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quinta-feira, março 19

Casas a parte


Há pessoas que são absolutamente avessas à BBB. Meio que isso fosse uma diversão doentia porque voyerismo. Mas o que nesse mundo hiperultramega globalizado não é senão desejos de saber o que acontece em volta? Uma professora minha, mestre em sociologia da comunicação, chegou a considerar tão grave esse programa porque nem os sociólogos jamais teriam realizado a experiência de confinar pessoas para examinar seus comportamentos em grupo.

Para mim, é só uma pena esse ramo de estudos das ciências humanas não ser criativo. Se bem que já assisti alguns documentários semelhantes a um BBB no GNT. Mas aí pode. Esses estão revestidos de algumas explicações científicas e se transformam em cults. A ciência adora ser a última palavra em tudo. Ao mesmo tempo, abomina as outras formas de interpretação da realidade, salvo aquelas transitadas pelos bancos acadêmicos.


Dito isso quero confirmar que assisto BBB porque gosto, desde a primeira edição. Não sob o pretexto de ter assunto para comentar com outras pessoas. Se ninguém que conheço não assistisse, mesmo assim acompanharia porque me interesso. Gosto de saber sobre as possibilidades de reações diante das mais variadas situações.

Cada pessoa adota comportamentos próprios, singulares, mas ao mesmo tempo procuram também ser aceitos pela coletividade.

BBB é um jogo com um régio prêmio. Mas os seus jogadores não podem jogar. É um paradoxo que se instalou desde a primeira edição. Aqui jogar assume uma conotação pejorativa. Jogar, para os internos na casa tem outro significado. Joga quem dissimula as suas atitudes para iludir os demais e o público e obter o benefício de não ser eliminado nos sucessivos paredões. São tidas como nobres as atitudes espontâneas. Não jogar é ser o que é em qualquer lugar, sem se preocupar com as conseqüências de suas atitudes. Ser, portanto, “verdadeiro”, e aqui vão todas as aspas possíveis. Resta a pergunta, onde é que se é 100% verdadeiro? Quem está totalmente despido do verniz diplomático? Não creio que exista. A não ser alguns raríssimos iluminados.

Os jogadores trilham essa ilusória dicotomia entre ser verdadeiro, e portanto angariar as simpatias do público, fator fundamental porque as decisões são democráticas, ou adotar uma postura estrategista buscando composições e desenvolvendo atitudes consideradas nobres pelos códigos da sociedade.

Todas as versões do BBB, em algum momento, alguém acusa outro participante de jogar. Vale destacar que não há nada nas regras do programa que puna, recrimine ou discrimine isso. Mas jogar por esse visão, é dissimular, e não apenas estar participando de um jogo, em busca de um prêmio. Quem acusa alguém de estar jogando, quer atrair ao outro antipatias. Internas e externas.

Outro termo muito utilizado entre os jogadores é complô. Os que são preferencialmente indicados para serem expulsos da casa pelos companheiros de confinação jamais olham para si, e nunca chegaram a afirmar que são as atitudes pessoais que desagradaram os demais. Sempre consideram que estão sendo injustiçados, que há uma armação, que se formou uma quadrilha para realizar uma limpeza étnica na casa. São pessoas que se colocam na função de coitadinhos. Esse é um lugar a ser perseguido, conforme já se verificou nas edições passadas.

O público se identifica rapidamente com os coitadinhos, e em algumas edições foram esses os vitoriosos. Vide Cida, Mara, Bambam, Jean. Este último abusou. Colocou-se como perseguido por sua condição homossexual. Venceu, mas outro que adotou a mesma estratégia deu com os burros n’águas. Talvez porque no meio do caminho esqueceu a rota que criou, de ser passar por bicha, e passou a investir em cima de uma outra inquilina do programa, mostrando-se um falso gay. Público não gosta de ser enganado com ardis tão evidentes. Prefere outros mais sofisticados para comprar como realidade.


Após essas breves considerações iniciais quero comentar sobre o atual programa. Já havia se desenhado um vencedor. Seu nome, Max. Cara equilibrado disposto a jogar o BBB com todas as possibilidades de controle emocional tangíveis, avaliações inteligentes. Não demonstrou irritação nas vezes em que foi indicado para o paredão e possui espírito de liderança. Não pelo autoritarismo, mas pelo trato natural com as pessoas. Porém, em relacionamentos e decisões democráticas não é sempre o racionalismo que prevalece. Ele não imaginou que ia surgir uma heroína capaz de voltar de cinco paredões. Nunca poderia prever que o público iria comprar a história de uma menina mimada, reclamona, voluntariosa. Ana se disse perseguida e o voto democrático veio em seu socorro em cinco oportunidades. O público eleitor não quer ver aquela loirinha quase natural ser cristianizada por seus algozes. E por ser sido líder, Max está assumindo o papel de vilão da história. Mesmo sem ter nada explícito que indique alguma armação dele contra Ana, a sua natural liderança o coloca na incômoda posição de responsável pelo antagonismo que se formou entre a loura e a quase totalidade da casa, já que no último paredão ela perdeu a sua principal aliada, a vovó Naná.

