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terça-feira, junho 12

Refresco no dos outros


Aquecimento global. Salvar a natureza. Vamos reciclar o mundo todo. Eta teminha para eu achar totalmente despropositado. Falam das coisas como se estivesse na mão de cada pessoal individualmente a redenção do mundo. É claro que sem ninguém tomar atitudes pessoais, o babado pode ainda piorar muito. Não tenho nenhuma dúvida em relação a isso, mas daí a tirar este globinho do atoleiro onde ele se meteu vão léguas e léguas sem fim de distância. Senão vejamos.

Última palavra é reciclar os produtos consumidos. Já se chegou a se produzir artefatos de vestuário a partir de argolinhas de refrigerantes e cervejas em lata. Em nome do política e ecologicamente correto avança-se com toda a criatividade possível para cima dos monturos de lixo. E vamos reciclando papel, garrafas pet, pneus, latinhas metálicas, material de construção de demolição e por aí vai. Como se o culpado de todo o entulho produzido fosse nós consumidores das modernidades tecnológicas industriais.

Acontece que, dois pontos, o andor sobre a carruagem é bem outro. Há bem pouco tempo, logo ali na esquina, o cenário era bem diferente. O leite e os refrigerantes eram embalados em garrafas de vidro não descartáveis, as fraldas eram de algodão, os móveis e janelas eram de madeira tudo era bem mais durável e perene. Foi a nova indústria do descartável que está empulhando a nossa vida de lixo. Em conta de razoáveis economias trocam o natural pelo derivado de petróleo e haja a se consumir o mais poluente de todos os elementos da natureza, os hidrocarbonetos residuais da geração dos combustíveis fósseis.

E haja a se criar marmotas múltiplas. Não o simpático mamífero, mas as formas as mais estaparfúrdias possíveis, visando única e exclusivamente arrancar alguns trocados dos incautos e pseudo-ecologicamente corretos. É projeto Tamar daqui, seqüestro de carbono dali, Green Peace por acolá e por aí vai. Lança-se belas mensagens e milhares de marmajos desocupados passam a viver nababescamente das sua contribuição voluntária em espécie. Verdadeiras empresas são criadas, formando patrimônios consideráveis.


Nada que arranhe nem de leve a ferocidade com que vai se destruindo tudo. Quando não, contribuindo para a bagaça. Ou será que os barcos do Green Peace ou os 4x4 do Tamar poluem menos que os demais? Isso sem se falar das viagens aéreas sem fim que este povinho faz. Para quem não sabe, são as turbinas de avião a jato que mais consumem ozônio, deixando nossas belas cabecinhas a mercê dos raios ultravioleta e nossa querida pele exposta a futuros mielomas.

E quase para se perguntar o que é que a gente tem a ver com esse fim do mundo levado a toque de caixa pela acumulação de riquezas própria dos vividos anos industriais? O que adianta plantar no quintal uma ou duas plantinhas se a devastação autorizada, consentida e divulgada evolui na proporção de milhares e milhares de hectares a cada ano? E aonde estão as florestas da Europa, da América do Norte, da Ásia que ninguém fala nisso? Por mim, a amazônica pode se transformar em compensado.

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