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quarta-feira, maio 5

A vida íntima de Pippa Lee


O que aconteceu com a geração do sexo, drogas e rock and roll? Muitos morreram pelos excessos, mas a grande maioria está por aí por perto, levando uma vidinha absolutamente enquadrada dentro do sistema. Quer dizer, aparentemente enquadrada, porque, de perto ninguém é normal, como diria Caetano Veloso. É esta a abordagem da diretora Rebecca Miller, em seu filme A vida Íntima de Pippa Lee, que tem coadjuvantes de luxo como Keanu Reaves, Winona Rider, Monica Belluci e Juliana Moore.

Pippa, vivida por Robin Wright Penn é uma senhora de meia idade, casada com um bem sucedido homem já veterano na terceira idade, Herb Lee, interpretado por Alan Arkin, com saúde que inspira cuidados após ter sofrido três enfartes. Com o desenvolvimento da história, vamos descobrindo um passado fora do comum de Pippa. Sua relação conturbada com a mãe, viciada em anfetaminas, que a leva a sair de casa, e decobrir padrões fora do habitual, ao residir com a sua tia lésbica.

A protagonista leva uma vida meio hippie até encontrar com o seu marido, bem mais velho, casado e desgostoso com a vida que leva. Troca a esposa por Pippa, e com ela tem dois filhos. Os conflitos que Pippa tinha com a mãe se repetem com a filha, uma fotógrafa de guerra.

Os aparentes traços de normalidade estão camuflados em uma sonâmbula que assalta a geladeira na madrugada e fuma eventualmente. Resquícios de uma vida desregrada que teve na juventude. A direção de Rebecca é cuidadosa, e não emite juízos de valor sobre os mais variados comportamentos que desfilam ao longo do filme, Como o suicídio da esposa anterior de Herb, Gigi Lee, representada por Monica Belluci, que, apesar de trágico, não traz nenhum apelo ao dramático ou sentimental.

A reflexão que Pippa Lee nos traz é sobre o quanto nós (des)conhecemos as pessoas que estão a nossa volta. O que cada um é capaz de fazer, ou arriscar em busca de algum resquício de felicidade. A protagonista, ao final, parece que entendeu que é capaz de percorrer os mesmos caminhos de sua tresloucada mãe, mas ao mesmo tempo fazer correções de rota. Recomendo.

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