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segunda-feira, maio 4

Os beócios de plantão

A verdade é que não gosto muito (nem muito, nem pouco) do termo politicamente correto. Se é politicamente, não tem como ser correto. Vai ser sempre alguma coisa manipulada com algum objetivo de satisfazer interesse de alguém ou algum grupo. Mas é uma praga que está se espalhando pelo mundo.

Aqui, a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência chegou a lançar uma cartilha sobre determinados termos que deveriam ser evitados em nome do politicamente correto. Felizmente, o nosso presidente Lula usa quase todos e a cartilha foi relegada ao ostracismo. Mas não tarda surgir mais um infeliz para reabilitar essa paranóia coletiva.
Vejam alguns dos termos que deveriam ser abolidos da língua portuguesa, não fora o bom senso de alguns intelectuais, como Ubaldo Ribeiro que reagiram:

Africano: Essa palavra deveria ser substituída pelo país de origem. Tipo egípcio, ou Botsuanês, ou Ruandês. Interessante que não há na cartilha nenhuma referência a europeu, sulamericano, ou asiático que podem continuar existindo. O único continente que desapareceria seria a África. Quer preconceito maior que esse?

Anão – todos teriam a mesma altura. Os anões poderiam ser chamados de pessoa verticalmente prejudicada.
Baitola, assim como Viado, não poderiam mais designar homossexuais. Todo seriam “gay”. Só que por se tratar de um estrangeirismo, cria-se um problema com os puristas que querem abolir termos não oriundos do português de nossa fala.

Barbeiro – Os profissionais não estariam de ser comparados a pessoas que não dirigem bem no trânsito. Assim, ao invés de você gritar esse termo para alguém que cometeu alguma estupidez atrás do volante, teria que apelar para alguma coisa do tipo: “motorista inepto apesar de habilitado”, ou “condutor desatento com as normas de trânsito”. Lindo, não?

Barraco – Por se tratar de um termo que é usado como sinônimo de confusão, as habitações precárias não poderiam ser tratadas assim. Poderíamos chamar de alguma coisa como “moradia modesta habitada por população de baixa renda”.

Bêbado- Não haveria mais. Os chegados a uma beiçada em um copo seriam chamados de alcoólicos.

Bem, vou ficar só no B para não ficar muito cansativo. Mas no C tem um termo que esse sim, deveria ser evitado. É um tal de colaborador. Está se evitando o termo trabalhador para que haja ao mesmo tempo a suspensão dos direitos trabalhistas. Se todos são colaboradores, não há relação de empregado – empregador, todos seriam parceiros. É que se quebre o mais fraco.

Um comentário:

Laritz disse...

Nossa, eu acabei de escrever um longo texto sobre minha aversão ao politicamente correto. Muita coincidência! E esse dicionário é o fim da picada... O mundo está ficando careta demais pro meu gosto. Beijos!