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sexta-feira, junho 29

Covardia tutelada


Seis garotões classe média e bem nutridos, provavelmente praticantes de jiu-jitsu, resolvem exercitar um pouco de artes marciais em uma jovem que aguardava o ônibus para seguir ao trabalho. Não só espancam covardemente como roubam os seus poucos pertences. O azar do grupo é que um motorista de táxi viu a cena e anotou a placa do veículo da quadrilha. Presos, alegaram que pensavam ser a vítima uma prostituta, como se isso fosse uma justificativa aceitável. Depois se descobriu que no mesmo dia, outras pessoas foram agredidas violentamente pelo sexteto. Um rosário de crimes seqüenciados aconteceu sem que ninguém interferisse. Por enquanto, o grupo está na cadeia, mas ninguém se engane. Apesar da periculosidade destes marginais, em muito breve estarão lépidos e fagueiros nas ruas do Rio de Janeiro, favorecidos por liminar de um juiz, que por certo receberá um troco de algum advogado para conceder o benefício. Afinal de contas, vivemos em um estado democrático de direito.

Cenas como estas em pouco tempo sairão dos noticiários em face do volume de repetições. Todas tendo como protagonistas jovens que tiveram todos os favorecimentos próprios de uma família economicamente bem aquinhoada, que tiveram a seu favor as possibilidades que uma boa educação formal pode proporcionar. Mas parece que ser um cidadão pacato, respeitador de seu semelhante, solidário não tem mais nenhum sentido. O que vale agora é mostrar os dentes, por para fora toda a agressividade, mostrar que é capaz de destroçar uma mulher indefesa em um ponto de ônibus. Matam-se índios incendiados em Brasília, homossexuais em São Paulo, gente indefesa em qualquer canto do país. Como são poderosos estes boyzinhos!

Tem coisa muito errada em tudo isso, é muito evidente. Está imperando a permissividade completa e absoluta, Sem limites, mesmo em nossa sociedade. Todos têm direito de fazer o que bem quer e não receber nenhuma reprimenda por mínima que seja. Criança levar um bom corretivo, nem pensar! É crime contra os direitos inalienáveis das crianças. Outro dia soube de um caso de uma adolescente que estava roubando dinheiro do pai para dar ao namorado viciado em drogas e foi castigada. A punição era não sair de casa. Ela ligou para a delegacia e acusou o próprio pai de cárcere privado. Ele perdeu uma manhã de trabalho se explicando para um delegado a sua atitude e ainda tendo de ouvir ainda acusações mentirosas de uma série de barbaridades que teria cometido. A menina saiu da delegacia gloriosa, diante de tantas promessas que ouviu do pai ao delegado. Pela nova legislação, o crime compensa sim!
É melhor mesmo a gente ir se acostumando com esta sociedade que estamos produzindo. Vamos continuar dividindo os espaços urbanos com os caveirões e balas perdidas. Se a sua cidade ainda não possui estes fenômenos, não se avexe. É só uma questão de tempo.

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