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terça-feira, dezembro 29

10 coisas que mereceram ser feitas em 2009

1- Aprender. Ter feito um curso de línguas, especialização, mestrado, doutorado, treinamento. Sempre bom ter a consciência de nossa ignorância para podermos melhorar.

2- Dedicado um pouco do tempo para os pais. A gente nunca sabe por quanto tempo eles vão estar por aqui.

3- Exercício físico. Muito mais importante para o nosso condicionamento do que qualquer dieta mirabolante. E ainda com adicionais de substâncias benéficas produzidas pelo organismo e eliminação de outras.

4 - Assistido Bastardos Inglórios. Sem dúvida o melhor filme do ano, e bem superior a todos os que disputam o oscar esse ano. Tarantino se superou e extrapolou.

5- Lido a trilogia Milenium, do sueco Stieg Larsson. Na realidade, li os dois volumes finais, já que o primeiro havia lido em 2008. Cerca de 1.800 páginas para serem lidas de um só fôlego.

6- Assistir ao show de Ana Cañas, na praia de Iracema. O melhor que eu vi em muitos anos. E 0800

7- Ido ao Conjunto Ceará para se encantar com as Chicas. Também 0800.

8- Ter sido tio, mais uma vez.

9- Conversas telefônicas além mar.

10- Não ter dado importância a coisas sem importâncias.

terça-feira, dezembro 22

Nada de novo no Avatar


Avatar 3D vale os dez reais que paguei com a carteira de estudante, na promoção do Via Sul de segunda-feira. Mas não teria coragem de pagar os R$ 32,00, da entrada cheia de finais de semana. É plástico, belo, envolvente. Mas os efeitos das três dimensões não chegam a ser algo de todo arrebatador. Esperava mais.

A história, que, segundo dizem, deixou a crítica norteamericana de quatro, pareceu-me uma colcha de retalhos. É a Pocahontas novamente contada. O conquistador que se alia ao povo subjugado e com um arsenal bem inferior vence um inimigo que não domina o território onde pisa.

O coronel truculento, que comanda o exército da terra (leia dos Estados Unidos), é o antagonista clássico, que pode ser encontrado em qualquer Rambo. Nos helicópteros estilizados, lembra muito Apocalipse Now, onde o oficial ataca uma aldeia com o objetivo de conquistar uma praia boa para o surf.

As bombas incendiárias lançadas nas florestas de Pandora são uma referência explicita ao napalm que queimou o couro de muito vietcong na guerra contra o Vietnam. O metal precioso e caríssimo que mobiliza a ambição das tropas invasoras lembra o petróleo sob o solo iraquiano, real motivo da intromissão das tropas ianques no Oriente Médio.

As referências podem ainda ser encontradas em outros filmes. Avatar, um ser feito em laboratório para ser comandado remotamente pelos estímulos nervosos de seu controlador, é uma apropriação da idéia de Matrix. Do mesmo filme é extraída uma máquina de guerra, um robô gigante, pilotado por um soldado. Os helicópteros usam os mesmos tipos de hélice do filme pequenos espiões.

Se o dinheiro estiver curto, acho que assistir na versão convencional, sem os recursos da tridimensionalidade, não será grande perda.

sábado, dezembro 12

Ana Cañas com o c. na mão



O texto é dela. Ao falar com o reduzido público que foi ontem a praia assistir a um dos melhores shows que Fortaleza já viu. Ana conefessou o seu medo de subir no palco pela primeira vez aqui e, bem informal, proferiu a frase que dá título a este post.

Acho que a animação de quem estava lá, cantando a plenos pulmões suas músicas, compensou o grande vácuo na platéia. Por isso, o sorriso não saiu dos lábios dela, durante quase todo o show. Tive muita dó de quem podia e não estava lá e de quem queria e não pode ir.

A linda Ana Cañas mostrou não sou as suas belas músicas mas também toda a potencialidade de seu vozerão. Como é que tanta musicalidade cabe nela? Também interpretou Metamorfose ambulante, de Raul Seixas, Titãs, Bob Marley e encerrou com um impagável Rock and Roll do Led Zepellin. Diga-se de passagem ,interpretação melhor que a de Robert Plant.

