“É comum a Apple manter parceiros reféns ao modelo de suspense sobre o lançamento do produto e até mesmo sobre quando os produtos chegarão aos estoques’’
Jornal o Povo de hoje
sexta-feira, dezembro 3
sexta-feira, novembro 26
Hoje no morro não toca Raul

Uma casa que tem uma encanação velha, quando se tenta conter um vazamento, inexoravelmente a pressão vai abrir um furo em outro lugar. É só uma questão de tempo. Para mim, é exatamente isso que está acontecendo no Rio de Janeiro. O dono da casa resolveu sacudir o mundo do narcotráfico depois que carros começaram a ser incendiados em protesto por transferências de presos. A reação dos marginais serviu de mote na guerra da comunicação. Finalmente, a opinião pública ficou ao lado das ações policiais. Quem se comunica melhor é capaz de seduzir a comunidade com o seu discurso. Pode fazer tudo o que quiser, enquanto não perder o apoio popular.
E nessa balança, o lado do bem muda constantemente. Hoje, não se conta mais o número de morte de trabalhadores. Isso passou a ser efeito colateral. O cerne da questão é passar para a opinião pública a ideia de que o Estado, após dezenas de anos, voltou a ter o controle de regiões cariocas antes sob o poder de traficantes, milícias e afins. O que é verdadeiramente real conta muito pouco.
Ninguém está disposto a entender todo o processo que levou a este estado de coisas. O carioca quer de volta o direito de andar nas ruas de sua cidade sem ser alvejado, tão somente. O resto, pode ficar para depois. Não interessa ser discutido quem vai pagar a conta, aonde vai ser gerada a riqueza que irá encher as barrigas de homens, mulheres crianças e idosos, antes supridas pelo dinheiro advindo da venda de crack, maconha, cocaína e afins. Também não vale a pena ser detalhado o modelo que levou a tudo isso ser catalizado.
A espoleta foi a transferência de um certo Márcio Nepomuceno, também conhecido como Marcinho VP de uma penitenciária para outra. O Estado não conseguiu ao longo de vários anos impedir que um sujeito, de dentro de um presídio continuasse no comando do narcotráfico. O cara está há 11 anos detrás das grades e mesmo assim todos os seus comparsas ainda batem continência.
Não há como controlar a comunicação de presos com a comunidade. A Ordem dos Advogados do Brasil defende peremptoriamente que bandidos e advogados possam ter audiência reservadas, longe dos olhos e ouvidos das autoridades. Um juiz pode autorizar que qualquer suspeito seja grampado, vigiado, espionado. Mas um bandido com um rosário de crimes nas costas pode continuar controlando o crime, casando e batizando, sob as bençãos da tão bem conceituada instituição dos advogados.
Em uma democracia, todas as ações políticas visam a conquista da opinião pública. Precisa-se ter um discurso bem elaborado capaz de conquistar corações e mentes em cada passo que se deseja dar. O poder tem vontade própria e os homens se colocam a serviço dele, e não o contrário. Nunca. Agora está fácil de se invadir favelas com tanques de guerra, o que antes seria impensável. Mas esse jogo, como em várias oportunidades anteriores, vai virar. Logo, logo vão aparecer os autores de outros discursos. Pessoas inocentes estão morrendo, os problemas sociais não estão se reduzindo, a população continua sofrendo. É só uma questão de tempo.
O narcotráfico tomou de conta dos morros cariocas porque não rende voto ações enérgicas das polícias contra segmentos da população. As fronteiras foram relaxadas, porque o Brasil não produz coca. Toda ela entrou de alguma forma, e em muitos casos tiveram facilitadores. Já ouvi falar até de ambulância de prefeitura transportando droga. Mas isso é outro caso.
É claro que droga não é afeita somente aos países pobres. Todos têm seus problemas nessa área. Mas, sem qualquer dúvida, no Brasil a questão tem fortes componentes sociais. O exército do narcotráfico é infinito, enquanto houver jovens desesperançados, sem perspctivas de uma vida digna, sem condições de igualdade na árdua competição do capitalista mercado de trabalho. Todo mundo quer usar nike, todo mundo quer andar dentro dos panos, ir a shopping, ter namorado sarado e namorada loura. Por que só uns têm esse direito enquanto a grande maioria, não?
