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quinta-feira, maio 17

A tribo Mamãeuquero



Quando estudei em colégio, as nações índigenas se dizia no plural. Eram os tupis que habitavam o litoral e os tapuias que ocupavam o interior, que se subdividiam em diversas outras tribos como os xavantes, os caiapós, os bororós, os goytacazes, que ainda hoje dá o resgatado nome da cidade de Campos, no Rio de Janeiro, e tantas outras tribos. Aprendíamos que os índios locais eram descendentes de povos asiáticos, portanto imberbes, possuíam traços faciais e cabelos de feições orientais. Mas depois do advento da pastoral indigenista e do jornal Folha de São Paulo tudo ficou diferente. Os nomes dos índios mudaram e não mais aceitam a flexão do plural. Sabe Deus e o professor sabe-tudo Pasquale o porquê. Agora é tudo no singular. Segundo o manual de redação agora são “os índios xavante”. Ou a “tribo dos Caiapó”. E haja a imprensa maria-vai-com-as-outras a imitar esta pseuda erudição. Todos os penas se achando pertencente das altas paneladas da imprensa nacional, e porque não dizer internacional.

Em termos de indigenismo, a coisa não para aí Tem também a tal pastoral que começou a descobrir por todos os lados descendentes puros e diretos dos primeiros habitantes do país. Se antes havia cablocos, cafusos e mamelucos, agora é tudo índio. Na mais profunda acepção da palavra. São indígenas negros, mulatos, brancos, barbados, peludos, de tamanhos e cores para todos os gostos.

Também havia aprendido, (e que agora preciso desaprender e ainda não consegui), já no tempo de faculdade, que para se pertencer a uma nação, é preciso se aceitar como tal e ter uma identidade cultural. Os índios que a gente vê por aí, pelo menos em nossas cercanias, não pronunciam outro idioma que não o do português invasor, não tem nenhum artesanato que lembre o passado das ocas, ou qualquer atividade minimamente artística que dê algum traço de pretendida vocação indígena. Pelo contrário. Os toréns que vi por aqui não passam de arremedo cantado todo em português, com alguns cidadãos fantasiados de palha na cintura e pena na cabeça, que nem a gente fazia quando era dia do Índio, nos bancos do jardim da infância.

Eu tenho muita vontade de saber porque não se recorre a um exame de DNA para provar ou comprovar cientificamente a origem desta gente travestida. Tenho certeza que se este procedimento fosse adotado, ia sobrar uns palmos de terra também para mim, e eu ia plantar mamona e produzir biodiesel. Os mesmos antropólogos de plantão que querem por fim da força criar etnias nativas sabem que não há ninguém neste lado do Atlântico sul que possa se arvorar de que tem sangue exclusivamente europeu. Salvo os que chegaram depois da metade do século XX, creio eu.

Se a coisa é assim como eu penso, todo este papo de índio só tem mesmo a razão ecônomica para existir. São alguns espertinhos que buscam tirar vantagem desta história, em buscar de se tornarem os próximos latifundiários devastadores do meio ambiente, como já acontece em diversas regiões do país. Ninguém se iluda, ninguém está imune ao capitalismo selvagem e às práticas predatórias em busca de alguns trocados ou botins. E não são só os que se reclamam índio que se aproveitam. Há toda uma estrutura de organizações não-governamentais também se locupletando da situação e andando em bonitos e caros carros 4x4 importados.