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segunda-feira, junho 14

O Golpista do Ano



Não sei quem inventou, mas o "politicamente correto" é capaz de fazer grandes estragos em muitos setores onde a criatividade é fundamental. Tudo deve se encaixar de forma não gerar sucetibilidades em grupos de pressão. E é isso que os diretores e roteiristas Glenn Ficarra e John Requam procuram fazer em o Golpista do Ano (I Love You Phillip Morris), que tem como protagonista um homossexual encarnado por Jim Carrey. Quando vi o título, pensei que se tratasse de uma subliminar de cigarros, já que o título original nos remete, inevitavelmente a empresa britânica de tabaco. E talvez seja, já que em hollywood nada é de graça. Mas esse é o menor dos problemas da produção.

Carrey dá vida a um policial Steven Russel que é casado e pai. Mas talvez cansado da monotonia, resolve mudar de time e sai do armário. Na sua nova vida, passa a aplicar golpes e mais golpes com o objetivo de sustentar a luxúria onde se meteu. Se primeiro par fixo é uma bicha vivida por Rodrigo Santoro, que, mais uma vez não vai além de uma ponta em uma produção ianque. Os conhecidos exageros performáticos de Carrey são comedidamente explorados, para não deixar o personagem caricata ao extremo. Afinal, a tentação de tornar bichas com trejeitos engraçados uma atração cinematográfica é sempre grande. Vide o repertório de produções com esse teor. Mas isso nos dias não seria politicamente correto.

Da mesma forma, acredito que dentro da linha do politicamente correto, o filme vem recheado com algumas cenas sexuais homo quase explicitas. Coitado do Rodrigo sendo enrabado... Não entendi o porque, e, sinceramente, a plástica dos atos não justificam. Mas é o tal do hiperrealismo justificando-se. Sendo meio e fim em si próprio.

Steven Russel é um mau-caráter de marca maior, capaz de enganar a tudo e a todos para conseguir os seus objetivos hedonistas. Mas acaba se perdendo por querer ser mais esperto do que o sistema, que é rotineiramente burlado. O personagem vai ficando caricata a medida que o filme avança, para enquadrá-lo das regras politico-sociais. Afinal de contas, um gay que abandona uma família, é golpista e mau caráter precisa ser suavizado para não cair nas garras dos guetos. A direção faz de tudo para gerar uma empatia entre o protagonista que não vale o que o gato enterra e o público. Comigo não funcionou, sinceramente. Ao final, acho que ninguém fica inteiramente agradado com essa produção. Talvez só os mais curiosos se interessem.

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