Domingo, Novembro 8

Coisas apenas

Muitas vezes, quase o tempo todo, o nosso cérebro, nossa consciência, ou qualquer outra coisa que venha a substituir uma dessas duas premissas, nos impõe desejos que logo são associados a nossas metas de felicidade. Seremos tanto mais felizes o quanto tivermos condições de atender a esses anseios que batem à porta de todos. A incapacidade de alcançá-los nos levaria ao desânimo, à tristeza, e, quando mais acentuado, à depressão. Há pessoas que simplesmente sucumbem a uma frustração mínima. Se duvidar, bem poucos estão fora desse contexto.

Mas como a lógica que a tudo governa é impor níveis de consumo como forma da satisfação humana, vide os IDHs da vida, se estabeleceu o conceito de que se você não está adquirindo bens (sejam eles culturais, materiais ou afetivos) é por falta de determinação sua. Você precisa se organizar minimamente em busca de desenvolver uma atividade que seja adequadamente remunerada para satisfazer as suas necessidades, ou anseios, ou angústias.

É meio óbvio que o resultado disso passa necessariamente por mais angústias. Não dá pra escolher tudo e as opções que adotamos nós levam em direção das dúvidas do caminho não escolhido. diante disso, vamos adotando modelos reducionistas, criando certezas no mar de dúvidas ou adotando padrões morais advindos de alguma fonte de controle social. Nossa forma de se comunicar com o mundo vai recebendo freios e, é claro, ninguém vai saber verdadeiramente quem eu sou, ou o que eu penso do mundo.

Parte 1

Quarta-feira, Novembro 4

Curso de Roteiro

Alliance



Cinco jovens, 4 moças e um rapaz, amigos de colégio, resolvem montar uma banda de rock que é batizada de Alliance. São eles Ludmila, Yuri, Sylvia, Karol e Andrea.



Ludmila e Yuri são irmãos gêmeos bivitelinos, filhos de inseminação artificial de pais que ainda estão casados. São bonitos, e chamam a atenção pela beleza. Enquanto Ludmila faz o tipo certinha, recatada, Yuri é o pegador. Quer ser pop star, além do sonho de realização. Também almeja a ter a sua vida de garanhão facilitada pelas groupies . Enquanto Ludmila é a vocal do grupo, também letrista e compositora, Yuri faz a guitarra base, mas acumula também a função de empresário.



Sylvia é libertária, com tendências homossexuais. É a baixista do grupo, de estatura não muito avantajada. Veste-se sempre de forma pouco convencional, podendo subir no palco sem precisar trocar de roupa. Não conhece o pai. A mãe foi uma maluquete dos anos 70, que nunca casou, transou todas e vive de uma pensão deixada pelo pai que foi general do exército. Nas horas vagas, Sylvia costuma se relacionar afetivamente com Karol.



Karol é a baterista. Corpo longilíneo, delicada, de voz suave, que contrasta com o seu desempenho na bateria. É filha única de casal separado. Pega a Sylvia, e é homossexual convicta, tem verdadeira aversão a homens e sempre crítica do comportamento do colega de banda Yuri.



Andrea é a guitarrista solo, bonita, altura mediana, bem torneada, amiga inseparável de Ludmila, com quem costuma compor as músicas. Tem formação clássica, e também é exíímia violinista. Acha o restante do grupo abaixo nível delas duas e sonha com carreira solo. Tem sempre uma idéia a dar a mais nos arranjos musicais.



O Sitcom



Alliance é o nome que também batiza oSitcom. A história começa quando eles ainda estão no ensino fundamental e se encontram para formar a banda. No ínício tocam no colégio mas com a aceitação dos colegas, percebem que todos têm futuro. Um produtor musical, pai de outro aluno, assiste uma das apresentações no colégio e os convidam para tocar na abertura de um show, dando início a uma carreira que terá altos e baixos. Em pouco tempo são chamados para gravar um CD em uma gravadora, e se lançam na carreira artística, profissionalmente.



