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terça-feira, maio 15

Aonde estão as nossas bandeiras?


Que sofremos discriminações por morar na parte alta do país, isto é fato. E por todos os lados. Até de nós mesmos. A gente pode perceber claramente tais manifestações no futebol. Lembro-me claramente o Bira, baixista do Sexteto 11 e meia, ser alvo de galhofas do Jô Soares por torcer por times em praticamente todos os estados do país. Grêmio em Porto Alegre, não sei o quê, em São Paulo, tal e tal em Minas e na Bahia, e por aí vai. Enquanto o gordinho ia fazendo as perguntas das preferências do baixistas, o restante do grupo musical caía nas risadas. Tudo era galhofa. Para quem nasce no Rio ou São Paulo é totalmente non sense abraçar qualquer preferência por uma equipe além das fronteiras do seu próprio estado.

Aqui também devia ser assim. Mas, como todos sabemos, não o é. Creio que deve haver algum complexo de inferioridade no povo daqui. Ou, pelo menos, nos torcedores de futebol. Cada um tem uma paixão incomensurável pela cores das equipes paulistas e do Rio de Janeiro. Sem nunca ter morado ou sequer passado uma temporada nas terras do Sudeste. São tão botafoguenses, flamenguistas, corintianos, sampaulinos ou santistas quanto o mais genuíno torcedor-símbolo destas equipes. Eu já cheguei ao cúmulo de presenciar uma carreata em plena cidade de Sobral (que guarda traços da nobiliarquia nacional) para comemorar a conquista do campeonato de futebol do Rio de Janeiro pelo Flamengo. Cheguei a comentar o quão espécie isso me causou, mas fui informado por alguém que percorre outras tantas cidades do interior que manifestações de tal sorte são muito comuns em todas as paragens daqui.

Vejam só! Ainda hoje estava assistindo um programa esportivo de determinada emissora televisiva sediada no Rio de Janeiro, quando certo comentarista começou a citar os craques que estão disputando a primeira divisão do brasileirão, este ano. Falou o nome de uns dez jogadores, ou mais, todos de times cariocas ou paulistas, apesar de ter na primeirona também equipes de Minas, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Goiás, Paraná e Santa Catarina. Será que ele fez isso por algum jabá? Ou é porque o Brasil que conta limita-se a estes dois estados?

Certa vez comentava com um amigo, também apreciador do esporte bretão, mais do que eu até, sobre o que eu considero um verdadeiro colonialismo esportivo esta estória de ficar torcendo por times do eixão rio-sp. Mas para ele, nada mais natural que quer ter outras paixões futebolísticas fora das divisas estaduais e em várias outras unidades da federação (ele mesmo confesso flamenguista de carteirinha, na mais cafona acepção da palavra ). Ai eu perguntei: E por qual time você torce em Rondônia e em Macapá? Claro que ele não sabia nem os nomes dos clubes de lá! É esta a diferença que nos separa do Brasil supostamente desenvolvido.

(post em defesa da presença de bandeiras em nossos estádios)

PS. A foto é da Torcida Uniformizada do Fortaleza, em Roraima (vejam só!)

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