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segunda-feira, novembro 15
Desonestidade intelectual
Vou ser breve porque acho que o assunto não merece um esforço maior, mas também não deve passar despercebido.Poucas coisas me causam a indignação de uma desonestidade intelectual. Alguém culturalmente privilegiado, que possui a capacidade mental de discorrer sobre determinado recorte da realidade de forma convincente, até mesmo eloquente, se utilizar dessas ferramentas para fins mesquinhos, malévolos. Isso mexe com os meus nervos, certamente. Principalmente, quando se trava neste país uma luta desigual e as vezes desumana por dias melhores para a grande maioria da população. Ninguém merecia ler determinadas coisas publicadas pela Folha de São Paulo.
Nesta sexta-feira li uma ignomínia assinada por uma certa professora de direito, Janaina Conceição Paschoal da Universidade de São Paulo - USP, fazendo a defesa da estudante Mayara, autora de textos de microblog vociferando contra os eleitores da presidente Dilma e conclamando todos a matar um brasileiro morador de fora do eixo Sudeste-Sul do país. Segundo essa articulista da FSP, teria sido Lula quem iniciou toda essa divisão nacional, e que antes do petista, o Brasil era uma nação unida, como todos os brasileiros vivendo como irmãos. Em outras palavras, a xenofobia, o racismo, o separatismo foram obra do ex-metalúrgico. Com Serra tudo seria diferente.
Texto literal publicado na sessão de opinião da Folha da professora uspiana: "É o nosso presidente quem faz questão de separar o Brasil em Norte e Sul. É ele quem faz questão de cindir o povo brasileiro em pobres e ricos. Infelizmente, é o líder máximo da nação que continua utilizando o factoide elite, devendo-se destacar que faz parte da estigmatizada elite apenas quem está contra o governo."
Dito isso,a professora ainda chama o país a uma reflexão. Será que ela não sabe que os estados mais pobres do país não estão nesta condição porque os recursos do país foram historicamente usados para promover o desenvolvimento dos mais ricos? Que apesar de um terço da população nacional viver nesses estados mais pobres só têm direito a 10% do bolo nacional dos investimentos federais? Que sempre que aconteceram levantes por conta de tantas injustiças foi o poder central, localizado no Sudeste do Brasil que esmagou com punho de ferro os ideias libertários? Que foi o ministro do Planejamento José Serra que exterminou a Sudene, a Suframa e quis extinguir a Zona Franca de Manaus?
São acontecimentos emblemáticos de conhecimento de qualquer aluno de nível médio. Não quero crer que uma professora universitária de uma das mais bem conceituadas faculdade de direito do país seja tão desinformada, mesmo sendo paulista. E o mais grave é querer enganar o restante dos paulistas através de seu artigo. É para isso que serve a liberdade de imprensa?
Não quero me alongar demonstrando que os estados pobres sempre foram tratados como um problema de si próprios enquanto que os problemas do restante do Brasil é sempre visto como um problema nacional. Se os exportadores paulistanos estão com dificuldades, o problema é nacional, se o narcotráfico no Rio de Janeiro está gerando um poder paralelo, é problema do país, se o setor de calçados do Sul do país enfrenta concorrência do mercado internacional, preocupe-se Brasília. E se o coronelismo ainda impera nos sertões, ah! isso é problema cultural! Nada tem a ver com a gente! Eles que se resolvam!
Nesta sexta-feira li uma ignomínia assinada por uma certa professora de direito, Janaina Conceição Paschoal da Universidade de São Paulo - USP, fazendo a defesa da estudante Mayara, autora de textos de microblog vociferando contra os eleitores da presidente Dilma e conclamando todos a matar um brasileiro morador de fora do eixo Sudeste-Sul do país. Segundo essa articulista da FSP, teria sido Lula quem iniciou toda essa divisão nacional, e que antes do petista, o Brasil era uma nação unida, como todos os brasileiros vivendo como irmãos. Em outras palavras, a xenofobia, o racismo, o separatismo foram obra do ex-metalúrgico. Com Serra tudo seria diferente.
Texto literal publicado na sessão de opinião da Folha da professora uspiana: "É o nosso presidente quem faz questão de separar o Brasil em Norte e Sul. É ele quem faz questão de cindir o povo brasileiro em pobres e ricos. Infelizmente, é o líder máximo da nação que continua utilizando o factoide elite, devendo-se destacar que faz parte da estigmatizada elite apenas quem está contra o governo."
