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segunda-feira, junho 29

Salto para a morte

Sempre gostei de adrenalina. Desde criança. Descobri isso quando fui colocado em um brinquedo de parque chamado Polvo, por meu pai num parquinho de quermesse. Naquele dia achei que ia morrer. Que ia se arremessado no meio do parque e me espatifar após a parada brusca no solo. Nada disso aconteceu. Lembro quando meu pai pegou em minha mão e viu que ela estava gelada. Pânico eu diria. Ele sorria e perguntava se eu queria repetir a dose. Claro que a minha resposta foi um sonoro não, quase em tom de reprovação por me por em um brinquedo de maluco. Mas em pouco tempo havia me acostumado com essa sensação, e passado a buscar novas emoções. Desde aquele tempo os brinquedos mais radicais dos parques passaram a ser os meus favoritos. Do Insano do Beach Park ao Katapul do Hopi Hari.

Mas eu acho que o limite da adrenalina é a exposição aos riscos. Tem algumas brincadeiras que não valem a pena.


Uma delas é Bugee Jump (http://www.youtube.com/watch?v=r09m7sDvJEs&feature=related). Isso é tentativa de suicídio. Como também pular de paraquedas. Volta e meia um praticante desses “esportes” vestem um paletó de madeira ao final do expediente. http://www.youtube.com/watch?v=ZjilAXyrjrU . Para conferir, é só clicar nos links. Tem de monte desses espalhados pela Net.


Infelizmente, tem gente que não acredita nas estatísticas e se metem a querer voar. No último sábado, um paulista empacotou. 45 anos, mulher e filha. Experiente, com mais de 300 saltos, espatifou-se no solo de Quixadá, a 160 km de Fortaleza. Tenho amigos que brincam disso. Um ia experimentar pela primeira vez lá, nesse dia. Mas por causa do acidente fatal, as atividades foram suspensas. Continuo tendo os amigos. Só não sei por quanto tempo.

sexta-feira, junho 26

A estrela desce

Beat It é a minha preferida entre todas as suas. Michael Jackson. Sempre gostei muito mais de vê-lo do que ouvi-lo. Embora gostasse do seu funk-soul swingado. Inigualável em tudo que fez. Ou quase tudo. A começar pelos números astronômicos de venda de discos. Ninguém vai batê-lo porque a Net não deixa mais. Uma hora dessas, os downloads devem estar troando por todo o mundo. Nasceu para o estrelato, não para ter vida própria. E como um personagem que acaba quando acendem as luzes, se foi numa tarde de sol de Los Angeles.

Sinto um misto de reverência ao ídolo que brilhou em proporções estelares e um abuso pelo excesso de incenso posto no altar pela mídia de todo o mundo. Ofuscou tudo o mais em volta. Todos os outros fatos foram reduzidos a quase nada nos noticiários. Esqueceu-se as mortes no Irã, as falcatruas no Senado, os mortos que ainda bóiam no Atlântico, jogados por um Airbus despedaçado em pleno vôo. Gripe suína resumiu-se a um resfriado de fim de semana. O mundo agora é outro sem o cantor show man americano.

Vida própria parece que ele nunca teve. Quis parecer normal e casou-se. Viu que não dava para o riscado, separou-se. Arrumou uma reprodutora que lhe pariu rebentos. Como pai, esticou a baladeira e pendurou o filho na varanda, como demonstrando ter o poder da vida e da morte. Não é normal um elemento que cria uma Neverland para atrair crianças. Imitação de bruxa de contos infantis. Tudo era over. Queria realizar mais 50 shows. Não deu. Fica para a próxima.

quinta-feira, junho 25

Caroline Wozniacki


As quadras de tênis continuam dividindo com as passarelas beldades a toda prova. A dinamarquesa Caroline, 19 anos, 1m78cm, 58 kg passou para a terceira rodada de Wimbledon, hoje. Próximo jogo é com Anabel Garriques, da Espanha. Não sei se vai longe na grama, mas se quiser tem futuro certo no circuito Paris-Roma-New York. Se é que você me entende.

