terça-feira, julho 15

Satiagraha ou agarra e solta?


Se alguém consultar o nome da famosa operação da Polícia Federal no Google, que deu a esperança a alguns de que alguma coisa estaria mudando neste país, vai encontrar quase 180.000 mil respostas. De uma hora para outra, a estratégia Satiagraha de Ghandi para derrotar os ingleses se transforma em um dos mais populares verbetes da atualidade. Se nos idos de 1948 serviu para levar a Índia à independência dos britânicos, em terras brasilis vai se transformar em sinônimo da impunidade anabolizada por milhões de dólares.

Lembrei-me de uma história que aconteceu no estacionamento de um shopping. O proprietário de uma camionete importada aguardava um carro deixar uma vaga para ocupá-la. Porém outro motorista, em um carro popular, adiantou-se em tomou a vez, ocupando o espaço vazio, logo que o outro carro deixou a vaga. E ainda ironizou o caso, dizendo ao motorista do importado: “o mundo é dos espertos”.

A camionete só esperou aquele ser inferior deixar o seu popular e enfiou o pára-choques na traseira do antagonista, até deixar o carro em forma de maracujá velho. Jogou o seu cartão de visitas com o número do seguro do carro e disse: “engano seu, o mundo é dos ricos”, e deu de costas.

É isso que diariamente acontece no mundo todo e aqui com mais freqüência, em face dos elementos altamente corruptíveis que habitam as cortes, as casas legislativas, as cadeiras dos executivos. O Brasil todo ouviu que o Supremo Tribunal Federal está nas mãos de Daniel Dantas. E ninguém faz nada porque não quer, por medo, ou pela mais completa e absoluta impotência.

Agora quem corre são os delegados da Polícia Federal, talvez assustados com o poder de fogo de seus investigados. Reúne-se governo e ministros do Supremo e decidem que a ordem agora é ampliar até não poder mais as punições por supostos abusos de autoridade cometidos pelas pela PF e similares. Em outras palavras, “vamos facilitar a vida desse pessoal que vive afundando o país com tanto roubo, mas que de vez em quanto nos paga uma propina”.

domingo, julho 13

Sombras do ser


Não pense que vai ouvir de mim

Pela minha própria boca.

Recua, sai fora, vade retro!


Prefiro o silêncio a expor

Minhas entranhas, meu timo,

Minhas teorias falhas, obtusas


Não terá noção de minhas raízes

Se não procurar saber das infâmias

Do que andam falando nos confabulatórios


Terá palavras rasas

Não citações filosóficas

Dos grandes pensadores.


Desconheço autores, nomes, datas

por total incapacidade mental.

Não tenho nada a dizer.


Mas se me fala quem você é

Dispensando palavras,

Mas se traduzindo no espaço


Gestos, jeitos, maneiras, atitudes,

Verá que a única simbiose verdadeira

É na conjunção dos sentimentos.


Cada idéia recusada, refutada

É um não ao outro.




sexta-feira, julho 11

entre o sim e o talvez



Noite fria

Pensamentos quentes

Capazes de derreter

Barras de ferro.


Quem vai deter

O poder imperial?

E dizer:

Impossível, volte amanhã!







quinta-feira, julho 10

notas visuais

Não foi por querer, mas às vezes isso acontece. Uns pedem inverno e outros querem verão. Enquanto a minha amiga Anna (acho muito chic esse nome com dois enes!!) pedia poesia eu despejava bílis através dessas mal traçadas linhas do post abaixo.

E confirma-se o que a humanidade já sabia. Daniel cheio da grana Dantas está novamente solto.

Mas se a poesia não vem do teclado, origina-se então dessa bela imagem. Galba Sandra captura o estiloso movimento da Renatinha, com o mar ao fundo. Particularmente, considero muito poético.

quarta-feira, julho 9

Cenas dos próximos mensalões

A classe -média-remediada-baixa-renda-pobre-excluída-lascada-em-banda- descamisada-ó-pátria-amada-salve-salve vibra com as prisões dos celsos pittas, daniels dantas e nagis nahas da vida. A mídia refestela-se com tão esplendoroso e bissexto acontecimento. É a polícia federal com as mãos desatadas do Governo Lula. Tubarões vão para o xilindró enquanto alguns ficam pensando que o país tem jeito, que a impunidade um dia acaba. Mas alegria de pobre sempre dura pouco, frações de segundo.

Logo, logo, canais de televisões voltam a normalidade social e o estado democrático de direito, que dá direito a todos que tem dinheiro, se impõe na voz do ministro do Supremo. As câmaras se perfilam para ouvir e retransmitir em cadeia nacional que as prisões foram envolvidas em pirotecnias e shows midiáticos. A PF espetacularizou as detenções ao convocar a imprensa na calada da madrugada. As algemas postas nas mãos dos figurões foram excessos inaceitáveis (Homem de bem tem de chegar na cadeia cercado de altivez e sua honra jamais, em hipótese alguma, pode ser posta em dúvida).