Dito isso,a professora ainda chama o país a uma reflexão. Será que ela não sabe que os estados mais pobres do país não estão nesta condição porque os recursos do país foram historicamente usados para promover o desenvolvimento dos mais ricos? Que apesar de um terço da população nacional viver nesses estados mais pobres só têm direito a 10% do bolo nacional dos investimentos federais? Que sempre que aconteceram levantes por conta de tantas injustiças foi o poder central, localizado no Sudeste do Brasil que esmagou com punho de ferro os ideias libertários? Que foi o ministro do Planejamento José Serra que exterminou a Sudene, a Suframa e quis extinguir a Zona Franca de Manaus?
São acontecimentos emblemáticos de conhecimento de qualquer aluno de nível médio. Não quero crer que uma professora universitária de uma das mais bem conceituadas faculdade de direito do país seja tão desinformada, mesmo sendo paulista. E o mais grave é querer enganar o restante dos paulistas através de seu artigo. É para isso que serve a liberdade de imprensa?
Não quero me alongar demonstrando que os estados pobres sempre foram tratados como um problema de si próprios enquanto que os problemas do restante do Brasil é sempre visto como um problema nacional. Se os exportadores paulistanos estão com dificuldades, o problema é nacional, se o narcotráfico no Rio de Janeiro está gerando um poder paralelo, é problema do país, se o setor de calçados do Sul do país enfrenta concorrência do mercado internacional, preocupe-se Brasília. E se o coronelismo ainda impera nos sertões, ah! isso é problema cultural! Nada tem a ver com a gente! Eles que se resolvam!
domingo, outubro 24
Muito além de um Rojas
Tudo bem! Vocês podem entregar as principais empresas nacionais em troca de gordas propinas, podem sucatear as universidades e o restante do ensino público, podem congelar salários de servidores, podem deixar serem destruídas as rodovias, podem continuar favorecendo o capital internacional, podem deixar o país em eterno endividamento com o FMI, podem arrebentar com os pobres, aumentar o número de miseráveis, ampliar as desigualdades sociais e deixar uma geração sem esperança. Só não podem liberar o aborto. O resto a gente aguenta.
Parece que é isso que parte de uma nação está dizendo ao escolher uma certa candidatura que pretende tratar o país como se fosse uma horda de idiotas, sem nenhuma possibilidade de discernimento. Se o bom senso prevalecesse essa eleição seria a zero. 100 milhões de votos contra nenhum. Nem o #serrarojas votaria em si mesmo, sabedor que é das suas programadas tretas quando de posse do poder nacional.
Mas a vida, infelizmente, não é assim. Há uma multidão que se rende a discursos insólitos simplesmente porque reveste de infabilidade determinadas lideranças. Se o meu pastor falou, se o meu padre falou, se o meu prefeito falou é verdade, só pode ser verdade. Aliado a isso há uma mídia que anda de braços dados com o tucanato, vislumbrando, com a tomada do poder, gordos contratos. Em vez de serem codificadores das representações da realidade, os meios de comunicação passaram a gerar discursos que ajudam a defender e referendar candidaturas tucanas. A imprensa me parece que retornou ao século XIX, e início do século passado, quando representava partidos políticos ou ideologias, abertamente. Tinha o jornal republicano e o monarquista, o do PSD e o da UDN, O escravocrata e o abolicionista. Agora, são todos os meios de comunicação, ou quase todos, árduos defensores do neo liberalismo.
Só que agora, ao contrário daquela época onde as cartas eram marcadas, as coisas são dissimuladas para facilitar o engodo. A mídia faz de conta que é neutra para ter um maior poder de destruição como discurso majoritário. A ideia é fazer de coisas irrelevantes, como a liberação do aborto (que não depende da presidência para acontecer) assunto de primeira grandeza. Se é capaz de tirar votos, então que se explore até que todo o desgaste possível tenha sido realizado.
Mais ridículo ainda é tentar transformar em agressão severa um incidente de campanha. Vai que Serra tivesse mesmo sido atingido por uma pedrada e estivesse neste momento em coma. Que provas foram apresentadas sobre a autoria do atentado? Alguém apareceu como o autor do pseudo crime? Por que a Globo, que é capaz de nominar de simples acusado um assassino, como o caso do goleiro Bruno, saiu logo disparando e dizendo que tinha sido um petista quem arremesou uma suposta e pouco real bobina adesiva? E se foi um militante tucano? Ou uma armação do próprio Serra para se sair de vítima? Ninguém trabalho com essas hipóteses, que são normas de qualquer manual de jornalismo.Nenhum repórter minimamente preparado pode comprar versões que não se sustentam. Bem, os tucanos querem o fim da profissão de jornalista, mas isso já é outra história...
