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segunda-feira, dezembro 26

Tudo pelo poder

Confesso que fui atraído por críticas positivas. Cinco estrelas de Villaça não são poucas coisas, pelo menos em tese. Mas a produção Tudo pelo poder (Ides of march) me surpreendeu negativamente. Não sei aonde viram qualidade nesse filme para considerá-lo um os prováveis indicados ao Oscar. Mas com tanta porcaria que já conseguiu essa láurea, é possível. George Clooney que dirige e coadjuva esse filme tem o seu lugar no olimpo hollywoodiano.

A história conta os incidentes de uma campanha primária do partido democrata do pré-candidato à presidência dos Estados Unidos Mike Morris (Clooney). Os republicanos, na altura do campeonato, estão praticamente sepultados e vencer a refrega interna assegura a Casa Branca ao vencedor. Morris é dono do discurso mais progressista, daqueles que quer secundar algumas questões como religiosidade, direitos civis para homossexuais, defendendo um país igualitário para todos. Só que se vê ameaçado de perder a prévia e vive o dilema entre a derrota e fazer um acordo com um governador ambicioso e conservador para chegar ao seu objetivo. Opta pelo segundo, é claro, para justificar o título.

Idos de março, tradução literal, seria um nome mais honesto para o filme. Tudo pelo poder não faz juz. Idos de março seria uma alusão ao assassinato de Julio Cesar pelo senado romano, a partir de uma traição. Só que em Tudo pelo poder não acontece exatamente uma, que apesar de se assemelhar como tal, trata-se de uma queda de braço entre o coordenador da campanha Paul Zara (Seymour Hoffman) e o assessor de imprensa Sthepen Meyers (Ryan Goslin), segundo homem na hierarquia da campanha. Em política, traições são desconsideradas na disputa pelo poder. Na realidade, são mais vistas como realinhamento de forças.

Fazendo-se de protagonista do filme, Meyers é de uma ingenuidade a toda prova. Primeiro, aceita o convite para o encontro com o coordenador de campanha adversário, que aparentemente tenta seduzi-lo, vendendo a ideia de que Meyers estaria do lado perdedor e que poderia se sair melhor mudando de lado. É óbvio que isso é um desespero. Onde já se viu alguém que está vislumbrando a vitória cooptar mais gente para dividir os louros? Não convenceu o assessor espertinho ser tão ingênuo de uma hora para outra.

Não quero aqui entregar toda a trama, para quem quiser ainda conferir. Mas os lances que se joga nesta disputa política são todos tão óbvios que não falta a estagiariazinha sedutora-seduzida do candidato. Parece que toda eleição tem de ter uma. Nas campanhas aqui, isso não causou problema. Também de uma infantilidade a toda prova a relação entre o assessor e a jornalista de um grande periódico. Quem minimamente conhece os meandros dessas relações não dorme no ponto, nem se deixa apanhar de cobertor curto.

Mas essas falhas no roteiro, demonstrando muita ingenuidade não é o mais grave. A história é arrastada e perde-se em nódulos dramáticos desinteressantes ao mesmo tempo em que muitas questões não ficam claras. Tais como a existência de um certo bilhete, que se transforma no pivô de uma chantagem. Somente o óbvio do óbvio é evidente, como: em brigas pelo poder não há como se preservar relações de afetividade.

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