Não teve mais um. Um show chifrim de samba ia acontecer em seguida, o que todos nós achamos um absurdo. Como é que alguém ousa fazer Ana Canãs abandonar o palco e nos deixar órfãos?. O resumo da ópera é que o cantorzinho teve as areias da praia de Iracema como platéia.

Certamente Ana não volta a Fortaleza 0800 tão cedo. Com músicas tema de novela, deve ir para alguma casa de espetáculos que cobram os olhos da cara. E sem o conforto da brisa da praia. Vocês que perderam terão de desembolsar oncinhas para tê-la como nós a tivemos. Em São Paulo, sua terra natal, um show dela custa sessentinha. Confira no link.

A foto foi tirada com um precário celular Nokia que nem sei o prefixo.

quarta-feira, dezembro 9

Uma morte anunciada

Numa madrugada de sábado, Kérsia deixa a vida para entrar para as estatísticas de crimes passionais. Onze tiros de pistola ponto quarenta foram disparados. Sete balas lhe ceifaram o direito de respirar, andar, trabalhar, sonhar e amar. Aos 29 anos, não está mais entre nós. Foi atingida covardemente. Duas vezes nas costas, uma no peito, duas nas pernas, e duas nos braços. Depois da brutalidade, para a qual não há definição conhecida, seu marido suicidou-se. A jura de amor eterno feita há pouco mais de um ano foi mesmo só um protocolo social sem nenhuma representação prática no mundo real.

Pouco eu sabia dela em vida. Colega de trabalho com quem troquei poucas palavras. Depois que se foi algumas coisas me foram ditas por amigos que lhe eram mais próximos. Tudo o que ouvi me pareceu uma crônica de uma morte anunciada. Se tudo que todos sabiam sobre ela e seu marido fosse de conhecimento público, certamente o seu largo sorriso ainda estaria sendo aberto por aí, para encantar tantos quantos lhe rodeassem.

Animada, era presença certa na noite de Fortaleza. Isso antes do casamento. Amigas contam o quanto era animada e divertida. Até que conheceu o seu algoz travestido de marido. No começo, o sargento da polícia fez todas as cortes. Envolveu-a estrategicamente até levá-la ao altar. Antes disso, fez afastar-se das amigas solteiras, que na sua lógica machista eram todas umas perdidas, portanto más influências. Ao mesmo tempo, conduziu-a para uma igreja protestante, dessas que têm em todas esquinas, onde o pastor esbraveja contra as tentações da carne e impõe às mulheres um papel de abnegada submissão.

Menina inteligente, com futuro promissor à frente, planos de mestrados e viagens ao exterior para se aperfeiçoar humana e profissionalmente. Mas rendeu-se aos apelos sociais que impõem às mulheres a realização do compromisso social e moral do casamento. Fantasma do caritó assusta. Quando as amigas em sua volta vão contraindo núpcias, a solução é se engraçar com quem estiver por perto disposto também a dividir sua vida.

Mas o plano A, onde o plano B não é alternativa, pode assumir um desenho dantesco. Para profunda infelicidade de Kérsia, os antecedentes do marido não foram levados em consideração. O sargento da Polícia já tinha passado de violência. A lei Maria da Penha estava espetada em suas costas por sua ex-mulher. Ela sabia disso. A família dela sabia disso. Amigos e amigas sabiam disso. Mesmo assim, o barco foi tocado em frente, rumo à tempestade que viria. Todos têm medo de se meter em uma história dessas. Um alerta em uma situação semelhante muitas vezes se volta a quem fez, e se ganha, muitas vezes a troco de nada, a inimizade do casal. Pai e mãe querer impedir um relacionamento com ares de desastroso não raras vezes é interpretado como uma interferência sobradamente indevida. Afinal, nenhum homem ou mulher é suficientemente bom para os meus filhos.

