sábado, fevereiro 28

Voltando a Guaramiranga

De acordo com o que tinha avisado e atendendo a pedido da Fernanda (minha quase única leitora declarara), aqui segue um pouco mais dos dias mominos, sem marchinhas, axés, ou outras porcarias musicais tão evidentes nessa época.


Aqui a banda foi de blues e rocks, a la Santana, The Band, coisas assim.




O termômetro marcando temperatura fake. Descobri que foi mexido para determinar três graus menos que o real. Para a alegria dos turistas que não se cansavam se posar ao lado do equipamento.



Apesar da multidão, do som, das drogas, cidade não registra nenhuma ocorrência policial nesta época. E há gente querendo acabar com o festival em troca de um trio elétrico e todas as baixarias que isso representa. Que me desculpem os aficcionados por esse modelo de suicídio coletivo.

quinta-feira, fevereiro 26

Noite em claro

Pela manhã, partiu
Não quis café
nem cafuné
Deixou a cama vazia
O meu coração cheio
de saudade.

segunda-feira, fevereiro 23

Sabia que canta

Guaramiranga, 22, 13h, 19ºC, 845m acima do nível do Mar, fevereiro 2009.

Mesa super ultra mega farta desde ontem à tarde quando aqui cheguei. Condições de conforto extremadas. Tem de tudo, não falta nada. Banho quente, aparelho de ar condicionado que não será ligado, camas macias, piscina térmica para banhos noturnos, paisagem verdejante em todos os quadrantes que se olhe, canto de pássaros os mais variados. Aqui não existe aquecimento global, nem tem porque lembrar que existem crimes contra a ecologia. Na maior parte do mundo tudo explode, em meio a carnaval. Mas minha trilha sonora pessoal é String Quartet. Nada lembra o império de momo. Notícias só via net.

Mas nem todo esse conforto é capaz de quebrar os vínculos com o resto do mundo. Melhor dizendo, com as pessoas que pontuam a minha vida, que fazem parte dela, que são a minha vida. Não tenho, nunca tive vocação para Robinson Crusué, apesar de me fascinar por pessoas que sobrevivem e até preferem ambientes isolados, sentimentos misantropos. Eu não. Sou diferente. Pessoas, gentes, atitudes, histórias. São esses o meu alimento, o meu oxigênio.
Parêntesis. Enquanto aqui digitava, um beija-flor invadiu a sala e fui abrir a porta de vidro para devolvê-lo à liberdade. Após um breve esforço para encontrar a saída, retornou à floresta.

Parêntesis II Ontem tive de parar tudo no leptop porque a mesa posta priorizou-se no horizonte de interesses. Em seguida caminhada até sítio próximo, rodízio de pizzas pilotado por mim, banho de piscina aquecida noturno, ida a cidade, assistir Jam session até altas horas da madrugada e presenciar termômetro marcando 15 graus, em meio a algumas chuvas. Depois descobri que a temperatura assinalada é fake. Pessoal aqui mexe no equipamento para que indique 3 graus a menos e transformá-lo em atração turística dos visitantes de calorentas cidades, como Fortaleza. Povo pára para posar e se fotografar ao lado da indicação de sensação climática amena. Como se gosta de uma ilusão!

Não são os 15 graus indicados, mas a temperatura tem se mantido abaixo dos 20, por conta do tempo nublado constantemente, e chuvoso, volta e meia.

Chove lá fora é aqui faz frio, não tanto, como já cantou Lobão, mas com certeza é um bom lugar para ler um livro, e o pensamento.... a exemplo do que diz Djavan.

Cercado de pessoas maravilhosas, aprendendo novas expressões, vinda de novas tribos. Mas nada substitui o carinho, o sentimento de confiança e aquela sensação de se acompanhar de amigos de longas datas que estão com a gente em todas as situações. Minha irmã, minha adorável irmã, novamente grávida e aqui comigo. Espera o segundo, mas ainda desconhece o sexo do bebê. Vai fazer companhia a Sara, ainda única.

Bem, mais tarde conto mais...e com fotos..

sexta-feira, fevereiro 20

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Group or groupie
it's not the same
inside word
outside world

(by me)

quarta-feira, fevereiro 18

Falsas dicotomias

Émile Zola

Não sei muito bem como funciona a cabeça das pessoas, mal sei como é a minha. Mas vejo que é uma constante as pessoas tratarem o mundo com dicotomias. O certo ou o errado, a fome e a liberdade ou o enquadramento e o banquete farto, o direito ou o errado, o direito ou a injustiça, o legal ou o ilegal. É comum as pessoas se perderem em meio a este labirinto de percepções. Mais fácil funcionar como um sistema binário do que se abrir a tantas outras possibilidades. Se há o branco e o preto, temos também a decomposição das cores através de um arco-íris.

Uma dessas dicotomias, ou falsa dicotomia, como entendo, é entre estar certo e ser feliz. Como se para se chegar a um estado de harmonia com as outras pessoas precisássemos abrir mão de nossos princípios, ou se fechar aos olhos com o que não concordamos somente para se manter em sintonia com o meio.

