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segunda-feira, maio 14

Uno pilota nostro


Parece que agora os brasileiros finalmente tem para quem torcer na Fórmula Um, de novo. Desde a morte de Ayrton Sena, no longínquo dia primeiro de maio de 1994, quando o tricampeão sobrou da curva Tamborello, em Ímola, que o irritante Gavião Bueno tentava convencer os incautos de que o Rubinho (no diminutivo para demonstrar o real tamanho dele) poderia preencher a lacuna. Além de pouco talento, ele nos envergonhava a cada pódium fazendo um arremedo de passo de sambista bêbado diante das câmeras e do mundo inteiro. (Isso só teve fim quando um determinado comentarista esportivo, em um certo programa de televisão pediu para que o pseudo-piloto parasse com aquilo. Graças a Deus que ele atendeu!!).

Nenhum outro piloto brasileiro campeão mereceu o tratamento no diminutivo. Nelson Piquet nunca foi nelsinho (se bem que o filho dele o é), Ayrton Senna nunca foi airtinho ou Emerson Fittipaldi foi emersinho. Só mesmo os pequenos merecem serem nominados desta forma. Pelo menos do que diz respeito a campeões de F-1.

Mas se ele é pequeno no nome, sobra na megalomania. Quando sentava no banco da Ferrari queria passar a falsa idéia de que não era o segundo de Schumacher. Esse sim, piloto de verdade. A cada nova prova quebrava o carro, condenava a Ferrari pelos péssimos resultados e depois acusava os jornalistas de terem interpretado errado as funestas palavras dele para ficar bem na foto com os ferraristas. Como se pudesse enganar todos o tempo todo.
Agora está correndo em um carro a sua altura (ou baixura). E mesmo largando em 12º domingo passado, na Espanha, disse que ia partir para cima dos adversários. Moral, terminou em 10º, apesar das quebras que ocorreram a sua frente. Não passou ninguém e ainda foi ultrapassado. Mas é claro que a culpa é do péssimo carro que dirige!!!. Para rubinho, não tem equipe que resolva.

Bem diferente de rubinho (que é nome de estacionamento, enquanto os demais batizam autódromos, segundo a lenda) é Felipe Massa, que nunca será felipinho. Assume os próprios erros, não faz previsões mirabolantes, e este ano já venceu duas provas, das quatro disputadas. Finalmente, o Gavião não precisará encher os seus ouvintes de empulhações, além do necessário. Já bastam as leituras de pensamento dos pilotos que a cada prova ele exercita, erradamente, é claro.

Para os aficcionados pela F-1, vale a pena ler o texto publicado hoje na Folha São Paulo:

visita indesejável
Feroz, Massa bate Alonso na Espanha

Brasileiro conquista sua quarta vitória na F-1 em manobra arriscada na 1ª volta e desperta reclamações do bicampeão

"Se alguém foi agressivo foi ele", defende-se o ferrarista, que largou na pole position em Montmeló e também fez a melhor volta da corrida

TATIANA CUNHA
ENVIADA ESPECIAL A BARCELONA

Eram 15h38 em Montmeló, o sol castigava os 140.700 torcedores que lotavam o circuito. Nas arquibancadas, alguns já deixavam seus lugares. Os que ainda resistiam aplaudiram timidamente quando viram Felipe Massa cruzar a linha final.Quem estava no Brasil não acompanhou ao vivo a quarta vitória dele na F-1, a 92ª de um brasileiro na categoria, ontem no GP da Espanha. Neste mesmo instante, a TV transmitia a última missa do papa Bento 16 na sua visita ao país.

Mas não foi só isso que o Brasil não viu. No pódio, ladeado por Lewis Hamilton, o segundo, e o herói local Fernando Alonso, o terceiro, Massa tinha um olhar diferente, quase agressivo. Com os punhos cerrados, vibrou.Olhar fixo no horizonte, acompanhou o hino.
Estava satisfeito. Havia cumprido à risca o roteiro traçado no dia anterior, quando fizera a pole: largar de maneira agressiva e manter a ponta a qualquer preço, já que este circuito quase não permite ultrapassagens.

E foi o que fez. Na luta pela primeira curva, não deu chance a Alonso, que vinha por fora. Manteve o traçado, e os dois se tocaram. O espanhol saiu da pista e perdeu duas posições.
"Não queria desperdiçar a pole como na Malásia", falou Massa. E foi justamente essa a chave para sua vitória, a segunda seguida, de novo completa: além da pole e do triunfo, ainda cravou a melhor volta.

Depois, na entrevista coletiva, exibiu um outro lado. Mostrou agressividade também fora da pista. Sentado a seu lado, com cara de poucos amigos, Alonso repetia que Massa havia exagerado em sua manobra.

"Eu estava bem à frente do Felipe. Infelizmente, ele não achou a mesma coisa, e acabamos nos tocando. Mas tivemos sorte porque em 99% das vezes teríamos os dois ficado ali. Isso é perigoso", reclamou Alonso.

Depois de rir, fazer caretas e balançar a cabeça ao ouvir Alonso, Massa foi incisivo.
"Foi uma manobra arriscada dos dois. Mas eu estava por dentro. E, se estou por dentro, não vou me mexer. Se alguém foi agressivo, foi ele", disse. "No dia em que eu fizer besteira, vou ser o primeiro a falar. Sempre fiz isso. Mas, desta vez, não errei. Se o Fernando quiser falar, discutir, eu vou até o fim."


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Um comentário:

Fátima Abreu disse...

Realmente, amigo Júlio, não existimos como percebemos. Há muito mais e isso é o que me impulsiona para continuar seguindo. Amei este blog. Uma das minhas maiores paixões é ler só que nem sempre tenho à mão uma boa leitura. Aliás, não tinha, né? Bem vindo ao mundo dos blogueiros.