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sábado, julho 10

Homem de Ferro II


Lembro-me do meu professor de histórias em quadrinho que me falou certa vez que é muito complicado levar para as telas os herois dos desenhos, pelo simples fato que eles ficam humanos, demasiadamente humanos, ao ponto de não serem capazes de executar na tela o que rola nas páginas dos gibis. Ou então se transformariam em seres pouco críveis. Talvez. Essa compreensão me afeta todas as vezes que assisto algum derivado das revistinhas de minha infância-adolescência.

Não poderia ser diferente com o Homem de Ferro, herói, confesso, que passou ao largo dos meus preferidos. Achava aquele artifício de sempre ter de carregar as baterias um saco. Fui assistir ao primeiro, confesso, mais para ouvir a música do Black Sabath. Queria saber como ela se encaixou dentro do roteiro. Não se encaixou. Serviu apenas para embalar a subida dos créditos no final. Essa foi a primeira decepção, de tantas outras que viriam em seguida.

Mas estamos falando do Iron Man II. Gostei da criatividade do roteirista que deu ao personagem Tony Stark um espírito muito mais bem humorado do que o soturno das HQs que lhe deu vida. Nos quadrinhos ele estava sempre deprimido com a morte iminente, e a recusa de se envolver com alguém por ter a vida sempre por um fio. Acho que ele percebeu que no primeiro filme, quando o personagem principal adotou uma postura politicamente correta de preocupação com os destinos da humanidade a história caiu muito em ritmo e em interesse. Daí, foi ressucitado o Tony Stark do começo do primeiro filme. Não dá de forma nenhuma para ver o segundo como uma continuação do anterior. As peças simplesmente não se encaixam.

Filme que é filme deve ser visto como uma obra acabada, que até aceita sequências. Salvo raras exceções, que todos devem saber quais são. Para assistir o dois é dispensável o um. Basta ter algum conhecimento prévio do quadrinho, mesmo Tony Stark vivendo uma nova encarnação de playboy bonachão, despreocupado com valores morais, megalomaníaco ao ponto de se considerar o grande fiador da paz mundial. Galinha, daqueles que passa a mão em toda mulher que lhe atrai. Isso rende algumas piadas, do tipo quando olha para Scarlet Johansson (Viuva Negra) e diz "quero uma", como se a sua secretária, vivida por Gwyneth Paltrow fosse capaz de suprir essas "encomendas".

Até aí, tudo bem, mas a coisa fica meio de serra acima quando o seu melhor amigo, um certo coronel do exército, se irrita com um porre que Tony, vestindo a sua indefectível armadura, e após também trajar uma roupa metálica mimetizando o nosso heroi, sai no braço , jatos propulsores e rajadas mortais de energia com o até então amigo. Não satisfeito, trafica o traje que é confesso objeto de desejo do Governo Americano e o entrega para o maior rival do empresário bonachão. Diga-se de passagem que esse coronel já tinha falado coisas que poderiam prejudicar Stark em uma comissão do Congressso Nacional.

Parece-me que o Homem de Ferro ou é profundamente ingênuo, coisa que o filme até então desmente o tempo todo, ou adora ser traído. Não é que o mesmo coronel que aprontou com ele termina fazendo uma parceria no grand finale? Isso, na minha precária avaliação, é fazer os outros de tolo. Todos nós sabemos da irreverssibilidade ao se passar para o negro da força em histórias de capa e espada. Lord Darth Vader só se recupera quando está à beira da morte. Mas esse coronelzinho transita com muita desenvoltura entre os dois lados. Rouba uma armadura do homem de ferro e a troca por algumas armas que poderiam ser encontradas em qualquer mercado negro dos morros cariocas. Logo em seguida, volta para auxiliar no combate às forças do mal. Estranho, bizarro, mal construído, mal amarrado esse coronel. Mas, para alguém que gosta das pirotecnias hollywoodianas proporcionadas por efeitos visuais, o Homem de Ferro II está bem servido.

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