Se persistia ainda alguma dúvida sobre o comportamento da rede Globo em questões políticas, acho que agora não há com se ter ainda. Sabemos o que foi o caso Proconsult, quando a rede quis sustentar a vitória de Moreira Franco contra Brizola, a famigerada edição do debate entre Lula e Collor, mas agora todos os limites da ética foram ultrapassados.
Inventou-se um atentado sem nenhuma prova, uma agressão aonde não existe nenhum corpo delito, o candidato não mostrou nem o roxo da suposta pancada e foi introduzida a figura de um Molina, um perito policial que nunca ouviu falar em trucagem de vídeo. Como é que isso tudo pode acontecer e se fazer de conta que tamanho embuste não é um crime de lesa pátria?
O pior ainda é que toda a revolta dos que viram o mesmo que estou vendo se volta para Wiliam Bonner e Fátima Bernardes. É claro que eles têm a sua parcela de culpa. Assim como os nazistas que cumpriram ordens. O casal Telejornal Serra não deveria, em nome da ética, participar de um teatro que visa a ludibriar toda uma nação. Mas os grandes responsáveis são uma quadrilha formada há 200 anos no país, se revezando de pai para filho, com o objetivo de se locupletar da miséria da grande maioria da população.
Infelizmente, por total incompetência da campanha de Dilma Roussef, pessoas como o Serra ainda vão amanhecer em novembro com uma aura de honestos, probos, trabalhadores e competentes aos olhos de muitos. Se fosse eu a comandar essa batalha pelo lado petista, Serra não teria nenhuma condição sequer de se candidatar a síndico de seu condomínio.
Parece que é isso que parte de uma nação está dizendo ao escolher uma certa candidatura que pretende tratar o país como se fosse uma horda de idiotas, sem nenhuma possibilidade de discernimento. Se o bom senso prevalecesse essa eleição seria a zero. 100 milhões de votos contra nenhum. Nem o #serrarojas votaria em si mesmo, sabedor que é das suas programadas tretas quando de posse do poder nacional.
Mas a vida, infelizmente, não é assim. Há uma multidão que se rende a discursos insólitos simplesmente porque reveste de infabilidade determinadas lideranças. Se o meu pastor falou, se o meu padre falou, se o meu prefeito falou é verdade, só pode ser verdade. Aliado a isso há uma mídia que anda de braços dados com o tucanato, vislumbrando, com a tomada do poder, gordos contratos. Em vez de serem codificadores das representações da realidade, os meios de comunicação passaram a gerar discursos que ajudam a defender e referendar candidaturas tucanas. A imprensa me parece que retornou ao século XIX, e início do século passado, quando representava partidos políticos ou ideologias, abertamente. Tinha o jornal republicano e o monarquista, o do PSD e o da UDN, O escravocrata e o abolicionista. Agora, são todos os meios de comunicação, ou quase todos, árduos defensores do neo liberalismo.
Só que agora, ao contrário daquela época onde as cartas eram marcadas, as coisas são dissimuladas para facilitar o engodo. A mídia faz de conta que é neutra para ter um maior poder de destruição como discurso majoritário. A ideia é fazer de coisas irrelevantes, como a liberação do aborto (que não depende da presidência para acontecer) assunto de primeira grandeza. Se é capaz de tirar votos, então que se explore até que todo o desgaste possível tenha sido realizado.
Mais ridículo ainda é tentar transformar em agressão severa um incidente de campanha. Vai que Serra tivesse mesmo sido atingido por uma pedrada e estivesse neste momento em coma. Que provas foram apresentadas sobre a autoria do atentado? Alguém apareceu como o autor do pseudo crime? Por que a Globo, que é capaz de nominar de simples acusado um assassino, como o caso do goleiro Bruno, saiu logo disparando e dizendo que tinha sido um petista quem arremesou uma suposta e pouco real bobina adesiva? E se foi um militante tucano? Ou uma armação do próprio Serra para se sair de vítima? Ninguém trabalho com essas hipóteses, que são normas de qualquer manual de jornalismo.Nenhum repórter minimamente preparado pode comprar versões que não se sustentam. Bem, os tucanos querem o fim da profissão de jornalista, mas isso já é outra história...
