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sexta-feira, maio 7

Alice no país das trevas


O mundo do cinema definitivamente não é mais o mesmo. Os filmes agora se transformam em sucesso não pela qualidade que levam às telas, mas pelo poder de mobilização a partir de suntuosas estratégias de marketing. De há muito que não são só as bilheterias o único componente do borderô das arrecadações cinematográficas. Antes mesmo do lançamento, se multiplicam as franquias e licenciamentos, tornando o show mais business do que arte. Não dá pra ser contra isso, é o rumo inexorável do sistema de produção e de consumo.

Essas novas velhas estratégias se notabilizaram ainda mais, creio eu, com as ultimas grande produções 3D de Avatar e Alice. Se o primeiro é uma velha estória recontada (ver o post sobre), o segundo é uma nova versão de uma velha história contada de forma precaríssima. E me assusto quando vejo críticos considerarem mediano um filme que é absolutamente medíocre.

O novo filme do Tim Burton nem deveria se chamar Alice no País das Maravilhas. Primeiro porque não é a mesma história do livro. Só isso enganou muita gente que entrou na sala de projeção, e saiu dela, pensando que teria assistido uma refilmagem. Não meus prezados, não foi isso que aconteceu. Vocês assistiram uma história original. Dá pra acreditar? É o roteiro original mais chupado que já vi.

Segundo, que país das maravilhas é esse? Deveria ser país das trevas. O mundo é sombrio, assustador, sem qualquer indicativo de que há algum vestígio, por menor que seja, de alguma coisa alegre. Todo o cenário é deprimente.

Terceiro, a questão dramática, Alice vai ou não salvar o país das maravilhas das garras da rainha vermelha (Não, ela não é mais a rainha de copas) é ridiculamente infantil. Nós já sabemos a resposta e a luta da protagonista com o monstro, no final não causa nenhuma emoção, até para o assistente de primeira viagem. O desfecho nos é praticamente apresentado no início do filme. A dúvida sobre se ela é ou não a Alice esperada também é no mínimo idiota. Claro que é, né bobão?

E, por fim, que casamento é aquele? Claro que ela não vai aceitar casar com um panaca. Ou alguém em algum momento pensou no contrário? Se alguém não se perturbou com tamanha previsibilidade, acho que o problema está em mim. Ou então, assistimos filmes diferentes. Mais uma coisa, esse 3D é uma tapeação.

A história poderia ser muito mais interessante. O noivo de Alice poderia ter caído dentro do buraco junto com ela, e não ser o panaca que se apresenta no ínicio, mas uma personalidade que iria se revelando dentro do país das maravilhas, que afinal, em última análise, seria o inconsciente de Alice. O chapeleiro maluco, coitado, tem mais cara de um viciado em crack do que um personagem que transcenderia o senso comum. E a história que a Alice é também uma maluca, como seu pai a nomeia no começo da trama, termina não surtindo o efeito que eu esperava.

Melhor sorte da próxima vez, Tim.

3 comentários:

Nina Souza disse...

Não consegui ver ainda O Alice de Tim Burton... mas imagino que ele deva mesmo seguir a linha sombria, vide os outros filmes dele - inclusive A Noiva Cadaver, que ao meu ver é a melhor caricatura sobre a linha dele. Concordo quanto ao título, quando vi que a história não é a mesma, imaginei que poderiam ter colocado um "De volta ao País das Maravilhas", para identificar.
Mas em todo caso, e isolando o estilo de Burton, em geral gosto dos filmes dele.
Abs!

Raquel Cavalcante disse...

Também achei a história fraca e o cenário com características dignas de Tim Burton. E, se o desfecho não surpreende, o elenco também não. Como sempre Johnny Depp e a mulher de Tim Burton que eu só vejo nos filmes dele. No final é um filme bonitinho.

Raquel Cavalcante disse...

Eu sou curiosa por demais. Já quero saber essa piada. Beijão