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sábado, fevereiro 6

Com muito orgulho

Desenha-se uma bandeira, cria-se um hino e obriga-se todos a cantarem de pé, em posição de respeito. Pronto, está criado um país. Se todos falarem a mesma língua, um tanto melhor, que ajudar a impor a cultura, através de uma produção eficiente, financiada pelo próprio povo que vai ficar sob o jugo de um poder, que tudo decidirá.

Se possível, inventa-se um inimigo comum. Mostra-se a todos o risco de não seguir os ditames impostos para uma a unificação do Estado. Coloca-se na cabeça do povo que ele deve ter orgulho, muito orgulho, de ser definido por um adjetivo pátrio. Inventa-se músicas para falar desse ufanismo e faz dela tema de todas conquistas daquele sistema cultural. Se determinado jogador ganha uma partida de gamão em terras longínquas, ele representou o país, portanto é alegria para todos. Comemora-se, bebe-se, solta-se rojões. Repercurte-se aquela vitória em toda a mídia disponível, sempre com largos sorrisos do apresentador, que trata o êxito na primeira pessoa do plural.

O desenvolvimento do país é de interesse de todos. Claro! Apregoa-se aos quatro ventos que bons resultados na balança comercial vão gerar mais empregos e todos ficarão felizes em contribuir para o crescimento da nação. Não importa se você continua andando de ônibus e o seu patrão de mercedes. Não importa se você passa as férias com a família no interior do Estado, enquanto o seu patrão que faturou os tubos às custas de seu trabalho e de tantos outros empregados pode escolher que país ou países do hemisfério norte irá desfrutar os próximos 40 dias, pagando euros aos milhares.

Não se preocupe, vivemos em paz e o Estado tudo está fazendo para garantir as nossas fronteiras. Mesmo que para isso não possa investir em saúde, educação, segurança. Mas isso não é problema, se você faz parte do topo da pirâmide. Temos escolas privadas, que custam a bagatela de um salário mínimo, no mínimo por mês (que para a grande maioria é o máximo), planos de salários capazes de financiar as mais caras doenças e fortes aparatos de segurança privada, com eficiência suficiente para blindar os vidros do seu carro, da sua casa, torná-lo refém da horda que nos cerca.


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