As mesmas câmaras que estavam lá na ação policial se curvam às declarações do ministro do Supremo, como se estivessem reconhecendo a sua participação na ação espetaculosa, quase criminosa (claro! O crime é a prisão dos bacanões e não os bilhões roubados dos contribuintes!) também muito útil para vender Boa, que mesmo com consumo proibido entre motoristas ainda produz uma gorda conta publicitária. Só isso já justificaria a interrupção da programação normal da TV para avisar a nós o que está se passando dentro da cadeia.

Corrupto que é corrupto mesmo, com disposição para anabolizar os mensalões da vida não vai se deter por muito tempo. Já está em curso, via poder judiciário-que-tudo-pode-até-mesmo-violar-códigos-de-lei, um pedido de hábeas corpus transformando delinqüentes bem de vida em anjinhos novamente. E quem quiser que conte outra.

segunda-feira, julho 7

Pela arte



Dieta rigorosa

Músculos aflorando a pele

Estrutura muscular aquecida

Alongada, pronta para movimentos

Rápidos, frenéticos, criativos, repetitivos


As dores não contam

Piso milimetricamente marcado

Luzes indicando direções, contornos

Música que não diz nada, só marca

A fala do corpo.

domingo, julho 6

Era glacial


Campanha eleitoral começando e todos interessados no processo buscando dar a falsa impressão de que você, com seu voto, está sendo decisivo para os destinos de sua cidade, seu estado, seu país. Alguns nomes se colocam como os mais capacitados para comandar a cidade, e outros tantos se propõem a serem os fiscais da prefeitura e os elaboradores das leis municipais.

Democracia é isso, uns votam e os uns poucos eleitos decidem o que fazer, como fazer e porque fazer. Na maioria dos casos, para não dizer todos, os interesses visados são os próprios, pessoais, de familiares, amigos, apaniguados, protegidos. O poder real é o econômico. Eleitos se ajoelham, sempre, e atendem a generosa mão que repassa propinas, superfaturamentos, benefícios diversos.

Campanha eleitoral é o show do milhão ao contrário. Dudas Mendonças contratados com cheques de sete dígitos, programas de televisão pagos a peso de ouro, notícias compradas na mídia, empresas de televisão vendendo candidaturas que eleitas irão facilitar o acesso aos créditos do BNDES, prorrogação de pagamentos das dívidas do INSS, contratos publicitários fabulosos.

Mas se o eleito furar a palavra empenhada, a mídia não se faz de rogada. Cria uma pauta extensa de falcatruas produzidas pelo poder representativo. Afinal de contas todos os políticos têm sempre algo a esconder em seu passado nebuloso, ou então, no presente, está envolvido em alguma negociata. Qual deles nunca colocou um parente em algum cargo público? Na falta de escândalos mais espalhafatosos, ataca-se de clientelismo, nepotismo, omissões no exercício do cargo.

O eleitor, simples mortal que habita na zona periférica dos centros urbanos, é sempre a cartada decisiva dos candidatos. Em número, superam os bolsões de burguesia e podem decidir uma eleição. Normalmente, trocam o voto por algum favor imediato. O mais emblemático de todos é a dentadura. População de banguelas. Mas há tantas outras formas de se conquistar a “confiança” do excluído. Que tal uma bolsa família, que assegura reais pelos próximos quatro anos? Afinal de contas este benefício entra governo, sai governo vai se perpetuando. Para os mais abençoados, há uma casa popular lhe esperando logo após o abrir das urnas. Ou até antes disso.

Modelo democrático nacional querendo ser exemplo para os Estados Unidos. Urnas eletrônicas que em poucas horas apontam os eleitos, praticamente isentas de fraudes. Partidos de esquerda, de direita, de centro, de cima do muro que se assemelham tanto. Eleições decididas pelos nomes. Povo que há muito tempo desistiu de entender de ideologias, perdeu as esperanças, assiste impassível aos telejornais como se nada estivesse ao seu alcance ou despertasse verdadeiramente os seus interesses.

Dá pena ver parentes de vítimas da violência se unindo em pequenos grupos cobrando justiça para seus mortos. Ou bacaninhas zona sul, depois de mais uma incursão armada dos moradores dos morros em seus territórios, se organizarem em caminhadas pela paz.

Não há paz visível onde todos são transformados em mercadoria. Onde o lucro é o princípio, meio e fim de todas as relações sociais. Criam-se ongs teoricamente para se fazer o bem a terceiros, ou salvar o mundo de uma hecatombe climática, mas o que se vê são uns poucos dirigentes em pouco tempo, melhorando verticalmente de vida às custas de contribuições pessoais e do estado. O voto não vai mudar nada disso. Pensar o contrário é, talvez, somente uma vã ilusão desprovida de sentido no universo real.