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sábado, maio 26

Agora só falta você



Hoje, que interessante, assisti a uma entrevista de Rita Lee Jones. Para quem só conhece essa paulista sexy (sagenária), aviso: Ela mudou muito aos longos dos anos, na em suas priscas ela era sinônimo da mais valente rebeldia de geração. Acho que foi a primeira cantora-artista a ser presa por porte de droga da história, apesar de não ser a única usuária. Tem quem fale que o Pato Fu, hoje, seria a versão do antigo Mutantes, do qual a Ritinha era a crooner. Mas isto é total falta de conhecimento. Na realidade, aquele grupo paulista de saudosa memória era o que mais de vanguarda havia época, anos 60, período em que era heresia algum cantor/cantora/banda se apresentar acompanhado de qualquer instrumento valvulado. Só os Mutantes se dispunham a ser vaiados com seus acordes distorcidos nos festivais da Record pré-igreja universal . Enquanto que o Patu Fu é o porta-voz da papauera pop-romântica, o que de mais conservador possa existir.

Este preâmbulo segue dizendo que, durante a entrevista, ela se confessou alcoólatra e toxicônoma, para usar as próprias palavras que empregou. E toda esta piração teve um controle com o advento do casamento em sua vida, façanha que já perdura longos 30 anos. Chave da longevidade matrimonial, segundo ela mesmo afirmou: obedecer incondicionalmente ao seu marido Roberto de Carvalho, por quem é apaixonada até hoje e de quem recebe, semanalmente flores. E eu que não gostava desse cara exatamente por ter encaretado completamente as músicas de sua esposa. De Ovelha Negra, Ritinha passou a compor decadências melosas como Banheira de Espuma e Mania de Você, que até hoje fazem parte dos flash backs musicais que pululam nas rádios jabás FM, Brasil a fora.

Aí fico querendo saber se obedecer de forma tão fidedigna ao marido traz estabilidade ao casamento, mesmo quando este par é formado por dois maluquetes drogadictos de outrora, oriundos dos tempos de quando experimentar naturais e químicos era condição sine qua non de todos os vanguardeiros da música mundial. (É claro que depois se soube que os mais aparentemente caretões da música, como Elis Regina, Nelson Gonçalves e outros também eram adeptos dos anabolizantes neuronais).

Mortes precoces por conta de overdoses a parte, a verdade que surge é a negação da felicidade movida a aditivos. O grande lance é tirar prazer do mundo totalmente limpo. É se realizar como ser humano se nutrindo das razões seculares, como compor uma família, prociar e torcer pelo sucesso dos netos. Rita lee que o diga, agora que chegou à casa dos sessenta, casada a trinta e se dizendo vanguarda, em meio a um mundo onde o padrão são casamentos efêmeros.

Um comentário:

Renata Wirtzbiki disse...

Acho a Rita Lee o máximo, antes e agora... Mas as músicas de antes eram melhores:)
Beijos!