quinta-feira, agosto 25
quarta-feira, agosto 17
Super 8
Parafraseando um amigo meu: queriam fazer uma homenagem ao Spielberg mas fizeram mesmo foi uma sacanagem. Já havia prometido a mim mesmo não comentar sobre blockbusters. Primeiro porque informações a respeito desses filmes há aos montes, para todos os gostos. Segundo porque ninguém vai sair de casa para assistir produções dessa natureza baseado em críticas, mas por conta da propaganda massiva que se abate sobre a humanidade. E terceiro porque a gente pode empregar o tempo de uma forma mais produtiva.
Mas alguns motivos me levaram a quebrar a minha autoimposta promessa. A primeira delas foi a grande decepção com o roteirista JJ Abrams, que também escreveu e dirigiu os seriados Lost e Fringe, que possuem excelentes narrativas, tramas intrincadas, bem resolvidas e climas reais de suspense. A segunda é para dizer que apesar de Super 8 ser constantemente citado como uma reverência ao diretor de ET eTubarão (apenas para falar dois de seus megassucessos), que assina a produção desse samba-do-criolo-doido, o filme é uma pura perda de tempo.
O filme narra uma história de alguns adolescentes que estão produzindo um filme em super 8 (tipo de película que iniciou Spielberg no meio) em uma estação, quando acontece um acidente. Um caro invade a linha do trem e descarrila a composição propositadamente. A partir daí uma série de fenômenos passam a acontecer na pequena cidade, onde se desenvolve a cena.
Em pouco tempo os jovens descobrem que os acontecimentos misteriosos têm como pano de fundo um extraterrestre que viajava no trem do exército. Só que o alienígena nada tem a ver com o simpático ET spielberg-ano. Está mais para um alien ou um predador, já que a criatura é belicosa, agressiva e canibal.
Desse ponto em diante, os lugares comuns são diversos. O et passa a ser caçado pelo exército e pela curiosidade infanto-juvenil dos jovens cineastas ao mesmo tempo que toca o terror no vilarejo, matando e devorando pessoas sem motivo aparente a não ser o de cumprir a função de apavorar a plateia. E não faltam musiquinhas de suspense o tempo todo, já que a história, por si só, está mais para causar sono do que medo no público.
Também não faltam subtramas clichês. O menininho se apaixona pela menininha, mas o romance tem como principal obstáculo ambos os pais, que se odeiam entre si e não querem ver os filhos próximos um do outro. Há também relações difíceis entre pais e filhos e tudo se resolve no final, como esses filmes teimam em mostrar, sem nunca imaginar um outro final minimamente criativo.
Aqui vai um spoiler. No final, o bicho, que parece mais um alien oitavo passageiro se mostra ser um ser altamente evoluido possuidor de tecnologias super avançadas e capaz de clemência. Aaãh? Puro tempo mal empregado. Bem, para não perder a viagem toda, procure descobrir as citações dos filmes do Spilberg. Tem ET, Contatos Imediatos, Tubarão, Encurralado... vale a pena? Bem, se não, há ainda uma esperança, o curta produzido pelos jovens é exibido ao subir os créditos finais.
quinta-feira, julho 7
Eu, Minha (Quase) Namorada e o Guru Dela

Procurei alguma coisa escrita sobre o livro que acabei de ler "Eu, Minha (Quase) Namorada e o Guru Dela. Na googlada que dei, não achei mais que curtas sinopses de sites de livrarias. Meio decepcionante. Se eu corresse atrás de algo sobre um filme tenho certeza que os resultados seriam bem mais amplos. Só para confirmar o quanto a nossa cultura está quase que abominando a literatura. Nada fica falado, divulgado, conhecido em massa sem antes passar por uma tela de cinema.
Dificuldades à parte, gostei da leitura. Não é tão engraçado quanto um comentário atribuído ao 'The Times" , aposto na capa, diz que é, mas é divertido. A história contada em primeira pessoa pelo autor William Sutcliffe lembra o estilo de J. D. Salinger, autor de O Apanhador No Campo de Centeio, misturado com Charles Bukowski, em Misto Quente. Dave concluiu os seus estudos na escola secundária e está prestes a ingressar na faculdade, quando resolve fazer uma viagem de 3 meses a Índia, na companhia da namorada de um amigo.
Suticliffe passa um visão do país visitado pelo protagonista mais pragmática. Não aquela Índia mística, com um guru em casa esquina, mas um país de terceiro mundo, onde a maior parte da população vive em meio a pobreza, lutando contra as condições adversas pela sobrevivência. E importunar turistas em busca de um trocado faz parte dessa rotina.