quarta-feira, junho 17

Downloandig Nancy e as tripas também


Para usar uma palavra que está na moda, Downloanding Nancy é impactante. Daqueles filmes que procuram lhe embrulhar o estômago. Uma mulher, com problemas psicológicos resolve desistir da vida e através de um relacionamento sado-masô (também em voga nos mídia televisão, literatura e cinema) busca o seu intento. O filme é um claro retrato do distanciamento existente entre as pessoas mesmo que fisicamente lado a lado por cinco, 10 ou quinze anos. Do quão pouco se conhece dos seres que participam do seu convívio.

A protagonista, vítima de abusos sexuais quando criança, não consegue se sentir amada ou minimamente querida por ninguém. O marido, quem deveria lhe proporcionar algum conforto afetivo é um empresário distante, totalmente despreocupado com a sua companheira até nos detalhes mais básicos. Para Nancy, não há saída, a não ser abandonar a própria vida. Nem a psiquiatra que lhe atendia demonstrou-se minimamente habilidosa para injetar algum ânimo. E ela acha quem lhe faça esse favor através da Internet. Estranho favor.


Downloading assume dois significados ao longo da história. O principal deles é que o marido passa a descobrir quem verdadeiramente sua mulher quando acessa uma série de e-mails que ela havia trocado com os seus relacionamentos virtuais e se perceber totalmente alheio da vida conjugal. A história não é sobre pessoas normais, mas é baseada em fatos reais. Pelo menos é o que indicam os créditos no final. Recomendo. Principalmente pela construção heterodoxa da dramaturgia, que nos dá a impressão de estarmos assistindo três filmes ao mesmo tempo. Um do casamento, outro da relação doentia construída a partir da Internet e um terceiro, sobre a relação de Nancy com a sua médica.

Downloading Nancy ganhou o festival de Sundance em 2008 e é dirigido pelo sueco John Renck.

segunda-feira, junho 15

De volta a baia dos piratas

Uma idéia na cabeça e uma câmera na mão. Todo mundo já ouviu falar nisso. Ou pelo menos deveria ter ouvido. Pois é mais ou menos o que se repete no filme Apenas o Fim, filmado na PUC e que aos poucos ganha contornos de filme Cult. Daqueles que todos falam mas bem poucos colocaram os olhos nele. Acabei de ver o trailler na NET. Curtinho. História de uma menina que está deixando o namorado porque resolveu pegar a vida nas mãos e não deixar que a onda da mesmice e do óbvio lhe carregue para o ritmo de casar, procriar e ser avó mais na frente. No dia que ela conta pro namorado que está indo embora, oferece duas alternativas, ou transar ou conversar. Ele pede pra conversar e durante o papo são feitas mais de cem referências ao universo pop, cult bacaninha, em clima emoldurado pela Pontifícia carioca.

Mas porque estou falando disso? É que provavelmente a única forma de que a maioria das pessoas irão assistir a esta produção semi-caseira será através de downloads. Se não é blockbuster não rola. Não sai do eixão pra desbravar o inculto e belo restante do país.É o que também pede o blog do Bambam (http://bamban.wordpress.com/2008/10/17/apenas-o-fim/#comment-541).

Aqui estou eu novamente falando do mesmo assunto. Impulsionado também pela leitura da Superinteressante deste mês, que trata do assunto. A matéria tem por título “A pirataria venceu”. Será mesmo? Segundo a reportagem, não adiantou nada a justiça da Suécia ter multado em 3,6 milhões de dólares os donos do site Pirate Bay, porque a página sequer saiu do ar, e ainda teve audiência ampliada em 10%. Outro fator importante destacado é que o presidente Obama deu de presente a rainha da Inglaterra um Ipod com 40 músicas piratas. E a Warner, quem diria, criou um plano de legalização da pirataria. Vamos ver no que dá. Cada vez tenho mais dó nos antigos proprietários do Napster. Alguém ainda se lembra dele? Fui usuário em priscas eras.

terça-feira, junho 9

Aha! Uhu! A Internet é nossa!



