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sexta-feira, janeiro 23

O que nos leva a gostar de outra pessoa?


Não falo gostar do verbo sentir atração. Mas do sentimento que nos eleva, nos faz perceber que estamos nos acompanhando de uma pessoa que realmente vale a pena. No mundo real, é coisa complicada. Os nossos amigos próximos, humanos que são, às vezes nos irritam por algumas atitudes que reprovamos, ou que queríamos diferentes.

Geralmente, é mais fácil gostar, anos a fio, de pessoas que não nos são próximas, porque só as percebemos pelo filtro da distância.
Tipo Ariano Suassuna. Adoro esse velhinho. Por tudo que fez, pelo que fala, pelo que pensa e pela forma amiga como se comporta sempre que vem a público nos ensinar alguma coisa. Já tive o prazer de estar ao seu lado algumas vezes. É uma grata felicidade, como diria alguns amigos sábios. Bem fácil gostar dele. Mas e no plano real do dia-a-dia. Como isso acontece? Como elegemos aquelas pessoas que nos dedicamos a gostar delas? E qual a nossa postura para não deixar que algum dissabor destrua a ponte que levou muito tempo e esforço para ser construída?

Certa vez uma pessoa me perguntou o que me levava a gostar dela. Fiquei pensando. Penso nisso até hoje. O que ela tem que a faz diferente de todas as pessoas e tão especial aos nossos olhos? A verdade é que não sei ao certo. Tenho procurado uma resposta a essa pergunta horas a fio. Cheguei a algumas conclusões.
A primeira é que a gente gosta de quem a gente escolhe, e escolhe a partir de um certo conjunto de afinidades. Não necessariamente procuramos no outro o que já temos, mas fica mais fácil quando a gente vê no outro o que em essência gostamos. Contudo, isso só explica uma parte do sentimento.

Todos podem ser honestos, sinceros, gentis, inteligentes, de modos refinados, apreciadores das mesmas coisas que nós gostamos e mesmo assim não despertar dentro de nós um sentimento diferenciado. Ou será que nisso eu sou muito diferente de todo mundo? Acho que não.
Depois de muito pensar sobre o assunto cheguei a uma conclusão. Se é que pode mesmo se chegar a alguma conclusão sobre o isso. Há uma esfera que é intangível.

O perceptível é importante. Porém, acredito eu, que cada pessoa possui uma determinada energia, e nós sentimos essa freqüência. Há pessoas que nos acalmam, que nos faz bem só por estar próximas de nós. Dessas pessoas nós recebemos uma emanação positiva que nos deixa mais tranqüilos, mais em paz, mais compreensível ao ponto de qualquer insatisfação nossa com relação a essas pessoas ser olhada por um binóculo ao contrário, que reduz tudo que nos incomoda a partículas insignificantes.
Essa conexão que se forma através dos laços sociais também pode ser desfeita.

E é bem mais simples de ser desmontada do que efetivá-la. Basta tão somente que um dos lados permita, de forma consciente ou não. O fluxo dessa energia sempre depende dos dois pólos. Não sei se me faço entender. Mas é assim que penso. Sei que tem muito mais coisa dentro disso, mas por enquanto, é o que está me sendo revelado.

3 comentários:

Fernanda Sousa disse...

questão q me atormenta "pq eu gosto??" as vezes as pessoas não tem asbolutamente nada em comum, mas nos apegamos...eh estranho e eh maravilhoso, quando não dói muito também.
=]

Clarissa Araripe disse...

Querido amigo Júlio,

Belo texto!
Boas palavras e reflexões! hehe
Sinto uma feliz ligação com vc!

Creio que nos afinamos pelo modo sincero de falar de coisas da vida, pela forma mais aprofundada de olhar ao redor e internamente, saindo do comodismo e da tão frequente superficialidade dos meios sociais.
Grata por tudo amigo!
Bj

Anônimo disse...

Gostei do seu texto, essa questão é muito pertinente nos dias de hoje, por que razões somos levados a gostar de alguém? acredito que nós apreciamos nos outro aquilo que existe em nós, a afinidade também se trata de experiência de vida, maturidade, trata-se de se sentir bem em relação a outra pessoa e do modo como ela dedica atenção e interesse por vc. Enfim, repeti o que vc disse com um detalhe, gostar é reciprocidade!