Se persistia ainda alguma dúvida sobre o comportamento da rede Globo em questões políticas, acho que agora não há com se ter ainda. Sabemos o que foi o caso Proconsult, quando a rede quis sustentar a vitória de Moreira Franco contra Brizola, a famigerada edição do debate entre Lula e Collor, mas agora todos os limites da ética foram ultrapassados.
Inventou-se um atentado sem nenhuma prova, uma agressão aonde não existe nenhum corpo delito, o candidato não mostrou nem o roxo da suposta pancada e foi introduzida a figura de um Molina, um perito policial que nunca ouviu falar em trucagem de vídeo. Como é que isso tudo pode acontecer e se fazer de conta que tamanho embuste não é um crime de lesa pátria?
O pior ainda é que toda a revolta dos que viram o mesmo que estou vendo se volta para Wiliam Bonner e Fátima Bernardes. É claro que eles têm a sua parcela de culpa. Assim como os nazistas que cumpriram ordens. O casal Telejornal Serra não deveria, em nome da ética, participar de um teatro que visa a ludibriar toda uma nação. Mas os grandes responsáveis são uma quadrilha formada há 200 anos no país, se revezando de pai para filho, com o objetivo de se locupletar da miséria da grande maioria da população.
Infelizmente, por total incompetência da campanha de Dilma Roussef, pessoas como o Serra ainda vão amanhecer em novembro com uma aura de honestos, probos, trabalhadores e competentes aos olhos de muitos. Se fosse eu a comandar essa batalha pelo lado petista, Serra não teria nenhuma condição sequer de se candidatar a síndico de seu condomínio.
sexta-feira, setembro 24
Cada qual no seu quadrado

Um certo pastor evangélico procura influenciar seus seguidores e posta no Youtube um video pedindo que não votem nos candidatos do Partido dos Trabalhadores porque, num claro oportunismo eleitoreiro próprio das instituições religiosas, diz ver nessa sigla intenções advindas das profundas do inferno. Em um cuto espaço de tempo, a peça propagandística é assistida por mais de dois milhões de internautas, fora as divulgações do discurso através de outras mídias. Na semana seguinte as pesquisas de opinião demonstram que o cenário eleitoral está inabalado. As repercussões aferidas pelos institutos de consulta popular foram imperceptíveis, beirando a zero.
Jornais O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo, O Globo, as redes de TV Globo e Bandeirantes, as revistas Isto É e Veja requentam em um looping interminável notícias as mais estaparfúdias, tentando melar o processo eleitoral para prejudicar Dilma Roussef. Chegam ao ponto de trazer para os dias de hoje, em um malabarismo temporal, denúncias de quebras de sigilo que aconteceram há um ano Ao mesmo tempo, é absoluta e propositalmente esquecida a quebra de sigilo de todos os brasileiros, produzida por uma empresa de da filha de José Serra, em sociedade com a irmã do banqueiro meliante Daniel Dantas . A tentativa de manipulação da opinião mais uma vez não funciona. Pesquisas mostram que Dilma permanece inabalada na liderança da opinião pública.
O presidente Lula diz que é preciso extirpar o partido DEM do cenário político nacional. A imprensa adestrada por tucanos sai rasgando o verbo, afirmando em bom tom que isso seria atentar contra a democracia, claro que o pano de fundo é a busca pelo desgaste de Dilma. Novamente o intento é frustrado. É mais grave, na minha concepção, tentar esconder que o DEM é o antigo PFL que era o antigo PDS, que era a antiga Arena, que foi formado pelos apoiadores e avalisadores do golpe Militar de 1964, como Antonio Carlos Magalhães, Paulo Maluf e toda sorte de conspiradores contrários aos princípios democráticos. Ou seja, na visão desta imprensa nefasta, ser antidemocrático é querer a extirpação da vida política de golpistas, conspiradores, oportunistas, viúvas da ditadura, aliados incondicionais do entreguismo nacional promovido pelo PSDB.
Na minha avaliação, a população brasileira, nestas eleições, está dando um exemplo de maturidade política. Mesmo antes da abertura das urnas, já demonstrou claramente que não é mais, até que me provem o contrário, apenas um joguete nas mãos dos empresários latifundiários da comunicação nacional. O eleitor está se baseando em sua vida pessoal, nas transformações ocorridas em seu próprio meio para adotar a sua decisão. E isso não significará apenas não dar importância às tentativas de mistiticações. Com certeza, terá influências no próprio mercado. Dá gosto de ver exemplares de revistas encalhados em bancas e pontos de venda por conta do descrédito.
