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quarta-feira, junho 13

A Estrovenga do Reino


Gosto muito do Ariano Suassuna. Sou capaz de mudar qualquer roteiro só para encaixar uma palestra dele, em qualquer lugar ao meu alcance. Ouvir aquele velhinho falar é música de excelente qualidade para os meus ouvidos. Nada melhor do que presenciar de viva voz uma série de “causos” de sua vida. Impagável e a história que ele conta sobre o seu ingresso na Academia Brasileira de Letras, e como foi a confecção de seu fardão, por uma velha costureira que costuma fazer as suas vestes. Este escritor, teatrólogo, poeta é o que de mais genuíno temos em nossa cultura da parte alta do país. Considero-me um cara de sorte em ter vivido na mesma época que ele, e poder beber um pouco neste arquivo vivo da cultura nacional.

Pensando do jeito que eu penso, fica difícil entender como é que fazem uma patifaria de tão grande monta com um dos principais livros da literatura de Ariano. Como é que alguém de sã consciência se apossa de uma obra prima como A Pedra do Reino e a transforma em um lixo cultural da pior espécie? Sinceramente, meu Deus, a gente podia perfeitamente ter passado sem essa.

Milhões de pessoas devem ter assistido, na última terça-feira, este desastre televisivo e passado a imaginar que diabéisso? Aquilo parecia o cruzamento com má formação genética do circo de Soleil com a chacina do bando de lampião em Angicos. Já assisti a muitas estrovengas, mas aquela é insuperável em todos os quesitos. Fico imaginando que aquela coisa deve ter saído da cabeça de algum carnavalesco de escola de samba do Rio de Janeiro, numa segunda-feira, após 15 dias ininterruptos de porre. Algum aprendiz de Joazinho trinta deve ter metido o bedelho naquela marmota mal-arrumada.

O mais grave é que a exibição da Globo deveria fazer parte das comemorações dos 80 fantásticos anos do escritor paraibano. Mas ao invés de uma homenagem ficou mesmo esta sacanagem, transformando todos os personagens em doentes mentais, como se a história do povo nordestino se passasse em meio a delírios coletivos. Boninho, por favor, me poupe de outra dessas.

7 comentários:

Pedro Monteiro disse...

Enfim alguem concorda comigo ! meu pai do céu!!!

Foi escroto, sem sentido e babaca o micro seriado.

Desse jeito vamos continuar afastando o povo da cultura! tornando intangivel até o mais popular.

OBRIGADO PELAS PALAVRAS!

Ps.: Legal é que todo mundo agora gosta de Ariano desde pequinininho e jura que entendeu o seriado ! (e quem não entende é burro!)

Grande abraço

lau disse...

Bacana teu blog. Vc escreve limpo, tem um bom texto. Admiro Ariano por tudo isso que vc disse. Só tem um detalhe: não concordo com tudo que ele pensa e diz. Sou, como ele próprio diz, "os outros". (Ele diz: existem os que pensam como eu e "os outros"... hehehe... e eu nao concordo com esta frase, por exemplo)
Entretanto, respeito sua literatura, sua retórica de erudição sertaneja e sua postura sincera diante da vida. As pessoas deveriam ser assim, mais transparentes, mais autênticas... como ele é.
Há braços!
Lau

Sylvia ou Miss Lexotan disse...

Prinspo,
Não comentei explicitamente, mas tou trazendo os mais chegados :)

Pedro Monteiro disse...

acabou de passar mais um capitulo... e adivinha ?
AIUaihUAHIAA

Naiche disse...

concordo em numero genero e grau.. ¬¬

Fátima Abreu disse...

Eu não consegui assistir o babado. Não entendi coisa nenhuma. E não botei culpa na falta de cultura minha. E que já passei um bom tempo me alijando do processo cultural que tanto ornamentam. Mas, agora eu sei que nada é tão cultural quanto inventar culturice. Graças a Deus vc tem discernimento. Valeu.

Brenda Cortez disse...

caracas eu vi e fiquei de cara tb.. uma amiga me ligou bem na hora e falou coisas do seu modelo. Muito bom o lembrete.. como sempre a matrix deformando as coisas.

matrix = globo.

chêro ;)