
Tenho uma certa resistência a filmes baseados em fatos reais. Primeiro porque a gente é forçado a pensar de que se trata de um documentário encenado, e muitas vezes não o é. Comum haver encenações que levam a história para além real. Segundo porque a inexistência de compromisso com as técnicas dramáticas, em nome da fidelidade aos fatos, pode transformar a diversão em uma maçante sessão de cinema.
Mas como fugir da tentação de assistir um filme protagonizado por Angelina Jolie e John Malkovich como coadjuvante? Complicado. Mas A Troca, mesmo baseado em fatos reais, não perde os elementos básicos que nos despertam o interesse na trama. Uma mãe solteira, Christine Walters tem o seu filho único, Walter, desaparecido. Após alguns meses, ela recebe outra criança. Percebe a diferença, mas a polícia, em busca de popularidade, tenta convence-la de que se trata do mesmo menino.
Inconformada, porque as diferenças são muito evidentes, inclusive o novo "filho" é cerca de 8 cm mais baixo, a protagonista passa a desafiar a polícia, em busca do seu verdadeiro filho. Tão afronta não é bem vista e o delegado, que já havia encerrado o caso, a leva sob custódia para interná-la em uma clínica psiquiátrica, com a total conivência do sistema médico da época.
Crhistine além de lutar para encontrar o seu verdadeiro filho, passa a ter de enfrentar toda uma estrutura que prefere lhe ter como louca a reconhecer os seus próprios erros. E só consegue o seu intento com o auxílio de um pastor, vivido por Malkovitch.
Este filme foi lançado no Brasil há um ano. Na época, não tive a oportunidade de assistir. A experiência também vale por se tratar de um filme de época, ambientado no final dos anos 20, com caracterização muito bem elaborada. O fato de ser baseado em história real não reduz o impacto dramático e nos confirma que um bom roteiro é sempre mais eficiente do que a fidelidade ao pé da letra ou dos fatos.