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segunda-feira, agosto 20

A morte entre nós


Tenho amigos que falam que não há nenhum perigo latente ao se criar estas feras. Que cada animal simplesmente se amolda às características do dono e adota a sua personalidade. Uma pessoa gentil e cortês será o espelho do comportamento do cão social e amistoso. Não sei se realmente alguém acredita nisso, se está se iludindo ou simplesmente gosta de ter uma arma carregada apontada para a cabeça. A diferença entre o Pitbull, e uma pistola é que a pistola precisa de alguém para disparar. A fera escolhe a sua vítima a seu bel prazer, sem dar nenhuma indicação de quando vai disparar o ataque.

O que sei é que as chacinas são recorrentes. Desta vez a vítima foi uma criança de apenas quatro anos. Tainá (vide matéria abaixo) foi trucidada por dois pitbulls, quando tentava adentrar na casa de uma vizinha. A proprietária das feras era uma senhora de 71 anos, que possivelmente via nos animais uma chance de se defender da violência que campeia o país, e atinge principalmente os incautos. Se o animal adota mesmo o comportamento de seus donos, estes pitbulls deveriam estar preocupados com o reumatismo e não amolando os dentes em cima de uma criança.

Não consigo imaginar que uma velhinha muito mais pra lá do que pra cá, tenha induzido nas mentes doentias dos pitbulls um temperamento irascível, que o deixaram mentalmente descontrolados ao ponto de assassinar uma criança que não poderia apresentar nenhum perigo. Mesmo se Tainá tivesse portando uma arma de fogo, não teria força suficiente para disparar o gatilho, certamente.

Não foi o primeiro caso, e está muito distante de ser o último. A maioria das pessoas simplesmente não crê que eventos da mesma natureza possam se repetir. Matérias em jornais e televisão irão se repetir, mais uma vez fazendo contraponto entre vítimas e proprietários de cães, vencendo sempre aquele que tive o melhor argumento. Países como a Inglaterra já impuseram através de legislação o fim desta raça doentia, que não há um único registro de atos de heroísmo. Enquanto de covardia são cada vez mais compus. Basta só dá uma checadana Internet. No google, ao se digitar as palavras “Pitbull mata” vão surgir 236 mil resultados em 0,12 segundos.


Menina de 4 anos é morta por 2 pit bulls





Tainá Figueiredo dos Santos morreu às 3h de ontem, após ser atacada, no domingo, pelos cães de uma vizinha, em Ubatuba

A dona dos cachorros tinha convidado a menina para almoçar mas, segundo relato da família de Tainá, esqueceu de prendê-los

FÁBIO AMATO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

Uma menina de quatro anos morreu ontem, em Ubatuba (224 km de São Paulo), após ser atacada, no domingo, por dois pit bulls de uma vizinha.
A dona dos cães, de 71 anos, está sendo investigada sob suspeita de omissão de cautela na guarda de animais, delito da Lei das Contravenções Penais que prevê prisão de dez dias a dois meses, ou multa.
O ataque foi por volta das 12h20 de domingo. A dona dos cães, identificada apenas como Cleusa, havia convidado a menina Tainá Figueiredo dos Santos para almoçar.
Segundo a família de Tainá, Cleusa se esqueceu de prender os pit bulls, que avançaram sobre a criança logo que ela entrou na casa.
"As duas [Cleusa e Tainá] eram muito amigas, gostavam muito uma da outra, tanto que se tratavam como netinha e avozinha", contou ontem a mãe de Tainá, a faxineira Elizabeth Figueiredo de Souza, 36.
"Apesar de serem muito ligadas, a Tainá nunca tinha entrado na casa da dona Cleusa, justamente porque a gente tinha medo dos pit bulls. Mas dessa vez ela insistiu para que a minha filha fizesse companhia para ela no almoço. Eu e meu marido acabamos deixando", afirmou a mãe da menina.
Tainá foi socorrida por vizinhos, que conseguiram afastar os cães e levar a menina ainda viva para a Santa Casa de Ubatuba. A menina sofreu duas paradas cardíacas e morreu por volta das 3h de ontem.
O diretor técnico do hospital, Marcus Alexandre de Souza, disse que Tainá tinha ferimentos graves na cabeça e perdeu parte do couro cabeludo. Ela foi operada para conter sangramentos e reconstruir a coxa esquerda e uma das orelhas.
"Tainá deixou a sala de cirurgia consciente e chegou a conversar com o pai, mas teve uma crise convulsiva de repente e uma parada cardíaca. Foi reanimada, mas sofreu nova parada cardíaca pouco depois. Então, não voltou mais", disse Souza.
A reportagem não conseguiu localizar ontem a dona dos dois pit bulls.
A mãe de Tainá disse que não responsabiliza a vizinha pela morte da filha. "Foi irresponsabilidade dela, mas não acho que ela é culpada pela morte da minha filha. Foi uma fatalidade."

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