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quarta-feira, setembro 19

Vida a quem merece

Em agosto do ano passado, soube de um acontecimento que me abalou. O namorado de uma amiga, Vânia, estava internado porque havia um tumor de grandes proporções alojado próximo de sua coluna. Já havia perdido os movimentos dos braços e das pernas, por conta da pressão sobre a medula. A progressão da paralisia foi meteórica. Havia chegado andando para uma consulta médica em um dia e 48 horas depois ficou tetraplégico.

Foi submetido a uma cirurgia de emergência de alto risco, para a retirada do tumor. Até então, eu não sabia sequer o seu nome, mas havia me condoído com a situação nada animadora do seu diagnóstico, por conta da ligação de amizade que tenho com a sua namorada. Temi pelo seu destino. Não imaginei que ele pudesse escapar ileso de um cenário tão desfavorável.

Mas foi exatamente o que aconteceu. Um ano e várias sessões de radioterapia depois João Elias está completamente curado, e pronto para uma vida saudável, doravante. Eu finalmente o conheci no final de semana passada, quando estive em Sobral, sua cidade natal. Conversei com ele para conhecer melhor a sua história.

Ele me contou que começou a sentir uma dor nas costas, na altura do ombro. Pensou que fosse muscular e por conta própria medicou-se com relaxantes. Porém a situação progrediu para uma dormência no braço direito. Quando Viajou a Fortaleza, no ano passado, para uma consulta, percebeu que não mais podia levantar o braço direito. Após a consulta, no dia seguinte, não tinha força para levantar nenhum dos braços. E no outro dia, quando retornou ao médico não conseguia sequer andar.

A situação cada vez mais dramática foi acompanhada de perto pela Vânia, que não tinha facilidade de aceitar a situação em que se encontrava o seu namorado. E também era a pessoa que primeiro tomou conhecimento de toda a gravidade da situação. Se esforçava para conter as lágrimas, que em muitos momentos foram incontidas.

O único que se manteve verdadeiramente calmo foi João Elias. Ele me revelou que em nenhum momento acreditou que não iria sobreviver à cirurgia, mesmo sabendo dos riscos. Talvez até duvidasse dos alarmes feitos pelos médicos. Antes de tomar a anestesia, foi indagado pela enfermeira se havia tomado algum tranqüilizante dada era a sua fleuma. Ele afirmou que não, mas que a sua tranqüilidade era somente conferida pela fé de que tua iria correr bem, e que em poucos minutos estaria novamente acordado e são.

Dormiu sob os efeitos dos anestésicos. Quando retornou a si, estava entubado na sala de UTI do hospital. A cirurgia não tinha sido tão rápido quanto esperava. Foram quatro horas e quatro cirurgiões participaram na remoção do tumor. Sem sentir nenhuma dor, mínima que fosse, logo que abriu os olhos tentou erguer o braço. E conseguiu. Da terapia intensiva para o quarto do hospital foram cinco dias, e de lá para a rua foram mais cinco. Dez dias após a alta estava andando de bicicleta, para desespero dos familiares e da Vaninha.

Conhecer e conversar com o João Elias foi muito bom, até para fortalecer a minha fé. Agora eles planejam um futuro, que desejo formado de muitos e muitos anos. Sorte a todos.

Um comentário:

Fátima Abreu disse...

A vida é algo tão intenso, que merece de nós tempo para perceber a sua a sua infinitude.

Nós, neste momento, de visão superficial necessitamos de um abalo, algo que nos mostre limitados a um fio, e permita-nos ver ilimitados, potentes sob o jugo de uma vontade universal.

Parabéns pelo texto carregado de esperança até na cor. Um abraço.