A Índia dos Ashrams é mostrada como um artigo de consumo para turistas. Onde por alguns punhados de rúpias é possível se internar em um por alguns dias ou semanas, em busca da transcendência, o nirvana, ou similares. O choque cultural entre o jovem inglês e o ambiente asiático conduz boa parte da trama. O livro é interessante, prende a atenção e diverte. Mas é leitura rápida. São só 300 páginas, em letras graúdas, o que faz o preço do exemplar, mais de R$ 40,00, parecer ainda mais caro. Melhor mesmo baixar na net e ler em algum tablet. Fiquei com vontade de ler outros livros do autor, "Má Influência" e "Que Te Faça Feliz".
quarta-feira, julho 6
Uma Doce Mentira

Comédias românticas têm sempre finais previsíveis. Ou então não seria comédia, e sim tragédia. Afinall, os aficcionados do gênero querem ver exatamente isso: um casal apaixonado chegando a bons termos até o final do filme. Então, quem espera algo diferente disso vai perder tempo. E Uma Doce Mentira não foge desses parâmetros.
O que faz a diferença é a engenharia do roteiro, além da interpretação dos atores. Claro que nenhuma interpretação é capaz de superar as falhas roteirísticas, mas faz alguma diferença, tornando suportáveis eventuais deslizes.
As comédias românticas se sustentam mais pela criatividade de cenas inusitadas. E essas são em profusão neste filme. A começar pelo poligolta ex-funcionário da Unesco Jean (Sami Bouajila) que resolve iniciar a vida sendo um faz-tudo em um salão de beleza, e se apaixona pela dona do estabelecimento, Emilie (Audrey Tautou, de Amelie Poulan). A cena inicial já é hilária. Um mulher em dúvida sobre cortar ou não uma franja.
O amor dele é platônico, porque ele se passa por alguém se nenhuma instrução graduada. Porém, suas habilidades começam a ser descobertas quando ele trava um ríspido diálogo com dumas orientais, na língua nativa delas. Isso assusta Emilie, que se vê enganada e o demite. Pouco tempo depois a demissão é revogada.
Jean, um moreno, que na pequena cidade francesa deve ser considerado negro, não tem coragem de revelar seus sentimentos, e resolve escrever uma carta apaixonada. O certo pendor literário do personagem fica justificado pela sua formação em Harvard. Emilie não dá a mínima, mas resolve usar o mesmo texto para enviar uma correspondência anônima a sua mãe que se encontra deprimida por ter sido largada pelo marido há quatro anos. Aí começam os problemas.
A sua máe, Mardy, realmente sai da depressão, diante da perspectiva de um novo caso amoroso em sua vida. E as dificuldades de se manter a mentira estabelecida sem causar estragos nos sentimentos da mãe passam a ser as principais preocupações da filha. No meio desse rolo, muitas situações inusitadas são geradas, inclusive a contratação de Jean para se fazer de amante secreto.
O filme é divertido, criativo, e suficientemente amarrado para prender o interesse até o fim, sem nunca enveredar para o melodrama. Vale a pena.
UMA DOCE MENTIRA (De Vrais Mensonges, França, 2010)
Direção: Pierre Salvadori
Roteiro: Pierre Salvadori, Benóit Graffin
Elenco: Audrey Tatuou, Nathalie Baye, Sami Bouajila, Didier Brice
Duração: 104 min
Marcadores:
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Uma Doce Mentira
quarta-feira, junho 29
Meia Noite em Paris

Woody Allen volta a ser Woody Allen no Meia Noite em Paris. O personagem protagonista é visivelmente o diretor-roteirista, se tivesse uns 50 anos a menos. Como o tempo passou, ele escalou Owen Wilson para o papel de Gil Pender, um roteirista hollywoodiano que se encontra infeliz com a sua condição escritor de filmes rasos, porém de sucesso, para as produtoras de cinema da California. Quer mudar o seu destino e viaja a Paris, ao lado de noiva e futuros sogros buscando inspiração para concluir o seu primeiro romance para não precisar mais se envolver com a indústria do show business de Los Angeles.