Para quem não considerou o assunto enfadonho e árido, recomendo este texto: http://migre.me/1okVI€€
PS. Volto ao teclado mobilzado pela minha comentarista solitária.
terça-feira, agosto 31
Diferenças entre Dilma e Serra
O que é óbvio para a grande maioria do povo brasileiro é que Lula conseguiu administrar esse país de forma muito mais benéfica para as camadas mais necessitadas da população do que os 500 anos anteriores de tucanismo-demonismo, tão bem sincretizados na gestão FHC. E o coitado do Serra ainda quis, através de uma propaganda enganosa, dizer que era a continuidade de Lula. Quem esse paulista pensa que é? Ou melhor, o que ele pensa da inteligência do povo? O mais estupefaciante é repetir em sua propaganda que foi ministro duas vezes. Mas ministro de quem? De que Governo? Só faltou afirmar que era do ministério de Lula.
Falando na real, Serra jamais poderia ter sido o candidato do PSDB, se esse partido quisesse ter alguma chance na atual campanha. Porém, Serra preferiu esfacelar o partido mesmo sem qualquer possibilidade de vitória a ter a humildade de reconhecer que Aécio Neves seria muito mais palatável à opinião pública. O ex-governador mineiro não havia sujado as mãos na gestão FHC, e por isso mesmo estaria desvinculado do ex-presidente tucano. Serra e FHC são a mesma coisa, o país sabe disso. Só Serra parece não saber. E como tal, a comparação não é Serra x Dilma, mas FHC x Lula. Desta forma, o máximo de popularidade adquirida, fruto de uma administração bem aceita e quista, não poderia ter alguma desvantagem contra uma gestão que terminou pifiamente, supermega mal avaliada, com inflações galopantes e dólar a R$ 4,00. Quem seria o doido de querer isso de volta? Só os que pensam em se locupletar nas tetas da viúva. E tal contingente é infinitamente minoritário entre o eleitorado.
Além de uma candidatura natimorta, o tucanato produziu erros em profusão durante a campanha em curso. Se não bastasse a estratégia equivocada de querer mostrar Serra como o candidato de Lula, a propaganda do Zé não tinha o que dizer. Por isso, tentou de todas as formas desqualificar Dilma Roussef. A última estratégia foi chamá-la de terrorista por ter tido a ousadia de lutar contra a ditadura militar. O mais primário sociólogo seria capaz de tirar a legitimidade de uma luta que tem como adversário um regime autoritário, ilegal, inconstitucional e divorciado da vontade da população. Serra deveria ter consultado o seu mentor FHC sobre o assunto.
Mas, sem dúvida, o maior de seus erros foi acreditar que os mídias tucanos (Folha de São Paulo, Revista Veja, e o grupo Globo) seriam capaz de sustentar a sua campanha contra tudo e todos. Felizmente, o Brasil tem comunicações alternativas capaz de fazer frente a esta avalanche de contrainformação e a inexorável avaliação pessoal de seus proprios sentimentos com relação às transformações acontecidas no país. Não é mais possível através da edição de um debate como já foi feito, mudar o rumo de uma eleição. Agora, as pesquisas de opinião começam a fazer seus ajustes para não cair no descrédito total no primeiro domingo de outubro. Sabe qual é a principal diferença entre Serra e Dilma? 24 pontos nas pesquisas de opinião. Quem viver verá.
Falando na real, Serra jamais poderia ter sido o candidato do PSDB, se esse partido quisesse ter alguma chance na atual campanha. Porém, Serra preferiu esfacelar o partido mesmo sem qualquer possibilidade de vitória a ter a humildade de reconhecer que Aécio Neves seria muito mais palatável à opinião pública. O ex-governador mineiro não havia sujado as mãos na gestão FHC, e por isso mesmo estaria desvinculado do ex-presidente tucano. Serra e FHC são a mesma coisa, o país sabe disso. Só Serra parece não saber. E como tal, a comparação não é Serra x Dilma, mas FHC x Lula. Desta forma, o máximo de popularidade adquirida, fruto de uma administração bem aceita e quista, não poderia ter alguma desvantagem contra uma gestão que terminou pifiamente, supermega mal avaliada, com inflações galopantes e dólar a R$ 4,00. Quem seria o doido de querer isso de volta? Só os que pensam em se locupletar nas tetas da viúva. E tal contingente é infinitamente minoritário entre o eleitorado.