Max já percebeu isso, grande jogador que é. Já sabe que é o vilão da história e desconfia de suas chances de ir até o final se o seu caminho cruzar com o de Ana. Ele, no entanto, involuntariamente concorreu para isso. Por ser duas vezes líder, recentemente, durante os dois paredões em que Ana se fez presente. Mesmo sem a ter indicado, pareceu aos olhos do público que ele tinha uma estratégia para a eliminação de Ana. Indicativo disso foi ter colocado o seu amigo Ralf na berlinda junto com a loura, certo que o equilíbrio masculino iria derrotar o destempero emocional da loura.

Ledo engano. Maioria do público, com o voto desfez os planos de Max, que agora tem em Ana a presença menos desejada a ele na casa. Ana já é na visão de Max a vencedora. Porém, nem tudo está perdido. Avaliação é minha. A situação pode se modificar porque Ana perdeu a sua referência. Naná fora da casa pode levar a loura a uma profunda melancolia ou a um descontrole, já que perdeu a sua alterego. Ela, nos últimos dias, só tem demonstrado tristeza. E se ela não empunhar minimamente a bandeira de uma guerreira, capaz de resistir às pressões psicológicas impostar pelos seus antagonistas, o público pode rapidamente mudar de lado novamente. Mas, ao que eu posso ver até agora, dificilmente não sairá da dupla Max – Ana o vencedor da atual edição. Ponto fraco dos jogadores desse BBB é a presença do Flávio até agora. Como é que deixam um pentelho ambulante resistir tanto tempo no come e dorme global? Esse é terrível. Passou as duas últimas semanas perseguindo uma gostosinha de plantão, que nem um cachorrinho, e só levou fora. Um pé no saco, que se achar o senhor justiça e que já deveria ter sido despachado. Na primeira oportunidade que for ao paredão (e ainda não foi nenhuma) volta pra casa. Com quem quer que seja a disputa.

4 comentários:

Fernanda Sousa disse...

Eu não quero bancar a cult aqui,até pq, sou noveleira até a morte, mas acho o BBB um programa realmente dispensavel pro mundo. Não vou dizer que eu nunca parei pra ver, até pq vc fica fora de todas as rodas quando esse negocio tá no ar e vc eh o unico ser humano q não sabe quem são eles...mas não consigo ver nada de util ali. Sério mesmo.
:p
bjo!

Laritz disse...

Foram nove edições e até hoje não consigo definir se gosto ou desgosto do modelo. Até acho interessante sob o ponto de vista sociológico e psicológico, mas confesso que me incomoda ver cenas como a loirinha chorona cutucando o dedão do pé da vovó assanhada.

Mas não nego que tenho acompanhado a atual versão. Não todos os dias, mas pelo menos dou uma espiadinha nos dias, digamos assim, mais importantes.

E ontem fiquei irritadíssima com aquela sonsa ganhando a prova do líder, sinal que o programa mexe de alguma forma com o imaginário coletivo.

Beijos!

Mosana disse...

Oi, eu assumo que vejo. No começo via mais, em uma das edições teve Manuela, ela fez faculdade de MKT comigo no Rio.. passei muitas edições sem ver, por falta de tempo/saco, e como disse sua amiga aí de cima, ficava por fora das rodinhas de papo sobre BBB e por não saber quem eram. Essa edição comecei vendo e torcendo, para o Max que além de conterrâneo é chará do meu pai e irmão, em apelido e nome "grande" também. Mas desde a saída do Ralph criei um bloqueio, acho um absurdo aquela coisa loira chata, mimada, mandona, enjoada, maisummontedenomejunto ainda estar lá. Josi é outra na qual não vejo graça; Flávio como vc citou tb fica na área cinza.. não fede nem cheira.. Francine é doida coitada, além de porca, comer chiclete do chão é de mais pra mim.
Agora.. ou aquelas mulheres, Pri e Milena, começam a se beijar de língua pro povo querer que elas fiquem.. ou aqueles selinhos serão, em breve, de despedida.
Kisses

kate disse...

Sou suspeitissima pra falar, pois já é de seu conhecimento que amo seu modo brilhante de escrever... mas também assisto BBB e adorei o post.
Brilhante!
Sobre o bbb, adoro não só ter a possibilidade de observar as pessoas, como ver o modo como tais pessoas "incomodam", "afetam" ou mesmo "encantam" quem as observa.
As vezes, o que mais incomoda no outro é ver o reflexo de si mesmo.
Te adoro