Eu sabia que não ia ficar só. A deputada federal Manuela D'Ávila, do PC do B gaúcho, acaba de anunciar, pelo seu twitter, que está lançando a Frente Parlamentar em Defesa da liberdade na Internet. A luta é contra o AI-5 digital, segundo ela. =) Estou nessa conforme já anunciei em post de 11 de maio passado. (clique aqui para conhecer, se ainda não leu.)

Para ver o Twitter dela, a que me referi, pode clicar na foto e ampliar.

quinta-feira, junho 4

O que vai no sótão

Generalizações. O mundo vive repleto de generalizações. Tanto incorretas quanto perigosas. Pessoas se fecham em guetos e passam a escolher alvos inimigos. Ou se é parceiro ou se é inimigo. Não há meio termo. E em nome de alguns pactos, sai se disparando para todo lado. De nada vale o que realmente é, mas as suas representações. O verdadeiro objetivo é conquistar corações e mentes à causa.

Ontem foi condenado pela Justiça um cara que foi acusado de matar um travesti. Pela notícia que se pôde ler no jornal (ver link http://www.opovo.com.br/opovo/fortaleza/882653.html) , o réu, hoje com 21 anos matou um travesti de sua mesma idade, há 3 anos, e foi condenado a seis anos de prisão em regime semiaberto. De acordo com a defesa, o traveco Estefani Pazini estaria difamando o assassino, dizendo que eles tinham um caso. O alvo da maledicência era a namorada do acusado. Toda a história foi contada para ela com o intuito de causar estragos da vida amorosa do casal, penso eu. O julgamento foi acompanhado por uma organização de bichas chamada Grupo Resistência Asa Branca. Vários integrantes compareceram ao tribunal para pressionar por uma condenação.

O discurso é sempre o mesmo. Mais um caso homofóbico. Mas se a vítima tivesse falado a verdade, se havia realmente o caso entre as duas partes podemos fazer algumas deduções. Seria um caso de homofobia praticado por outro homossexual. É claro que um assassinato é um dos crimes mais bárbaros. Que o executor tem de pagar pelo que fez. Mas ao que me consta, grande número de crimes praticados contra homossexuais tem a passionalidade como pano de fundo. Não vai muito tempo em que um advogado e radialista também gay, que conheci, foi assassinado pelos seus próprios michês, em um latrocínio. Com certeza não se tratava de homofobia. Aliás, esse termo é muito mal aplicado porque fobia quer dizer medo, e não raiva, como pensam alguns.

Antes de sair por aí se fazendo de coitadinho e vítima de preconceitos os mais diversos é preciso compreender bem mais o que se passa na cabeça e no sentimento do outro. Ninguém é menos violento só por ser homossexual.

segunda-feira, junho 1

Che o argentino, e se é argentino...


Che o Argentino é um filme que nem cheira nem fede, não “inflói” nem “contribói” para que se conheça quem foi Ernesto Guevara, não explica nada sobre a luta armada pela derrubada de Fulgêncio Batista, ou as condições a que estavam submetidos os cubanos. A única coisa marcante é uma tosse incurável que o protagonista carrega ao longo de toda a história. Tosse essa que não é sequer explicada, nem tem nenhuma influência na trama.

Quem gosta de cinema ou do personagem Che Guevara pode passar perfeitamente sem assistir a esse filme de Steven Soderbergh. Nunca vi mais besta. A obra não merece mais que essas linhas aqui traçadas. Quem quiser perder seu tempo e dinheiro que confira. Sim, para as fãs de Rodrigo Santoro, ele está lá. Bem apagado, mas está.