Aí fico pensando o que seria da humanidade se todos pensassem dessa forma. Muito provavelmente estaríamos todos vivendo sob a mais severa tirania, e que nem avestruzes com o pescoço enfiado até o talo debaixo da terra. Não acredito que exista felicidade na injustiça, no erro, na incondicional cegueira aos próprios princípios.

Estou lendo atualmente um livro sobre caso Drayfuss, Um oficial francês judeu que foi condenado injustamente por traição. A pena foi a prisão no exílio na Ilha do Diabo. Uma parte da França de levantou contra esta ignomínia. Entre os líderes do movimento em favor do oficial esteve Émile Zola, que na época já era um renomado escritor, um dos principais expoentes da literatura naturalista, que poderia continuar sendo feliz com a fortuna e o reconhecimento que acumulou ao longo de sua existência. Mas não há felicidade na indiferença.

Ao contrário, o autor de Germinal escreveu o artigo J’Accuse expondo todas as fraudes praticadas no processo de Alfred Dreyfuss. Por conta disso, foi julgado e condenado à prisão, mas a sua luta prosperou e a verdade prevaleceu. E aí? É melhor estar certo ou ser feliz? Guardemos na memória os que lutaram todas as batalhas contra as injustiças , o desamor, os preconceitos e as iniqüidades.

sábado, fevereiro 14

Nada é igual


Pantico em show, ontem no Anfiteatro do Dragão do Mar - Praia de Iracema - Fortaleza - (foto pirateada)

Uma coisa a modernidade não mudou. É sofrer por amor. Ou melhor, sofrer pelo que se pensa que é o amor. Porque não acredito que amor faça ninguém sofrer. O que faz sofrer é o desprezo, a saudade, o ciúme, a incompreensão. Mas as pessoas buscam uma eterna bilateralidade. Buscam alguém que as ame, e só aí dedicar o seu amor, os seus sonhos, as suas esperanças de uma vida feliz. Por mais que o mundo real desminta todo dia essas quimeras extraídas de contos de fadas, as pessoas teimam em não aceitar. Hoje, a felicidade é aquilatada em dígitos de contas bancárias, em modelos de carro, em número de casamentos possíveis.

Hoje, um amigo meu sofre. A noiva, mobilizada por questões de foro íntimo e pressões sociais externas, resolveu descobrir que o meu amigo não seria a felicidade dela. Após alguns anos de convívio, percebeu que as diferenças entre ambos são irreconciliáveis. Ela percebeu. Nada que se sobressalte aos olhos de quem está próximo. A não ser, da família dela, que ao que me consta não tratava seu noivo como muita afetuosidade. Normal. Filha única, cercada de atenções as mais diversas, nenhum homem é bom o suficiente. Assim pensam os pais. Quase todos os pais

Mas a vala em que se meteu o meu amigo é profunda. Confessou que não conhece nenhuma mulher que atraia minimamente a sua atenção. Deve ficar nessa vala por mais algum tempo. Não creio que dure muito, porque logo, logo o instinto matador que reina dentro de todo animal masculino desperta, e o mundo começa a novamente ficar colorido. Difícil fugir do império dos hormônios.
Enquanto isso, vai ficando no oceano de abstrações, que não existe a não ser em seus pensamentos. Vai roendo, roendo, se achando a mais infeliz das criaturas. Mas na certa, como todos os que escapam de situações semelhantes, ainda vai rir de tudo isso.


sexta-feira, fevereiro 13

Inimigo público


Há algumas coisas que se a gente não prestar bem a atenção, acaba sendo totalmente dominado por elas. Uma dessas é tecnologia. A gente se acostuma, se vicia, e de repente, não mais que de repente, se vê totalmente refém dela. Há alguns anos acho que me escravizei a TV por assinatura. O preço nunca foi muito barato, mas começou a ficar salgado demais de uns dois anos para cá. O pessoal da NET, minha operadora, parece que tem uma carteira de clientes de otários. Vai subindo o preço ao bel prazer, (dizem que é controlado pela Anatel, mas eu duvido) e o que antes se pagava pouco mais de R$ 60, já está beirando a R$ 150. É aumento em cima de aumento, e quem quiser que ache ruim.


E se você vai pedir alguma negociação, não tem muita conversa. O máximo que eles fazem é o mínimo. Um descontinho básico em uma ou duas mensalidades. Vão a pqp! Rapidamente entregam o papelzinho pra você assinar e no outro dia, como fosse grande favor nós termos sido clientes ao longo de anos a fio, de manhã cedo, já carregaram os decodificares. Estão sobrando clientes! E olhe que a pagava a conta em débito automático ...


Pois é, pela metade do que pagava, já me engracei com outro pacote de canais por assinatura de outra operadora. Mas estou relutando em fechar o contrato. Ligo, consulto pela internet, converso de novo. Tento me lembrar do tempo em que não tinha, lia mais, conversava mais tinha mais tempo pra mim. Agora, quase tudo que me proponho a fazer, acabo relutando um pouco antes de deixar a tela. Só terminar esse filminho, ou este documentário, as notícias da última meia hora, o seriado preferido... Isso sem falar da net complementando o último besteirol. Todo seriado, todo programa, toda fulerage tem um site para ser consultado, que vai deixando o tempo cada vez mais escasso. E ainda tem gente que se queixa do ócio.