Porém não são só os roteiros que escreve que não o satisfazem. Às vésperas do casamento, demonstra uma certa tibieza com a sua decisão de ir ao altar, porém com uma alguma resignação. Afinal todos têm diferenças entre si, ele e a noiva também. Nada mais que isso. Os futuros sogros não gostam do quase genro, surgem diferenças até de ordem política. Eles são republicanos, em toda a extensão que isso representa e o protagonista, não. Bem woody Allen mostrando de forma escrachada toda a defesa empedernida do way of life da América que os americanos Wasp ainda se apegam. O diretor trata com ironia deslavada as tentativas dos sogros ianques de desqualificar a cultura francesa, sempre se colocando em um pedestal acima.
O desconforto que o roteirista tem com as produções de Hollywood são de ordem intelectual. Ele é bem remunerado e a noiva o incentiva a continuar na carreira. Porém ele não quer voltar a trabalhar em obras sem nenhuma profundidade ou qualidade artística. Woody Allen também despreza esse cinema da costa oeste. Tanto é assim que nunca foi buscar as estatuetas da academia que já arrematou. Prefere Nova Iorque ou paragens europeias.
Em Paris , Gil e a noiva Inez (Rachel Mc Adams) tem o azar (ou a sorte) de encontrar um ex-professor dela, Paul (Michael Sheen) que arrota cultura insinuando-se ser superior aos demais seres vivos. Porém, não demonstra nenhuma empatia com as obras visitadas ou com os autores. Prefere fazer descrições, empulhar dados e desfiar datas a falar sobre a essência das pinturas, arquiteturas ou esculturas. É claro que Inez, republicana como ela, se derrete com aquele ar blasé do professor. Gil, visivelmente descontente com a situação, busca programações alternativas e se desgarra da noiva durante as noites parisienses.
Depois de tomar alguns vinhos em um determinado bar da capital francesa, Gil se ver surpreendido por um carro antigo com aparência de recém saído de fábrica que lhe oferece carona. Não se relutar, ele aceita o convite e descobre que os seus hostess são nada menos que o casal Fitzgerald, que o leva para uma série de lugares, onde o protagonista conhece pessoas como Hemingway, Salvador Dali, Pablo Picasso, T.S. Eliott, e Gertrude Stein, que aceita ler o seu livro e oferecer sugestões para melhorá-lo. Afinal, há muitas diferenças entre roteiros rasos e obras literárias de qualidade e Gil ainda está inseguro quanto aos seus dotes literários. Gertrude era amiga pessoal de Picasso, Matisse, James Joyce e Hemingway e uma espécie de alterego de todos.
Gil se vê entre dois mundos. Aquele que ele tanto sonhava e que julgava ser o maior momento da evolução humana, os anos 20, na cidade que considera o modelo para humanidade, Paris, e o tempo real, onde uma noiva meio ou muito sem sal o aguarda para uma vida em que já está acostumado a levar e que apesar de tudo, acostumou-se e vive sem sobressaltos.
O contato com uma outra realidade possível lhe põe dúvidas. Acho que da mesma natureza das que teve quando resolveu separar-se de Mia Farrow e passou a viver com a enteada Soon Yi. O desfecho a partir daí torna-se previsível, principalmente porque foi impulsionado por incidentes de natureza carnal. Ele tem que decidir entre continuar com a sua vidinha ou se aventurar mudando-se para Paris e todas as representações que isso significa.
O filme é bastante instigante e nos leva a pensar sobre vidas possíveis, e a certeza que de só saberemos sobre o que iremos escolher. Os "ses" se perdem na linha do tempo. Muito bom filme, que não poupa nem os medalhões da cultura mundial, dando-lhes traços caricatas. Impagável Dalí sempre tão preocupado com as formas dos rinocerontes.
PS. Filme digno de um oscar, que nunca ganhará por ser um desafeto da academia.
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domingo, junho 26
Esposa de Mentirinha

Comédias românticas têm um grave defeito. São sempre muito previsíveis. E esta não é diferente. Logo de cara, a gente identifica o casal que vai fazer par até o final do filme. Mas neste gênero, é também importante apreciar a paisagem. Sem dúvidas, Esposa de Mentirinha é um legítimo e forte candidato a uma sessão da tarde. Não mais que isso.
O filme conta a história de Danny (Adam Sandler) um cirurgião plástico que é avesso a relacionamentos duradouros porque quando jovem descobriu que a sua noiva havia sido infiel na véspera de seu casamento. Para se manter na solterice, finge-se de casado e infeliz em seu casamento, o que é suficiente para atrair a compaixão de outras mulheres jovens e igualmente solteiras nos bares da vida.