E a receita da tragédia vai no piloto automático. Ceninhas de ciúme vão se repetindo ao longo da história sem que ninguém interfira. A menina não pode mais olhar para os lados. Para algum homem, nem pensar. O vestuário criteriosamente controlado, porque afinal de contas uma mulher de bem não se veste como qualquer uma. Horários são vigiados. Qualquer sinal de fuga do padrão, da rotina diária é motivo para rusgas sem fim, desgastantes agressões pessoais, coisas do gênero. Homem não casa, toma posse. A propriedade não tem mais vontade senão servir para eterna satisfação do seu cônjuge. Não há mais prazer em ter a sua companhia. Só estresse e satisfação de instintos.

É nesse cenário terrível que as catástrofes se precipitam. Todos em volta sabem de alguma parte dessa história. Mas da missa não se sabe um terço. Todos têm alguma responsabilidade. Não adianta só ficar jogando a responsabilidade para uma cultura machista herdada de nossos primórdios colonizadores. Nem na condição econômica de agressor e agredida. Na Suécia, 46% das mulheres sofreram violência de homem. Ou ainda vão sofrer.

Ao que me parece, enquanto as mulheres são educadas para serem felizes no casamento, cuidando de casa, filhos e marido, os homens, não. Recebem outro tipo de educação que os empurram para a formação profissional, trabalho, competição e defesa dos seus interesses individuais. Casar-se para os homens, é dito em rodas masculinas, mais se aproxima da escravidão, a redução dos prazeres e das diversões. É uma cangalha que lhes põem nas costas e lhes cobram mil compromissos, votos de fidelidade, entre outras coisas. Ou será que estou muito fora da realidade?

Pois é. Kérsia encontrou com um destino que ninguém espera. Nem para si, nem para os outros. Que dor deve ter sentido ao ver, em seus últimos instantes, que aquele quem ela mais amou, entre todos os homens, foi o que mais lhe fez mal. A lacuna que deixa entre amigos, familiares e colegas não será preenchida. Não será a última. Muitas ainda vão tombar antes de os homens se transformarem. Não há nada que ninguém possa fazer para impedir isso. Como dói.

Para quem quer relembrar ou saber como era ela o link do seu blog http://kersiaporto.zip.net/

segunda-feira, dezembro 7

Julie & julia Project $$$


Personagens podem ser bons, maus, facínoras, heróis, vilões, protagonistas e antagonistas, geniais, idiotas, desalmados, benfeitores. Mas gente é só gente mesmo, pessoas que geram tensões dentro e fora de si. Não dá para dizer que alguém leva uma vida fútil sem conhecer toda a sua essência, quando a sua história está reduzida a pouco mais de duas horas em uma tela de cinema.

Esse é um dos motivos pelos quais não sou tão afeito a assistir filmes que procuram contar uma história real. A vida não apresenta todos os nódulos dramáticos nos momentos que gostaríamos nem é sempre verossímil. Como diria PT Anderson em Magnólia, uma série de coincidências pode gerar desconfianças no interlocutor. Apesar de elas acontecerem.

Hoje assisti Julia & Julie. Filme sobre duas mulheres americanas. E como boas americanas procuram transformar tudo o que fazem em dinheiro. A primeira, Julia Child, foi mulher de um funcionário da embaixada americana na França. Como não tinha emprego e gostava muito de comer boa comida, resolve aprender os segredos da cozinha francesa e depois transformar o seu conhecimento em cifrões. Primeiro escreve um livro sobre culinária e quando retorna aos Estados Unidos apresenta um programa gastronômico de televisão.

Meryl Streep faz o personagem que apesar de sua altura tem uma voz em falsete, que me lembra muito a minha avó. Principalmente quando rir. Tão fútil quanto. Como é do espírito americano, ao estudar na renomada escola Cordomblé logo tratou de firmar uma competição velada com os seus colegas de turma. Primeira vitória foi ser mais eficiente no corte de cebola. Passava a noite chorando ao descascar quilos e mais quilos do vegetal só para ser a mais rápida. Que bobabem…

Julie, algumas décadas depois considera a sua vida medíocre. Comparada a de suas amigas, todas bem sucedidas em suas carreiras empresariais, ela era o que os americanos gostam de chamar de loser. Ela quer sair da condição supostamente desfavorável a todo custo e monta um blog em busca da fama. Claro! Americano de sucesso é americano famoso. Para alcançar seu intento, ela narra no The Julie/Julia Project a execução de todas as receitas constantes no livro de sua quase homônima e consegue se transformar em campeão de audiência da net, atraindo a atenção da mídia e em seguida inspirando a realização do filme que agora está nas telas.