Logo em seguida, estão na primeira tour pelo país, em uma van alugada. Emplacam bons shows e surgem problemas também. São empresários picaretas, problemas com drogas, caso de gravidez indesejada, paixões amorosas mal resolvidas, conflito com pais, dúvidas existenciais, relações homoafetivas e valores morais. Nesse universo jovem se desenvolve o Sitcom.



A idéia de desenvolvimento do roteiro é fazendo com que a cada programa um dos cinco jovens assuma o papel de protagonista. Por exemplo, a gravidez indesejada de Ludmilla, advinda de uma relação casual durante a turnê. A dúvida entre assumir a maternidade e ter a sua carreira temporiamente prejudicada ou fazer um aborto. O que cada jovem pensa sobre o assunto. Contar ou não para os pais? Desta forma, a banda, o amadurecimento dos jovens e o show business são o cenário de fundo do programa.

Terça-feira, Novembro 3

Entre a cruz e a calderinha

Dúvidas, dúvidas, dúvidas. Todas nós as tivemos um dia, e continuaremos tendo. Nada demais, ou de menos. Há pessoas que conseguem decisões rápidas, e consideram perda de tempo ficar alimentando indecisões. Mas quanto de vida está compreendido em uma mitigação de suas escolhas? Basta lembrar que toda vez que se decide por um determinado futuro, todos os outros estão invariavelmente perdidos. E nunca saberemos como seria se tivéssemos tomado outro rumo distinto daqueles que selecionamos.

Até acho uma certa dureza impor a alguém que escolha o que vai ser o resto da vida quando se tem 17 ou 18 anos. Isso é grave. Principalmente porque é assustador adotar uma mudança de curso depois que se profissionaliza. Enfrentar um novo vestibular e começar novamente um curso de nível superior do zero assume feições um tanto quanto desagradáveis, a maioria da vezes. Pressões surgem de todos os lado, sem dúvida.

Tão fundamental também é a escolha de um parceiro, com quem vai se constituir uma família. É claro que os tempos hoje são outros e casamentos são desmontados a 2x3. Poucos os que perduram. Parece que a regra é tocar fogo em tudo. A perenidade soa fora de moda. Talvez mais importante do que a escolha certa, é o momento certo. Defendo a tese que todo relacionamento é passível de vida longa. Desde que as partes queiram. Mas qualquer arranjo quando precipitado tende ao desastre.

Viver a vida é o que importa.

Segunda-feira, Outubro 26

Vergonha dos pés


... Ana sentia-se realmente mal. Tudo o que desejava era retonar para casa e tentar esquecer o que passou. Assim, Ana sofre por antecipação. Acredita demais nas suas conclusões precipitadas, leva tudo muito a sério. Jaime, enquanto isso, decansava feliz. Tinha muito o que pensar. Aquela mulher linda ao seu lado…


Quando se trata de relacionamentos, mulheres gostam de projetos de longo prazo. Nada mais encanta aos ouvidos femininos do que ouvir de seu parceiro que ele tem o firme propósito de envelhecer ao seu lado, por mais rugas contabilizadas que isso possa significar. Aqui não se trata de nenhum elocubração, já ouvi uma amiga revelar o quanto a frase a conquistou, em um início de relacionamento. Por mais que o futuro sejam imprevisível, ou por tão insinceras possam ser essas palavras. Um voto de esperança na possibilidade de isso ser real a deixou muito feliz e confiante de dias em senil idade ao lado do atual companheiro.

Eu procuro entender esse lado das mulheres de só se satisfazerem com uma clara visão do horizonte distante. Afinal de contas, a natureza as reservou projetos de longo prazo. são nove meses uma gestação, criar um filho para a vida leva anos, e o tempo é menos generoso com as mulheres que tem prazos determinados para concluir sua fase fértil. Aos homens, todo tempo é tempo para procriar. Sem nenhuma necessidade de isso se transformar em um escopo arquitetônico. E mesmo quando as mulheres não desejam filho não se libertam de todo das tendências de longo prazo, creio eu.