Além de uma candidatura natimorta, o tucanato produziu erros em profusão durante a campanha em curso. Se não bastasse a estratégia equivocada de querer mostrar Serra como o candidato de Lula, a propaganda do Zé não tinha o que dizer. Por isso, tentou de todas as formas desqualificar Dilma Roussef. A última estratégia foi chamá-la de terrorista por ter tido a ousadia de lutar contra a ditadura militar. O mais primário sociólogo seria capaz de tirar a legitimidade de uma luta que tem como adversário um regime autoritário, ilegal, inconstitucional e divorciado da vontade da população. Serra deveria ter consultado o seu mentor FHC sobre o assunto.
Mas, sem dúvida, o maior de seus erros foi acreditar que os mídias tucanos (Folha de São Paulo, Revista Veja, e o grupo Globo) seriam capaz de sustentar a sua campanha contra tudo e todos. Felizmente, o Brasil tem comunicações alternativas capaz de fazer frente a esta avalanche de contrainformação e a inexorável avaliação pessoal de seus proprios sentimentos com relação às transformações acontecidas no país. Não é mais possível através da edição de um debate como já foi feito, mudar o rumo de uma eleição. Agora, as pesquisas de opinião começam a fazer seus ajustes para não cair no descrédito total no primeiro domingo de outubro. Sabe qual é a principal diferença entre Serra e Dilma? 24 pontos nas pesquisas de opinião. Quem viver verá.
sábado, agosto 28
Certo ou feliz?

Há dias uma determinada expressão me persegue e tem consumido alguns ATPs de minha massa cinzenta. Ser feliz ou estar certo? A princípio, todos se lançam rumo a felicidade. É claro que ninguém quer ser infeliz, mesmo que para isso precise cortar os dedos ou vender a mãe. Felicidade, na visão de alguns filósofos é a razão primeira da existência humana. É o que humaniza o homem e nos faz absolutamente diferentes de tudo o mais que possa existir na criação divina.
Sorte minha que por esses dias tive a oportunidade e a felicidade (olha ela aparecendo aqui) de cruzar com os pensamentos da filósofa judia-alemã Hannah Arendt que me lançaram algumas luzes sobre essa questão. A primeira delas é que faz sentido o meu primeiro insight de que ser feliz ou está certo é uma falsa dicotomia. Não há felicidade fora da razão, é a minha conclusão. Sem estar certo, a pessoa pode se manter na zona de conforto, evitar conflitos, tornar-se manso e dócil, assegurar a redução de eventuais tensões na busca por uma harmonização empírica. Mas nada disso pode ser visto como felicidade, na minha precária visão.
Hannah conheceu as atrocidades do nazismo in loco, expatriada que foi da Alemanha, em 1933. E não atribuiu os crimes praticados contra os judeus somente ao comando do poder germânico, mas, principalmente, aos pais de famílias, a grande maioria, que cruzaram os braços diante das maldades para não por em risco seus empregos, a condição que desfrutavam na sociedade alemã, o conforto, e em última análise, a suas felicidades comezinhas. O resultado deste não-comprometimento com o justo, o certo e a razão foi o desastre que se seguiu, com repercussões até hoje, mais de 60 anos após o fim da guerra.
Em 1963, Hannah escreveu sobre Eichmann em Jerusalém, o nefastamente famoso engenheiro da solução final, que levou milhões de judeus aos campos de extermínio. Ela considerou que o grande exterminador não era alguém terrivelmente mal, mas um típico burocrata que se limitara a cumprir ordens, com zelo, sem nenhuma capacidade de destinguir o bem e o mal. É claro que os judeus israelenses não gostaram dessa frase. Eles preferiram a espetacularização de proporções mundiais do julgamento do criminoso de guerra. Eichmann não poderia ser alguém "horrivelmente normal" como apregoou a escritora.
Quero deixar claro que o nosso juizo individual é sempre passível de imperfeições. Podemos nos admitir certos e dentro da razão em situações que um terceiro olhar não permitiria tal avaliação. Mas, por outro lado, não podemos ficar deslizando em falsas dicotomias ou se evadir totalmente de determinados confrontos interiores em nome de uma pax romana. É o que tenho a dizer no momento, procurando não ser cansativo, mas já o sabendo como tal.
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