoas que nos acalmam, que nos faz bem só por estar próximas de nós. Dessas pessoas nós recebemos uma emanação positiva que nos deixa mais tranqüilos, mais em paz, mais compreensível ao ponto de qualquer insatisfação nossa com relação a essas pessoas ser olhada por um binóculo ao contrário, que reduz tudo que nos incomoda a partículas insignificantes.
Essa conexão que se forma através dos laços sociais também pode ser desfeita.

E é bem mais simples de ser desmontada do que efetivá-la. Basta tão somente que um dos lados permita, de forma consciente ou não. O fluxo dessa energia sempre depende dos dois pólos. Não sei se me faço entender. Mas é assim que penso. Sei que tem muito mais coisa dentro disso, mas por enquanto, é o que está me sendo revelado.

domingo, janeiro 18

Ainda Taiba



Tem certas coisas que assumem uma plástica muito superior quando executadas por mulheres. A feminilidade traz a determinadas atividades um contorno que inspira admiração. Pelo menos a mim, isso acontece. Para ilustrar o que penso, apreciem este belo drop executado por Marina. 
 (clique na imagem para ampliá-la)

segunda-feira, janeiro 12

Sob o luar de Taiba


Tão antiga essa nossa lua cheia que me encanta a cada vez que surge no horizonte. Apesar da máquina meia boca (casio), consegui captar o prateado do mar de Taíba sob o reflexo do luar.  Bonito de se ver, ao anoitecer, sábado passado.  

sexta-feira, janeiro 9

Ela é pontiaguda e tem direção


O homem sempre está disposto a quase tudo para resgatar os seus símbolos.  Símbolos estes que são criados como forma de entender o real, mas que após um certo tempo passa a ter vontade própria e decidir os destinos de quem com eles se envolve.  Isso acontece todo dia, na vida de todo mundo. Mas assume proporções catastróficas quando em nome de determinadas posições, os porta-estandartes de uma determinada simbologia são  confrontados. 

Explico. O judaísmo é uma representação simbólica de uma cultura surgida no oriente médio em datas imemoriais. Em nome desta cultura, criou-se um estado beligerante em que um determinado grupo tenta sobrepujar outro, no oriente médio. Se a bíblia estiver correta, judeus e palestinos vêm do mesmo tronco familiar. São primos. Só que um tronco dos descendentes de Abraão resolveu abraçar o islã, enquanto o outro segue as leis mosaicas. Esquecem-se os laços de consangüinidade em nome de um cabedal religioso-cultural-moral. Membros de uma mesma etnia se matando em nome de símbolos abstratos, sem referências no mundo físico.

E tome katiusha prum lado e F-16 armados até os dentes pro outro. Não há razões para a paz. Todos os desejos se voltam para por facas entre os dentes e degustações de fígado do inimigo. Ninguém quer a paz. Essa só interessa mesmo ao mundo capitalista que se propõe a explorar o petróleo da região até a última gota. Clima de guerra atrapalha interesses comerciais. E, em meio a bombardeios, o preço dispara nas bolsas de cotação de Londres e Nova Iorque. Então tratem de parar logo com isso que o sistema quer continuar auferindo os seus lucros com a expansão do capitalismo.

domingo, janeiro 4

Diário de bordo interestelar


Já havia dito que não iria retornar a Almofala na passagem do ano, da mesma forma como tantas vezes já fiz. O destino era o Crato mas, por força das circunstâncias, desembarquei mais uma vez na praia de Itarema, que você pode fazer uma idéia através da foto. (para ampliar é só clicar sobre a imagem).

Fomos pela recém inaugurada rodovia estruturante, que vai agora até Jijoca. Antes, o final da estrada era Itapipoca. A distância foi encurtada em cerca de 40 quilômetros, com asfalto de primeira qualidade. O progresso chega, como há alguns anos trouxe também a energia elétrica. Em poucos anos saímos da lamparina para o conforto da modernidade. A casa agora tem todos os eletrodomésticos, inclusive a tão renegada televisão. Até telão dessa vez se fez presente. Em compensação as conversas e as rodas de música foram restringidas.

Na praia, ainda reina o sossego. Mas a melhoria da rodovia acentuou o número de visitantes que chegam com os seus indefectíveis 4x4 com ares de conquistadores modernos. Já há também uma pousada em Almofola, para tirar proveito do tornitruante turismo que bate a nossas portas. Não há outro horizonte a vista que não a praia ser invadida por vândalos de todos os recantos, montados em seus veículos motorizados, pondo em risco a vida de todos e tornando um lugar paradisíaco em mais um ambiente de farofais.

A cada nova estrada aberta rasgando os sertões rumo aos litorais esse nosso estado vai se assemelhando a uma sucursal do inferno.