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domingo, janeiro 25

São Paulo 455 anos




A cidade vive mais uma festa, que serve para lembrar-me que eu já estive lá algumas vezes nessa celebração. Serve para também me trazer a mente que paulistano não entende muito bem a cidade em que mora. Sempre que
estava lá, alguém vinha perguntar qual o motivo da minha estada.


-Mas o que veio fazer aqui?

-Estou de férias, curtir um pouco a cidade.
-Mas São Paulo? Por que não foi para uma praia, uma serra...?

Eles, a grande maioria não entende a cidade que têm aos pés. A urbe é só um meio de sobrevivência. Um bom trabalho, um bom salário, muito estresse, um trânsito caótico sempre agravado pelas chuvas. Chega ao ridículo de ter placas na rua com os seguintes dizeres: “Risco de alagamento. Em caso de chuva retire imediatamente o veículo do local”. E alagamento paulistano não é pouca coisa.
Quem conhece, sabe do que falo. Qualquer dúvida, dirija-se às imediações do SESC Pompéia.


Mas lembro dessa data. A última vez foi no Campo de Marte. Fomos eu e o Jorge Hélio, que na época morava lá, assistir o show dos Titãs e Rita Lee. Caiu um pau d’água, mas não nos assustamos, compramos imediatamente duas capas do oportunista vendedor que circulava oferecendo o produto para os desavisados, por cinco reais. Achei que uma apresentação desses músicos valia o preço e paguei. Ficamos até o show ser interrompido pelo vendaval que começou e tirou o telão de circulação. Mas foi divertido. Volta para casa assegurada pelo metrô.


São Paulo é antes de tudo um caldeirão cultural. Teatros, shows, gastronomias, exposições, e outras formas de lazer como assistir um Palmeiras e Fluminense e torcer contra o time da casa no meio da Mancha Verde. Claro que em silêncio, por questões de preservação da espécie. Impagável também uma exposição que acompanhei na Oca do Ibirapuera sobre os 100 anos de cinema. Bienais, peças de teatros. Obras que poucos terão a oportunidade de ver em vida senão em uma megalópole.

São Paulo é também um povo maravilhoso. Pelo menos alguns paulistanos que tive a oportunidade de conhecer. Ao contrário de tantos outros. Foram paulistanos que me levaram até Mauá, natureza plena até suas últimas conseqüências. E também me conduziram até o Hopi Hari. Na época era muito legal tudo isso. Tenho saudade de tantos...

Não sei quando eu voltarei lá. Muitas pessoas que lá moravam desistiram do sonho de ficar rico, huahuahua. Uns voltaram para as suas cidades de origem, outros migraram para o exterior. Ir a Sampa, sem dúvidas, é sempre diversão garantida. Há também muita coisa que não é legal por lá. Mas aqui está ficando igual. A começar pela violência, trânsito desesperador e a invasão do pornô turismo. Mas isso já são assuntos para outros posts.

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