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sábado, fevereiro 16

Mares da Espanha II


O velho corsário não é cronologicamente tão antigo. O desgaste do tempo, enfiado em galés desde muito cedo, que lhe deu o ar de veterano. Iniciou na vida náutica antes de completar 18 anos. Sua primeira viagem foi para as Américas, acompanhando o pai, que traficava escravos para o novo mundo. Atividade que não concordava, mas ainda não tinha a estrutura mental e o vigor que uma rebeldia de tão elevada monta suscitaria. Acomodou os seus sentimentos em relação ao sofrimento imposto à carga e empenhou-se em aprender, na prática, a arte da navegação. A emoção desencadeada por colocar pela primeira vez os pés em uma embarcação marinha lhe conferiu a certeza que era aquela a vida que viria abraçar pelo resto de seus dias. O odor salino trazido pela leve brisa e o som da água mansa chocando-se no casco reforçavam a quimera que o envolveu.

Foi o piloto espanhol Juan de la Cosa o seu instrutor. Um homem com gris nas têmporas, de poucas palavras e expressões fechadas que se afeiçoou por aquele quase imberbe jovem e passou a transmiti-lo tudo o que sabia sobre a precisa arte de navegar. Em pouco tempo, Vincent já conhecia as posições estelares, usava com desenvoltura o sextante e era capaz de manter o barco firme na rota, baseando-se na posição da bússola. Seu pai gostava do que via, imaginando em pouco tempo deixar as travessias para usufruir a pequena fortuna que conseguiu amealhar no mercantilismo. Os recursos advindos desta atividade lhe proporcionaram até ingressar na nobiliarquia ibérica, comprando o título de Marquês de Toledo.

Desta primeira excursão a mares nunca dantes navegados por Vicent ao comando o seu próprio barco foram só dois anos. A primeira nau foi dada por seu pai, após servi-lo por este período. Juan de La Cosa ainda permaneceu ao lado por alguns anos, porém sucumbiu a uma enfermidade tropical. Vicent logo percebeu que nunca mais gostaria de ver escravos sob o seu jugo, e trocou as rotas ao novo mundo por viagens que o levaram ao oriente e ao comércio de seda, e outros manufaturados tão desejados em toda Europa ocidental.

Rapidamente reuniu posses porque sempre conseguia sair-se vitorioso em pilhagens realizadas contra outras naves desavisadas ou até pequenas cidades que não possuíam fortificações capazes de fazer frente ao poderio naval de Vicent. Mas os combates do passado e as intempéries o deixaram com a aparência correlata a sua longa experiência. Era também um homem que inspirava respeito por sua aparência física.

Após ter cruzado o caminho da bela Alicia nas proximidades do cais, Vicent atribuiu à longa permanência no mar a razão dos seus sentimentos. Muito tempo afastado da presença de mulheres seria a causa da sua rápida e disfarçada mudança de humor. A vida o havia forjado a ter somente desejos e repulsas, até então. As trapaças da sorte não o tinha possibilitado a lapidação de outras formas de sentir e de se relacionar. Tudo era provisório, rápido, sem planos de longo prazo. E tudo irá mudar mais uma vez, em breve.

5 comentários:

Malabei disse...

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www.jotelog.cl/jornalintimo disse...

que sessão você vai?
tô a fim de ir assistir, o problema é que o iguatemi é estressante. de qualquer forma, se você for, me diz qual a sessão, certo?
abração

www.jotelog.cl/jornalintimo disse...

Acho que dei uma mancada.
Preciso de uma chance para me redimir.

Ivan disse...

Sorry. Look please here

www.jotelog.cl/jornalintimo disse...

posta, Julio