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domingo, junho 3

Em busca do pote de ouro

Depois de longos anos estudando em um colégio jesuíta, de disciplina rigorosa, onde o mais simplório ato de insubordinação era contemplado com a ida à diretoria da escola, suspensão, expulsão, cheguei aos bancos universitários. Descortinou-se um novo mundo, onde a rebeldia era aceita e até incentivada. Tempos de centros acadêmicos e diretórios Centrais de Estudantes. A ordem era desafiar o status quo e disparar a metralhadora giratória da insatisfação. Todo problema social, principalmente os que diziam respeito aos explorados pela sociedade capitalista era digno de uma manifestação, um panfleto, um ato de solidariedade, uma nota de repúdio. Até mesmo uma greve.

Aquilo deixava maravilhado qualquer ser humano minimamente libertário. Desafiar a legislação, as tropas de choque da polícia, invadir prédios públicos, interditar avenidas com passeatas embevecia o meu coração juvenil quase infante, bastante vocacionado a Peter Pan. Era uma ave que finalmente descobria o canto da liberdade. O estudo acadêmico era acompanhado de diversas mudanças sociais. Além de atos contestatórios, o sexo era praticamente livre, falar de homossexual era preconceito, e métodos anticoncepcionais era papo de mesa de cantina. Junto com as escâncaras das portas dos instintos havia também o consumo em doses cavalares de ácool, canabis e outros aditivos químicos às máquinas pensantes. Discriminado era quem não seguia a cartilha deste alegre e irresponsável viver.

Soma-se a tudo isso o inevitável sentimento grevista reinante. Se o prato do restaurante universitário era aumentado em 0,001% do seu já ridículo valor, a universidade toda parava por tempo indeterminado, até que aquele reajuste fosse revogado. A palavra de ordem era “É mais uma tentativa de privatizar o ensino universitário público. Se a gente não barrar esta tentativa do sistema capitalista, em breve serão cobradas anuidades dos estudantes”. E não adiantava alguém dizer o contrário, que era apenas para reduzir minimamente os impactos da inflação. Ninguém queria acreditar. O importante era protestar, não importava o quê.

Os anos passam, o país muda, mas algumas coisas permanecem inalteradas, congeladas em um túnel do tempo. Continua-se fazendo graves nas universidades públicas empunhando-se velhas bandeiras. Tudo com um belo cheiro de mofo, movido a mais completa e absoluta irresponsabilidade juvenil apesar dos gris que pululam as cabeças dos pseudos-intelectuais que ocupam as cátedras nos cursos universitários. Agora com o caráter um pouco menos disfarçado. Toda a mola impulsionadora dos movimentos paredistas é o mais vil dos metais. Professores param, em verdadeiras férias regiamente remuneradas, já que seus salários não sofrem um centavo de desconto. E, sem se preocupar com o futuro de nenhum aluno, condenam a todos a perda de semestres e mais semestres de estudo.E na panfletagem ainda alegam que estão em busca da melhoria da qualidade do ensino. Só que ao mais leve sinal de mais gorduras em seus olerites renegam qualquer propósito humanitário que possa ter sido imaginado por algum crédulo.


Enquanto professores universitários brincam de lutar por questões sociais, o país vai perdendo anos a fio de estudos. São professores que não conseguem nem formar novos professores e se não fosse a prática profissional nos mais variados postos de trabalho os acadêmicos deixariam a academia de forma muito semelhante a como lá chegaram. Ninguém fala nada com medo de ser chamado de reacionário. O país que vá para o buraco da ignorância, sem direito a espernear, enquanto alunos vão deixando a escola tão, ou mais, ignorantes do que quando lá chegaram.

Exemplo :

Suicidaram-se: o ministro da Agricultura do Japão, Toshikatsu Matsuoka, e o ex-diretor da Agência Japonesa de Recursos Verdes Shinichi Yamazaki. O primeiro enforcou-se em casa. No dia seguinte, Yamazaki saltou do 6º andar do prédio em que morava. Os dois eram acusados de participar de uma máfia que fraudava licitações públicas. O Japão não assistia a um suicídio de ministro desde 1945, quando o país foi derrotado na II Guerra. Dias 28 e 29, respectivamente, em Tóquio e em Yokohama.

Um comentário:

Bia Lopes disse...

Enquanto o país respira sofegantemente por Educação, estamos a ver jovens na rua bebendo e gritando como se um mantra fosse: "Fora a burguesia!Fora o FMI!" e desafio a qualquer um desses manisfestantes a explicar as razões pela qual emanam esses gritos que tanto ecoam pela cidade.As paralizações,greves viram evento social,oportunidade de extravasar suas raivas contidas,hora de poder botar pra fora os sentimentos ruins que eles conservam e não ter ninguem a reclamar disso,pois se assim fosse eles alegariam opressão.Enquanto isso o pais vive orgulhoso de suas universidades federais,pelos seus cursos tao concorridos e somente alunos qualificados entrando, enquanto isso vemos professores reluzentes por serem parte dessas grandes universidades federais, enquanto isso temos alunos "inoxidáveis" por estudarem nas enormes universidades federais.Essas greves geram prejuizos nas dependencias fisicas dessas universidade para que depois eles possam fazer outras greves reclamando da falta de condições das dependencias fisicas das universidades.Enquanto isso os alunos clamam por melhores professores e os professores clamam por melhores salarios e não vejo niguem clamando ao nosso presidente semi-analfabeto por Educação!Enquanto isso os grandes professores fingem que ensinam, enquantos os qualificados alunos fingem que aprendem!E o nosso ilmo. presidente finge que governa!
E agora José?

um abrço meu amigo sonsol.Texto muito bem escrito!E não era de se esperar o contrário.