As interpretações são boas, mas a história é medíocre. Não dá pra saber ao certo o porquê de tanta celebridade de nenhuma das duas personagens. Com toda frranqueza, esse foi, para mim, mais um desses filminhos sessão da tarde. Podem passar batidos. A menos que você seja fã de carteirinha da Meryl Streep ou de filmecos que passam na globo. Eu que tenho na gastronomia um fator de especial atenção, não gostei.


PS. P blog de Julie pode ser lido em http://blogs.salon.com/0001399/
PS2. O desembarque de um carro americano na França, abrindo o filme, mostra bem o descaso que os ianques têm com todo que não é produzido em seu território ou em alguma multinacional de seu controle.

sexta-feira, dezembro 4

Abrazos Rotos


Almodovar é Almodovar. Tudo o que se falar ou se escrever em relação ao seu trabalho estará contaminado pela celebridade que o diretor conquistou. Merecidamente, diga-se. Dificil fugir disso. Abrazos Rotos, seu filme mais recente, já recebeu críticas positivas. E há também gente dizendo que não é o seu melhor momento. Mesmo um trabalho mediano para um Almodovar, com a sua assinatura, tem outro nível de qualidade.

É tipo aquele Rembrandt do museu de São Paulo. Quando uma comissão de ilustres estudiosos da pintura levantaram suspeita quanto a originalidade da obra, o olhar mudou, já que este é intrinsicamente ligado às valorações subjetivas da arte. Bons nacos de prestígio foram para o espaço.

Assim também são os Abrazos Rotos. Já que se trata de um dos melhores diretores em atividade, tendemos a gostar do que vemos. Ou a se desfazer da obra só para ser um iconoclasta. Mas pela minha modesta opinião, o filme merece ser visto. Antes se ser intelectual, é a história de uma mulher que em um momento difícil da vida resolve lançar mão de seus atributos para encontrar uma saída. E consegue, mas o preço a pagar é alto.

O filme é bem amarrado, com vários momentos de climax ao longo da história. E para mim uma história é bem contada quando temos o forte desejo de saber o que vai acontecer em seguida. Não há juízos de valores, nem lições de moral. Em uma quase metalinguagem, o filme nos diz que o mais importante é a história ser bem contada.


Achei interessante Almodovar citar a atriz Goldie Hawn, através das perucas e um dos filmes dela ( Recruta Benjamin), quando Penélope Cruz está na cama.

Recomendo, sem restrições. Sem falsos moralismos.

quarta-feira, dezembro 2

O rumo das coisas

Uma coisa realmente me impressiona. A falta de imaginação da maioria das pessoas. De repente, não mais que de repente, surgem imagens mostrando um bocado de elemento se forrando com dinheiro público lá de Brasília, e vira comoção nacional. Pessoas e mais pessoas se mostrando altamente chocadas com aquelas cenas de neguim forrando bolsos, meias, cuecas, bolsas com garoupas e onças. Será que alguém acredita que nos gabinetes palacianos transitam moralidade e espírito público?

Acho que estou ficando insensível. Cenas dessa natureza para mim nem tchuns. Não dá pra pensar que isso é exceção. É a regra, de certeza. Dados e mais dados coletados pelas mais diversas instituições dão conta que alguns bilhões de dólares vão pelo ralo da corrupção todo ano no Brasil. E, geralmente, essa malvada está sempre mais perto de nós do que suspeitam alguns. Em cada obra, cada compra, cada contrato, cada licitação é sempre um tal de “por fora”. Se não, o dono do cofre não libera as cédulas e o infeliz fica no prejuízo. É esse o meu país.