A tática funciona muito bem até que ele se apaixona por uma jovem professora, Palmer, que quer conhecer sua mulher e seus filhos. Danny faz a sua atendente, auxiliar e confidente Katherine (Jennifer Aniston) se passar pelo personagem inventado. O previsível movimento pendular entre um relacionamento e outro se passa no Havaí, onde surge Devlin (Nicole Kidman), um antigo desafeto de Katherine.
De positivo, vale a crítica a cirurgias plásticas e a busca eterna pela perfeição estética que tanto acompanha grande parte das mulheres. É apenas um filme divertido, dependendo da paciência de quem assiste. Nada mais. Alguns críticos o detonam. Mas não é tão horrível assim, acreditem. É só uma produção destinada ao público feminino.
sexta-feira, junho 24
Matador em Perigo e Assassinato à Preço Fixo


Depois de Homens com Cheiro de Flor, do Joe Pimentel, mais dois filmes sobre pistolagem me chegaram aos olhos, por esses dias. Matador em Perigo e Assassino à Preço Fixo. O primeiro é um triller de ação, refilmagem de uma produção de 1972, interpretado pelo sempre cara de mau Charles Bronson. O segundo, uma comédia.
Mas os dois tem uma coisa em comum: procuram fazer com que o público se identifique com o matador. Acho que isso tem a ver com o momento em que os Estados Unidos passam, se obrigando a promover assassinatos em vários pontos do planeta. Aliás, penso que nunca existiu um tempo em que os americanos não estivesse à caça de alguém fartamente estampado como inimigo da humanidade.
Em Assassino à Preço Fixo, o sempre canastrão Jason Statham faz o que está tão acostumado a repetir nas telas: exibição de músculos, alguma arte marcial, a impessoal expressão facial que serve tanto para mostrar felicidade, tristeza, alegria ou raiva. Quem já assistiu qualquer interpretação(?) desse ator viu todas. O assassino codinome o Mecânico, interpretado por ele, inicia o filme promovendo um assassinato contratado a preço de ouro na Colômbia. Claro, o inimigo deve ser controlador de algum cartel de coca, apesar de isso não ficar explícito. Nada mais justificado do que assassinar em território estrangeiro e nenhum julgamento formal um traficante.
Logo após esse assassinato que abre o filme, o Mecânico é contratado para dar cabo ao seu antigo contratante, sobre a alegação de que ele estaria pondo em risco a indústria de homicídios. É um velho amigo seu, mas fazer o quê, quem paga, tem direito ao serviço. O matador cumpre a missão, mas só depois descobre que foi enganado. E aí passa a perseguir os seus contratantes. Pronto, o filme é esse. Um caçada com todos os requintes de estúdio e de efeitos especiais que Hollywood permite. Tudo feito às claras e sem a menor preocupação com o aparelho estatal. Polícia não aparece sem como coadjuvante. Para quem gosta do gênero, boa sorte, ideologias à parte.
Matador em Perigo é mais divertido. Uma comédia onde o pistoleiro Victor Mainard ( Bill Nighy de Piratas do Caribe) passa-se por um lord inglês. Ou melhor, tenta ser esse lord, e até estuda francês. Mas ele não é o protagonista. Esse posto é ocupado por Rose (Emily Blunt de O Diabo Veste Prada), uma ladra inveterada, que rouba tudo que vê pela sempre. Ela resolve dar o seu golpe de mestre, vendendo uma falsificação de Van Gogh. Só que a tramoia é descoberta e o colecionador lesada contrata o pistoleiro para matá-la.
Porém, em vez de cumprir a sua tarefa, Mainard prefere defendê-la de outros pistoleiros, os próprios capangas do colecionador, que por conta e risco pretendiam executar Rose, numa tentativa de agradar o patrão. Após um tiroteio em um estacionamento de prédio, Rose e Mainard escapam em um carro e ela o contrata como segurança, sem saber que ele havia sido incubido de sua execução.
A comédia é bem divertida. E pelas informações não será levada as telas, se resumindo a DVDs em locadoras. Para ver sem compromisso.
Assisti também recentemente Sucker Punch, um filme estranho, que se alguém desejar posso comentar alguma coisa a respeito.
Matador em Perigo' (Wild target)
Elenco: Rupert Grint, Bill Nighy e Emily Blunt
A trama é uma refilmagem de Cible Emouvante, do diretor francês Pierre Salvadori.
Direção: Jonathan Lynn.
Assassino à Preço Fixo (The Mechanic)
Elenco: Jason Statham, Ben Foster, Donald Sutherland, Jeff Chase, Joel Davis.
Direção: Simon West
PS. Também assisti o novo X-Men. Nada a comentar. Mais do mesmo.
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