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segunda-feira, abril 11

Bruna Surfistinha


Terminei de ver e fiquei pensando que o único objetivo desse filme foi mesmo faturar grana tirando a roupa e colocando Débora Seco em cenas eróticas. O que não o faz, de todo. A história não me pareceu verossímil e pelas informações que circulam na Internet há muitas omissões, como se para preservar alguma dignidade da personagem protagonista.

Bruna Surfistinha é baseado em um livro do mesmo nome, que conta a história de Raquel, uma menina ainda na adolescência que resolve abandonar o lar de seus pais adotivos para ingressar de forma irreversivel na prostituição. No início, a personagem principal é mostrada como uma jovem não muito afeita aos estudos, que tem problemas de relacionamento com o pai e com o irmão. E sua mãe é uma chata que lhe cerca de todas e exageradas atenções.

No colégio particular é vista como meio estranha, sem muita facilidade de relacionamento, mais por sua timidez e complexos do que qualquer outra coisa. Isso, no entanto, não a impede de receber convite para ir "estudar" na casa de um colega bem abastado, que a seduz, e depois divulga as suas proezas com os colegas. É claro que Raquel é vítima da onda que a sua turma lhe arma.

As dificuldades de relacionamento em casa e a situação em que se meteu na escola a levam a sair de casa e procurar uma casa de prostituição. Não se vê com nenhuma outra possibilidade de emprego ou atividade remunerada. Não sabe fazer nada senão vender o próprio corpo, o que faz, a princípio com uma suportável matiz de sofrimento. Em breve, aprende todas as manhas do meio e se acha até mais esperta do que as outras suas colegas porque manuseia com razoável habilidade as ferramentas de Internet.

Daí para frente, a fita se perde em lugares comum: a sedução de um guarda de trânsito, o ingresso no mundo das drogas, a decadência, a volta por cima, e o suposto príncipe encantado que nunca vira sapo e está presente em toda a sua trajetória. Não falta ainda o libelo de que é melhor se prostituir e viver por conta própria a ter de ser sustentada por alguém, como lhe foi oferecido pelo bem de vida. Uma moral questionável, mas que é o climax do filme.

Muitas coisas não são explicadas, como a iniciação sexual de Raquel, a sua passagem pelas produções pornôs, e como ela lida com as suas escolhas. Há uma inquietante, pelo menos para mim, normalização dos padrões das prostitutas, sem trazer as questões sociais que o setor envolve. Sem dúvidas, sexo a dinheiro é tratado como uma atividade econômica e social como quaquer outra. Fiquei até pensando que irão lançar o Bruna 2, a Saga Continua.

PS. para quem está esperando grande coisa, Débora Seco é melhor vestida.

Um comentário:

Abel Sidney disse...

Não li o livro, não fui ao cinema, mas gostei da entrevista que a Débora Secco deu, destacando o seu trabalho de preparação para o filme e tudo o que ela pode aprender sobre o mundo da prostituição...

Aliás, quem lê a sua entrevista não consegue entender a razão dela ter feito o filme, já que o mesmo não parece nada consistente ou bem elaborado etc.

Se o filme não vale; a nudez da Débora não compensa o ingresso, fiquemos com a leitura da entrevista...;)