Neste final de semana, fui assistir a peça "Vergonha dos Pés", baseada e muito fiel ao livro do mesmo nome de Fernanda Young. Peça divertida, muita a imagem e semelhança do que a autora tem feito-escrito ao longo dos anos. A obra original já tem 10 anos, mas continua no presente. Acho que as atuais gerações perderam a criatividade em renovar as formas de viver. Ou então está mais viva do que nunca a frase do Belchior ou de alguém, que ele plagiou que diz que ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais.

Sem qualquer dúvida, essa perspectiva de longo prazo tem uma importância extrema na evolução do ser humano e de toda a sociedade. Não dá pra viver só com imediatismos de impulsos passageiros. É esse planejamento que nos proporciona nosso conforto e estabilidade física e emocional.

A personagem Ana, vivida por Juliana Knust, tem um passado freudiano, desconhece o pai e sonha em encontrar o marido ideal. porém se permite a uma aventura de final de semana e por isso passa a sofrer somente por imaginar que seu o parceiro apenas a usou, satisfazendo os básicos instintos. Ela quer o amor verdadeiro, que não se encontra em qualquer esquina. Jaime, por Danton Melo, tem virtudes e defeitos, ama Ana, mas tem uma vida complicada. Fernanda Young tem habilidade em transformar tragédias em comédias, sem apelar muito para o lado farsesco da coisa. As tragédias vistas à distância soam hiláricas, quase sempre. Divirti-me.

Sexta-feira, Outubro 23

Costa a Costa - O retorno

Com alguns anos de atraso, Costa a Costa chega a telinha da Globo. Rasamente referenciado, como bem pode-se perceber no vídeo http://tvverdesmares.com.br/cetv1aedicao/cetv-mostra-costa-a-costa/. Em 2007, eu mal tracei algumas linhas sobre os rappers cearenses, que podem ser lidas em: http://questao-fundamental.blogspot.com/2007/09/de-costa-e-costa.html Os caras tem pano pras mangas se coisas ruins não acontecerem. Eu ainda me transformo em um produtor musical.

Quinta-feira, Outubro 22

Na dúvida....

Não é regra, mas ao final de todo relacionamento a tendência é os circunstantes imaginarem que o homem teve a culpa pelo rompimento do elo. Se é a mulher que quer largar o cidadão, pensa-se logo o quão mal o parceiro é. Imcompreensivo, galinha, preguiçoso, desocupado, folgado. Não presta, enfim. Se é o homem o autor da separação, então é porque ele tem outra, não amou a companheira, aproveitou-se, foi só um golpe e agora que está bem de vida quer arrumar uma com a metade da idade. Se é que isso não aconteceu ainda. Não é assim? Estou muito enganado?

É por isso que achei estranho quando assisti A Mulher Invisivel aquele interesse todo da vizinha pelo ex-casado que foi abandonado pela esposa para viver uma aventura européia. O cara era certinho demais, e isso incomodava. Ninguém, em tese quer viver com alguém assim, que nunca falha, nunca se irrita e está sempre a disposição para aquele programa mais careta possível. Menos a vizinha, recém viúva de um casamento pra lá de Deus me livre. A regra é: homem largado não tem boa cotação no mercado amoroso. A não ser para algumas desesperadas que estão fazendo qualquer negócio para fugir do caritó. Que já perderam as esperanças nas rezas para Santo Antonio.

Mas filme não é pra ser visto como algo real, porque a realidade sempre tem cortonos bem mais estranhos que a ficção. Salvo se o filme for de PT Anderson em momento inspirado. Vale a diversão. Porque, afinal de contas, ninguém quer como marido, namorado, companheiro alguém que possa surtar a qualquer momento, creio eu. A não ser se o cara for um gênio ou zilionário, o que não é o caso.

Sábado, Outubro 17

A guerra

A guerra não muda.
Nunca é derrotada
Nunca realmente desaparece
nem nunca é superada.
Apenas afasta-se, recolhe-se para a as dobras escuras da mentes dos governantes; sussurrando e conspirando em seus ouvidos, fazendo-os ver inimigos aonde não há,alimentando sua ganância e fomentando batalhas.
A guerra não muda.